Agência Globo
O crédito ao consumidor deve aumentar em R$ 10 bilhões em 2004 e atingir cerca de R$ 96 bilhões. A estimativa é da consultoria Partner, especializada em crédito para pessoas físicas. No dia 29 de dezembro, segundo dados do Banco Central (BC), o crédito para pessoas físicas somava R$ 85,6 bilhões. “O recorde do crédito ao consumidor foi alcançado em maio de 2002, quando o estoque chegou a R$ 91,4 bilhões. Vamos atingir e ultrapassar rapidamente essa marca durante este ano”, diz Alvaro Musa, sócio da Partner.
Para o especialista, os financiamentos serão o primeiro passo para o consumidor voltar a comprar e fazer a economia crescer. Em seguida, terão de vir mais empregos e recuperação de renda. “O aumento do crédito no último trimestre do ano não foi um movimento sazonal, mas uma tendência real de crescimento”, afirma Musa.
O aumento no volume de crédito ao consumidor começou em junho passado, junto com o movimento de redução do juro iniciado pelo BC. Desde então, o volume de crédito registrou crescimento mês a mês. Em junho de 2003 as várias modalidades de financiamento somavam R$ 82,3 bilhões. Ou seja, o aumento foi de 4,25% até o fim do ano. Na comparação com o estoque de crédito de 2002, o aumento real chega a 5,15%.
Crédito pessoal
Em 2003, a modalidade que registrou maior crescimento foi o crédito pessoal, cujo volume até 29 de dezembro alcançou R$ 30,3 bilhões, 13% a mais do que em 2002. Para Musa, a modalidade crescerá ainda mais com o incentivo governamental, que permitiu o desconto na folha de pagamento das empresas. Afinal, trata-se de um crédito barato para o tomador e seguro para o banco.
José Arthur Lemos de Assunção, vice-presidente da Acrefi, associação que reúne as financeiras, afirma que o crédito pessoal, sozinho, deve crescer cerca de 20% neste primeiro trimestre, pois o consumidor costuma buscar recursos para os gastos de início do ano, como pagamento de impostos e compra de material escolar. Para ele, o crédito tem potencial de aumentar até 25% este ano se houver redução do desemprego e aumento de renda.
Também o crédito concedido pelos cartões de crédito – o rotativo – está em alta. Dados da Partner mostram que os cartões financiaram R$ 6,4 bilhões em 2003, 28% a mais do que no ano anterior. Parte dessa alta, no entanto, é motivada pela mudança na contabilidade dos bancos. Antes, as instituições financeiras registravam esses recursos como empréstimos a pessoa jurídica – no caso, as empresas de cartão. Na prática, o aumento do setor é estimado em cerca de 13%, semelhante ao do empréstimo pessoal.
A expectativa do varejo é também que as vendas a crédito retomem o espaço perdido em 2003. A queda nos negócios financiados foi de 1,6% em 2003, mas cresceu 6,6% no último trimestre do ano. Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo, estima que os negócios a prazo crescerão, em média, entre 6% e 7% este ano. Se o juro cair mais, a alta poder ser ainda maior.
“A venda à vista depende do aumento do salário e de mais empregos, o que ainda não começou a ocorrer”, diz Alfieri. Na avaliação do economista, as vendas financiadas devem passar a responder por cerca de 70% dos negócios das grandes redes de varejo, contra um percentual em torno de 50% no ano passado. Ele lembra que o consumidor retomou a confiança no final do ano passado, mas mostrou durante todo o ano preocupação em assumir novas dívidas.
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