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Conflito de interesses leva Comissão de Ética do BNDES a ouvir funcionários

Rio de Janeiro – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje (10) que o ex-chefe da secretaria-executiva da presidência do banco, Luciano Siani Pires, não teria participado do processo de análise e de aprovação do empréstimo de R$ 7,3 bilhões, concedido pela instituição à mineradora Vale, no último dia 1º.

Siani está de licença não-remunerada do banco, onde é funcionário de carreira, e foi contratado para exercer o cargo de diretor de Planejamento Estratégico da Vale. Sua contratação pela mineradora e participação na aprovação do empréstimo concedido à empresa foram objeto de denúncia feita, nesta semana, pelo economista do BNDES Maurício Dias David, lotado atualmente na área de Insumos Básicos.

A afirmação do presidente do banco sobre o caso Siani Pires foi feita hoje aos representantes das três associações de funcionários do Sistema BNDES (formado pelo banco, pela BNDES Participações – Bndespar e pela Agência Especial de Financiamento Industrial – Finame).

Coutinho recebeu os servidores acompanhado dos diretores Maurício Borges Lemos, das áreas Financeira e de Operações Indiretas e Wagner Bittencourt, das áreas de Infra-Estrutura e de Insumos Básicos. A informação é da assessoria de imprensa do BNDES.

No encontro, Coutinho esclareceu que o processo de licença de Luciano Siani Pires teria ocorrido respeitando os procedimentos legais e os regulamentos internos do banco. Ele prometeu aos funcionários que as associações serão informadas sobre qualquer decisão e, se necessário, eles poderão participar do processo de esclarecimento das acusações.

A Comissão de Ética Profissional do BNDES vai investigar o caso e, segundo o presidente do banco, a expectativa é que o processo demore entre 30 a 60 dias. A comissão deve ouvir amanhã (11), em caráter de urgência, o economista Maurício Dias David, que criticou, em mensagem eletrônica enviada a dois mil funcionários da instituição, a ida do colega para a mineradora Vale.

No e-mail, David afirma que houve conflito de ética na saída do ex-chefe da secretaria-executiva da presidência do BNDES para diretoria de Planejamento Estratégico da mineradora Vale, pelo fato de Siani Pires ter participado do processo de aprovação do financiamento. O empréstimo, uma espécie de cheque especial para ser desembolsado nos próximos cinco anos, é o maior já concedido pelo banco a uma única companhia.

O presidente da Comissão de Ética, José Eduardo Pessoa, disse hoje (10) à Agência Brasil que não está descartada a hipótese de Siani Pires ser convocado para esclarecer os fatos que levaram à sua contratação pela mineradora. “Em função dos desdobramentos, a comissão deve ouvir o doutor Siani também. Se tiver algum fato concreto, certamente [a comissão] vai ouvi-lo”, afirmou Pessoa. Ele lembrou que Siani é funcionário de carreira do banco e está licenciado por motivos particulares.

Em entrevista exclusiva concedida à Agência Brasil, o economista Maurício Dias David, que denunciou o fato, questionou a isenção da Comissão de Ética da instituição para apurar o caso. David alegou que a comissão é presidida por um funcionário que exerce cargo de confiança no banco.

O economista disse que vai sugerir ao presidente do BNDES que a investigação fique a cargo de um órgão independente, como o Ministério Público Federal, ou de uma comissão de alto nível da sociedade, integrada por pessoas de notório saber. “Até porque as provas do crime estão aqui, no computador do sujeito. Se esse computador não for rapidamente analisado e revisto, as provas vão ser apagadas”, sugeriu.

Ele também critica o fato de Siani ter participado do processo de concessão de empréstimo à própria empresa que, agora, o contrata para o cargo de diretor. “Eu avalio que há um certo conflito ético aí”, disse. Para David, há uma confusão entre o setor público e o privado nesse caso.

David afirmou que sua denúncia tem como motivo apenas o estabelecimento de “marcos de comportamentos éticos, que estão ficando um pouco para trás”. Segundo o economista, Siani Pires já se licenciou anteriormente para estudar no exterior e para trabalhar no setor privado, na Consultoria KPMG. Apesar das críticas, David garantiu que, se for convocado, prestará os esclarecimentos que forem necessários à Comissão de Ética do BNDES.

Procurada pela Agência Brasil, a assessoria de imprensa da Vale disse que nem a companhia, nem Luciano Siani Pires, iriam comentar o caso.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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