fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 19:47 Sem categoria

Cooperativa gera trabalho e renda para comunidade

Lucro e prejuízo dessas empresas são distribuídos entre cooperados, que são donos delas

Imagine uma empresa em que os ganhos são divididos igualmente e os prejuízos, quando existem, são minimizados entre todos os trabalhadores, que são funcionários e donos da produção ao mesmo tempo. Esse tipo de negócio existe, são as cooperativas, um tipo de empreendimento em que a única finalidade é o sucesso do trabalho coletivo.

Evandro Ninaut, gerente de Mercados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), diz que uma cooperativa pode ser entendida como uma “empresa” que presta serviços aos seus associados.

– Numa companhia mercantil, há um dono, dois, um pequeno grupo. Na cooperativa, você é associado e tem parte dela em suas mãos, e o número de participantes é ilimitado.

Nesse tipo de negócio, ele diz, o resultado positivo – o que é chamado de sobra (o lucro) – é dividido igualmente, assim como as perdas. Em uma empresa, um resultado ruim pode até quebrá-la. Já as cooperativas dificilmente quebram.

As diferenças não se resumem somente ao fato de que as empresas buscam lucro e as cooperativas não. O consultor Benedito Roberto Zurita, especialista em associativismo do Sebrae-SP, explica que, em conjunto, os trabalhadores podem alcançar degraus mais altos.

– Individualmente as dificuldades são maiores. Pense em um produtor rural que quer vender sua colheita. Junto de colegas, ele consegue negociar para comprar insumos, como adubo, por preços mais baratos. Ele também vai poder encontrar o mercado ideal para comercializar aquilo que criou, obtendo margens melhores de retorno.

A opinião é a mesma do engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da maiores cooperativas agrícola do país, a Coamo. Ele reconhece que se não estivessem unidos, os produtores da região de Campo Mourão (centro do Paraná) não conseguiriam sequer produzir seus grãos em grande escala.

– O pequeno só cuida de plantar. Uma cooperativa significa muito para seus associados, porque dá estrutura e assistência à colheita, à pesquisa, à venda e a industrialização. A falta de base é uma dificuldade de estar sozinho.

Educação e assistência

Para Cintya Destro Toth, da ANCC (Associação Nacional das Cooperativas de Crédito), as grandes oportunidades desse tipo de associação são de educação e assistência. Ela diz que, no caso das cooperativas de crédito, há oportunidades de cursos de finanças pessoais para ensinar os parceiros a saírem das dívidas.

– Como dívida não depende da classe social, a cooperativa vai te ajudar e te ensinar a cuidar do teu dinheiro. Já vi presidente de empresas internacionais pegarem empréstimos em cooperativa. Uma das coisas importantes é de projetos educacionais com os endividados, com apoio até de assistentes sociais e de consultores financeiros, se necessário.

A área de crédito cooperativo é uma das que mais cresce no país, e já é a que conta com o maior número de associados. São 3,497 milhões de pessoas que colocam seu dinheiro nesses grupos, que atuam como bancos e podem oferecer crédito a taxas mais baixas do que as de bancos convencionais.

O ramo agropecuário é o mais expressivo em número de cooperativas (1.615), contando com mais de 940 mil sócios.

A questão educacional e de desenvolvimento técnico é tão importante que as cooperativas têm o Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), um órgão próprio do Sistema S – que reúne Senac (do comércio), Senai (da indústria), Senat (dos transportes) e Senar (rural), entre outros.

O especialista do Sebrae Benedito Zurita vê grande potencial de crescimento nesse setor de empreendedores.

– É um sistema que tem muito a crescer. O sucesso de uma cooperativa depende exclusivamente da participação de seus associados. As cooperativas também têm seus riscos, já que podem concorrer no mercado como uma empresa comum. Mas o pior problema é a não participação.

Por Marcel Gugoni, do R7.

=============================

Cooperativa só existe com mais de 20 pessoas; saiba como funciona

Princípio número um do cooperativismo é a adesão voluntária e livre do trabalhador

As cooperativas são reconhecidas por lei no Brasil desde 1971. O conjunto de normas que regulamenta esse setor de produção reconhece que o trabalho tem como princípio número um a adesão voluntária e livre. Um grupo só pode existir com mais de 20 membros.

Evando Ninaut, gerente de mercados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), diz que não é qualquer conjunto de pessoas que tem o potencial para se tornar uma cooperativa de sucesso.

– Dependendo do tipo de empreendimento que você vai montar, esse número mínimo de membros é muito pequeno. Nem todas as cooperativas conseguem funcionar só com esse grupo, como, por exemplo, uma de crédito.

O consultor Benedito Roberto Zurita, especialista em associativismo do Sebrae-SP, diz que o primeiro passo a dar para abrir uma cooperativa é descobrir se ela vai atender, realmente, às necessidades do grupo.

– As pessoas têm que passar por um processo de informação. O que vem depois é o plano de viabilidade, para os trabalhadores descobrirem o que pretendem produzir e quanto isso vai custar no bolso deles.

Cada cooperativa é formada por cotas-partes, em que cada membro vai ter que colocar um capital na companhia ou fornecer os meios de produção para girar os negócios. O estatuto é o documento que define quem faz parte da empresa, em que região e em que ramo ela vai atuar, e qual o objetivo dela. É por meio dele que os membros escolhem como vão trabalhar e com quanto vão participar na empresa, entre outros detalhes.

– Esse estatuto é a regra do jogo, que prevê os direitos e os deveres de cada cooperado. Feito isso, é convocada uma assembleia para cada membro conhecer o estatuto, criar oficialmente a empresa e eleger a diretoria e os conselheiros fiscais.

Uma pessoa, um voto

As assembleias são a chave para as cooperativas. Elas se assemelham a reuniões de condomínio, onde os “moradores” podem definir os rumos do empreendimento e avaliar os resultados dos negócios. A regra de jogo é: uma pessoa, um voto.

Antônio José Monte, presidente do Coop, a maior cooperativa da América Latina em número de membros, na área de consumo, explica que a participação democrática é parte do processo. O Coop tem 1,5 milhão de filiados, dos quais 800 mil participam, normalmente, das reuniões.

– O mundo exige que as empresas sejam bem pulverizadas, com grande participação da sociedade. Mas o cooperativismo é o mais pulverizado de todos, porque todos têm direito a voto. A gestão é democrática e sua longevidade depende das boas práticas. Os associados têm as vantagens como se tivessem uma empresa comercial, normal. A diferença é que o resultado da empresa vai para todos.

A cooperação pode facilitar a produção, mas não desobriga as empresas de enfrentarem a burocracia. Zurita, do Sebrae, afirma que uma vez constituída, a documentação da cooperativa deve ser enviada para a junta comercial da cidade e ser registrada. Daí, ela segue para a organização das cooperativas do Estado, para só então entrar em funcionamento.

– O tempo para abrir uma cooperativa depende do dinamismo do grupo: o amadurecimento da ideia varia de seis meses a dois anos. Sempre tem aquele que duvida se o negócio vai dar certo ou não. Há grupos que, em menos de seis meses, já têm conhecimento, então a burocracia sai rápido. O processo pode durar pouco mais de um mês se os documentos não tiverem nenhum problema.

A OCB (www.ocb.org.br) tem um manual com o passo a passo sobre como abrir uma cooperativa. Sites das organizações de cooperativas, como a Ocesp (www.portaldocooperativismo.org.br), também contam com modelos de estatutos sociais e orientações para quem quer saber mais sobre a área.

Por Marcel Gugoni, do R7.

=================================

Mercado externo é principal foco de cooperativas rurais

Em 2009, mais de 95% do que foi gerado pelas comunidades agrícolas saiu do país

As cooperativas agropecuárias são verdadeiras gigantes do setor no Brasil, produzindo milhares de toneladas de alimentos por ano. Mas quase toda a produção vai para o mercado externo. No ano passado, mais de 95% de tudo aquilo que foi gerado pelas comunidades agrícolas saiu do país, principalmente para Europa, Ásia e Oriente Médio.

Segundo dados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), do total de 7.261 associações existentes no país, 1.615 grupos atuavam na atividade agropecuária (22%). Dos R$ 166 bilhões (US$ 88,5 bilhões) movimentados no ano passado, mais de 80% foram gerados nas comunidades rurais.

Evando Ninaut, gerente de mercados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), afirma que só as exportações passaram dos R$ 6,3 bilhões (US$ 3,6 bilhões) em 2009. Para este ano, a previsão é de recorde, superando os R$ 7 bilhões (US$ 4 bilhões) negociados em 2008.

– De toda a produção de cooperativas do país que vai para o exterior, quase tudo vem das agropecuárias.

A Coamo, do Paraná, é a maior do setor agroindustrial. Com mais de 22.300 associados e 5.000 funcionários, a cooperativa destina grande parte de sua produção para o exterior. Em 2009, a companhia faturou R$ 4 bilhões.

O engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da Coamo, afirma que a união associativa permite que esses produtores rurais tenham o acesso ao mercado externo. Sem o poder de negociação com o grupo, os pequenos agricultores ficariam impedidos de vender suas matérias-primas para fora.

– O pequeno só cuida de plantar. Uma cooperativa significa muito para seus associados porque dá estrutura e assistência à colheita, à pesquisa, à venda e à industrialização. A falta de base é uma dificuldade de estar sozinho. Se ela saísse, essas comunidades ficariam na mão de atravessadores, de cerealistas, de revendas de insumos, em que não se teria o compromisso com o sucesso nem com o social.

Cultura cooperativista

Apesar dos dados positivos, o gerente da OCB diz que o Brasil ainda tem muito a crescer nessa área. Na opinião de Ninaut, todos os setores têm oportunidades para explorar, mas os empreendedores têm que mudar sua maneira de ver o cooperativismo.

– Ainda não temos a cultura do cooperativismo. Na Alemanha, por exemplo, a produção de cooperativas é da ordem de 50% do PIB. Aqui, movimentamos 6%. Quando falamos em cooperativas por aqui, as pessoas acham que é um trabalho voltado à caridade, quando na verdade não é. Precisamos sedimentar a filosofia cooperativista no nosso país.

Ele diz que a Copa e as Olimpíadas são grande chance para nossas cooperativas, tanto as de construção e habitação, de transporte, de trabalho, como de turismo e lazer.

Diferenças entre sociedades cooperativas e outras empresas

Cooperativa
Empresa

Sociedade de pessoas
Sociedade de capital

Gerar condições de produção e trabalho aos cooperados
Gerar lucro aos acionistas

Votações: um por cooperado
Voto proporcional ao número de ações

Participação democrática
Sócio majoritário é quem decide

Assembleia tem base no número de cooperados
Debate com base no capital social

Retorno proporcional das operações do cooperado
Dividendos proporcionais à participação no capital

Número ilimitado de sócios
Número limitado de cotistas

Fatia no grupo é intransferível a não cooperados
Cotas podem ser vendidas a sócios ou terceiros

Objetivo social é exercido pelos cooperados
Trabalho é executado pelos empregados

Não pode falir
Sujeita à falência

Não tem fins lucrativos
Busca o lucro

Por Marcel Gugoni, do R7.

=================================

Maior cooperativa da América Latina é dona de hipermercados no Grande ABC

Rede Coop tem 1,5 milhão de associados e 28 lojas construídas com trabalho em conjunto

Se não fôssemos uma cooperativa, não seríamos nada. É dessa forma que Antônio José Monte define o Coop, empresa que ele preside e da qual também é sócio, junto com outros 1,5 milhão de trabalhadores. A maior cooperativa de consumo em atividade na América Latina é dona da 12ª maior rede de hipermercados do país.

Monte diz que, de um pequeno centro de distribuição em Santo André (Grande São Paulo), o Coop se transformou num gigante capaz de enfrentar as grandes redes como Carrefour e Pão de Açúcar, por exemplo, baseando seus negócios na união dos trabalhadores.

– A gestão democrática é a chave: são pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer necessidades econômicas comuns através de uma empresa. Elas são as proprietárias da companhia. Somos como um Carrefour ou um Pão de Açúcar, mas com vários donos.

O Coop surgiu em 1954 por iniciativa dos funcionários da multinacional do ramo químico Rhodia. A empresa, de origem francesa, montou sua primeira unidade em Santo André, cidade vizinha de São Paulo, porque, na época, o abastecimento de produtos básicos para as famílias era precário.

– Por um problema de distribuição de gêneros alimentícios em Santo André, 252 funcionários da Rhodia resolveram abrir uma cooperativa para trazer esses produtos de SP. Conseguimos uma sede para armazenamento e passamos a funcionar como um mercado, mas restrito para os associados.

Desde então, diz Monte, o número de associados não parou mais de crescer. Até o começo dos anos 1970, ainda eram 19 mil cooperados atuando na compra e revenda de itens de consumo básicos.

– Em 1976, ela abriu as portas para o público. Depois dessa época, passamos dos 200 mil e, hoje, temos 1,54 milhão. Trabalham conosco 4.500 empregados registrados [que não são cooperados] e mil prestadores de serviços, que atuam na limpeza, na segurança e em outras áreas em que não somos especializados.

Inovar para crescer

Com faturamento na casa de R$ 1,361 bilhão, a rede é a única cooperativa a constar na lista dos 20 maiores supermercados do país, segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados). Neste ano, a empresa deve crescer em torno de 13,8% frente a 2009, com ganhos de R$ 1,55 bilhão.

O ramo é o segundo maior em número de colaboradores. São 128 cooperativas de consumo, com 2,3 milhões de associados, de acordo com número da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

Em meio aos gigantes, Monte diz que o segredo é inovar para conseguir cooperados. Para ele, o vencedor dessa disputa é quem oferece vantagens como preços baixos, bom nível de serviços, lojas asseadas e um mix variado de produtos para os consumidores.

– Hoje a cooperativa não precisa de mais fundos próprios para administrar seus negócios. Ela tem um capital de giro que já se paga e é quase exclusivamente gerado com as vendas de produtos. Os lucros, o que chamamos de sobras, vão para todos os cooperados ou acabam reinvestidos na abertura de novas lojas.

A rede tem 28 unidades espalhadas em 11 cidades – a maioria delas no Grande ABC – e pretende expandir os negócios para angariar mais cooperados e recursos. Segundo Monte, a próxima fronteira é a cidade de São Paulo, onde não há nenhum Coop.

Por Marcel Gugoni, do R7.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO http://www.r7.com.

==============================

… e no sistema financeiro:

Posição de 31 de março de 2010 – em reais

Total do Sistema Financeiro Nacional
Ativo total = 3.768.598.501.000,00
Lucro líquido = 13.524.878.000,00 (nos três primeiros meses de 2010)

Total Consolidado Bancario III ( 1389 Instituicoes ), leia-se COOPERATIVAS DE CRÉDITO
Ativo total = 56.249.968.000,00, O QUE EQUIVALE À POSIÇÃO DE DÉCIMO BANCO ATUANDO NO PAÍS
Lucro líquido = 324.983.000,00 (nos três primeiros meses de 2010)

Fonte: Relatório 50 maiores bancos do Banco Central do Brasil.

Close