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Confira os apontamentos do Primeiro Ciclo de Debates sobre a Organização do Trabalho

Começa 1º Ciclo de Debates sobre Organização do Trabalho

Sindicato dos Bancários de Curitiba e região promove evento que discute organização do trabalho e os temas: assédio moral, violência psicológica, a inserção da mulher no mercado do trabalho e a discriminação de gênero.

Os palestrantes Roberto Heloani e Alceu Graczkowski, abriram nesta quarta-feira, dia 03 de março, os trabalhos do I° Ciclo de Debates, intitulado “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?” promovido pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. O evento está sendo realizado no auditório do Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários (Rua Piquiri, 380 – bairro Rebouças).

Ao tratar do tema assédio moral, Heloani destacou a manipulação psicológica realizada por muitas empresas e instituições. Após exibir um antigo filme divulgando o Programa de Demissão Voluntária de um banco nacional, o especialista em saúde no trabalho, falou sobre o comportamento desleal de empresas que em processos de reestruturação produtiva flexibilizam seus valores, criando ambientes de trabalho insustentáveis para os funcionários.

“Aqueles que não são seduzidos pelos incentivos e divulgação das empresas e não pedem demissão, passam a sofrer assédio moral”, relata Heloani. “É uma segunda estratégia, bem mais eficiente, porém lenta”. Comparações entre funcionários, incitar a perda de confiabilidade entre os membros da equipe, desqualificação e isolamento são algumas das medidas adotadas pelas empresas e citadas pelo pesquisador. Heloani abordou também as consequências familiares de tanta pressão. “A família fica desestruturada e o trabalhador assediado, que está sofrendo um atentado a sua dignidade, perde o único espaço em que ainda se sentia confortável”, afirma.

Como identificar o assédio moral

Roberto Heloani define assédio moral como um conjunto de condutas abusivas, realizadas de forma frequente e intencional, de longa duração, que atingem a dignidade do indivíduo. O professor, pesquisador e especialista em saúde no trabalho destaca como deve agir um trabalhador que está sofrendo assédio moral:

* O trabalhador não pode se isolar para não perder a noção do que está acontecendo. Ele conselha que o trabalhador converse com verdadeiros amigos do trabalho e com a família.

*O assediado deve buscar o Sindicato. A entidade poderá lhe oferecer amparo psicológico e assessoria jurídica.

Por: Patrícia Meyer.

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Pesquisadoras debatem papel da mulher no mercado

Após transporem boa parte das barreiras que as impediam de entrar no mercado de trabalho, mulheres lutam agora pelo reconhecimento e pela dignidade profissional.

O segundo dia do 1° Ciclo de Debates do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, intitulado “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?”, foi dedicado à discussão do papel da mulher no mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas na inserção profissional feminina, entre outras questões de gênero. Para abordar tal temática, estiveram reunidas no Espaço Cultural e Esportivo, na noite de 4 de março, as pesquisadoras Nanci Stankki, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora da UTFPR, e Ângela Araújo, doutora em Ciências Sociais e professora da Unicamp.

Nanci iniciou o debate questionando a platéia se a crescente instrução e a participação no trabalho produtivo, de fato, permitiram às mulheres romper com a dominação masculina tão naturalizada. Para responder a pergunta proposta, a pesquisadora expôs como a sociedade capitalista foi, ao longo dos anos, construindo sujeitos desiguais: “Dentre os principais fatores que contribuem com esta construção estão a reprodução da imagem feminina como secundária, a desvalorização do trabalho desenvolvido pelas mulheres e até mesmo a violência contra o sexo feminino”, destacou.

Segundo Nanci, embora nos dias atuais não se tenha mais um modelo tradicional de divisão sexual do trabalho, no qual os homens são encarregados de prover o sustento familiar enquanto as mulheres são responsáveis apenas pelo espaço doméstico, a desvalorização feminina e as práticas de dominação masculina continuam muito fortes. “As desigualdades entre homens e mulheres, no que tange as relações de poder, foram sempre interpretadas como naturais. Desta forma, não há como duvidar que a negação dos direitos humanos que estão presentes na sociedade se reflete no mercado de trabalho”, completa a professora. Para ela, ainda é preciso que ocorram muitas mudanças.

O que vem pela frente – A professora Ângela Araújo começou afirmando que olhar para os trabalhadores como um corpo hegemônico implica em deixar de considerar toda a diversidade da classe e todas as suas questões relativas. “Por isso, reafirmo sempre que a classe operária tem dois sexos”, disse. “Uma vez que ambas as relação – a de classes e a de sexo – são imbricadas, estruturantes da sociedade, não se pode pensar nelas de forma dissociada”, acrescentou.

A pesquisadora também apresentou uma série de dados sobre o mercado de trabalho brasileiro, que demonstram a crescente participação feminina. A partir de 1995, a inserção profissional das mulheres aumenta cerca de 2% ao ano e, somando os últimos 10 anos, a ocupação de vagas pelo sexo feminino cresceu aproximadamente 30%. “Essa participação cada vez maior das mulheres na População Economicamente Ativa (PEA) é o que eu chamo de feminização do mercado de trabalho”, afirmou.

No entanto, Ângela faz uma ressalva: se, por um lado, as mulheres têm conquistado espaço profissional, por outro, não se pode deixar de observar que a grande maioria delas se dirige para o setor de baixa produtividade da economia, ou seja, aquele dominado por empregos informais, precários e sem proteção. “Este é o grande desafio que os movimentos sociais e sindicais têm pela frente; e terão que estar preparados para enfrentá-lo”, finalizou a professora.

Por: Renata Ortega.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br.

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