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Por 13:37 Notícias

Lula sanciona fundos para Justiça em meio à crise do Banco Master e defende instituições sólidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (4), em cerimônia iniciada às 10h no Palácio do Planalto, leis que criam fundos para aperfeiçoar a Justiça Federal, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público da União (MPU). 

O evento reuniu, entre outras autoridades, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente do STJ, Luis Felipe Salomão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a defensora pública-geral federal, Tarcijany Linhares Aguiar. O ministro Edson Fachin também participou da cerimônia.

Lula cobra transparência e instituições fortes

Durante o evento, Lula retomou a crise envolvendo o Banco Master e afirmou estar preocupado com os efeitos do episódio sobre a confiança da população nas instituições. Segundo o presidente, é preciso fazer um “esforço sobrenatural” para que a sociedade não perca “a esperança, a fé e a credibilidade” no sistema democrático e no Estado de Direito.

“Se não tiver instituições sólidas e funcionando, a democracia estará muito vulnerável”, afirmou. “Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos”, reforçou o presidente. “Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”, também afirmou o presidente

O presidente se dirigiu a Fachin e Gonet e afirmou que os dois têm uma responsabilidade diante da expectativa da sociedade sobre a condução da crise. “Está nas tuas costas e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada”, disse.

Lula voltou a criticar o que chamou de “indústria da fake news” e “indústria dos vazamentos seletivos” por interesses políticos ou econômicos. Para ele, a falta de uma resposta institucional pode comprometer a credibilidade da Justiça.

Na rede social X, Lula já havia se manifestado a respeito do caso Banco Master, pedindo transparência e investigações “sem blindagem”.

Fachin destaca fortalecimento do sistema de Justiça

Em seu discurso, Fachin afirmou que a criação dos fundos representa resultado do trabalho conjunto entre os Poderes da República e as instituições do sistema de Justiça. Para o ministro, a medida vai além de uma questão orçamentária e pode ampliar a capacidade do Estado de atender a população.

Fachin destacou o aumento da demanda judicial e a necessidade de investimentos em tecnologia, segurança e estrutura. Segundo ele, a previsibilidade de recursos permitirá planejamento de longo prazo, modernização, interiorização dos serviços e redução do tempo de resposta dos processos.

O ministro também ressaltou o papel do Ministério Público e da Defensoria Pública no equilíbrio institucional e destacou a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que preside. Segundo Fachin, 45 milhões de causas foram solucionadas pelo Judiciário no último ano.

“Momentos de adversidade exigem mais do que discurso”, disse. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Crise do Banco Master envolve ministros do STF

A fala de Lula ocorre em meio ao conflito entre ministros do STF após a divulgação de informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Um relatório da Polícia Federal reúne mensagens atribuídas a diferentes autoridades, incluindo conteúdo que teria como destinatário Alexandre de Moraes.

Moraes contesta a atribuição das mensagens e questionou a condução da investigação pelo ministro André Mendonça. Fachin determinou que o pedido para investigar Mendonça fosse analisado separadamente e solicitou informações aos envolvidos.

A PGR também questionou a forma como a investigação foi aberta. Paulo Gonet opinou no sentido da nulidade da determinação de Mendonça para que a PF investigasse pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria polícia.

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Conflito entre Moraes e Mendonça ocorre em um momento de crescente pressão sobre o Supremo. Foto: STF

Fundos ampliam recursos para instituições

As novas leis criam o Fundo Especial da Justiça Federal (FEJUFE), o Fundo Especial do STJ (FESTJ), o Fundo de Fortalecimento do Acesso à Justiça e Estruturação da DPU (FDPU) e o Fundo de Modernização do MPU (FMPU).

Os recursos poderão financiar infraestrutura, equipamentos, softwares e capacitação. A DPU também poderá utilizar os recursos em ações voltadas a grupos vulneráveis, enquanto o MPU poderá destiná-los à atuação institucional, atendimento à sociedade e às vítimas.

A legislação ainda atualiza as custas judiciais federais. A cobrança passa de 1% para entre 2% e 3% do valor da causa, com mínimo de R$ 193,20 e máximo de R$ 107.332,80. Pessoas com renda de até R$ 5 mil mensais terão presunção de hipossuficiência para acesso à gratuidade, sem impedir a análise individual de cada caso.

Lula também vetou dispositivos relacionados a algumas fontes de receita dos fundos, incluindo doações e contribuições de entidades públicas e privadas para o FEJUFE. A justificativa apresentada foi preservar a independência e a imparcialidade do Judiciário.

Texto: Ana Beatriz Garcia

Fonte: TVT News

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