O Banco Central deu prosseguimento hoje ao processo de redução da taxa de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,5 ponto percentual, para 19% ao ano. No mês passado, a redução foi de 0,25 ponto percentual.
A decisão, já esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, ocorre mesmo depois de a inflação de setembro ter ficado acima da registrada no mês anterior –0,35% contra 0,17%.
“Avaliando que a flexibilização da política monetária neste momento não compromete as conquistas obtidas no combate à inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 19% ao ano, sem viés”, diz nota do comitê divulgada logo após a reunião.
No entanto, a redução foi possível porque a trajetória da inflação para este ano e para 2006 continuam próximas da meta. Na última pesquisa feita pelo BC com analistas, a previsão era de um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE) de 5,22% neste ano. Para o ano que vem, eles esperam uma inflação de 4,6%.
O IPCA é o indicador usado pelo governo para as metas de inflação, que neste ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Embora a meta seja de 4,5%, o BC anunciou em setembro do ano passado que iria perseguir uma taxa de 5,1%. Para o ano que vem, a meta é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais.
Um dos motivos que levou o BC a adotar uma política monetária mais dura por nove meses –entre setembro do ano passado e maio deste ano– foi o temor de que a recuperação econômica provocasse reajustes nos preços por parte da indústria. Essa pressão pode ser maior se a indústria não for capaz de atender toda a demanda.
Mas esse risco foi descartado neste ano, quando a indústria passou a crescer em um ritmo um pouco menor. Além disso, o nível de uso da capacidade instalada se mantém estável.
Em agosto, a produção industrial brasileira apresentou uma queda de 1,1% em relação ao mês anterior, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a alta foi de 3,8%. No acumulado do ano, o crescimento da produção está em 4,3%. No ano passado, o aumento foi de 8,3%, o maior em 18 anos.
Já o índice dessazonalizado da utilização da capacidade instalada ficou em 82% em agosto, contra 83,5% no mesmo período do ano passado, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Na quinta-feira da próxima semana, dia 27, o Copom irá divulgar a ata da reunião ocorrida ontem e hoje.
Fonte: www.folha.com.br
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