Crise financeira e pré-sal
A confirmação do volume de reserva de pré-sal estimado pela Petrobras pode representar a maior descoberta de petróleo nos últimos 30 anos, colocando o Brasil como um dos principais países em termos de reservas provadas do mundo. O economista e assessor da Federação Única dos Petroleiros, Henrique Jäger, aponta os investimentos que serão feitos para a exploração do pré-sal, bem como a receita que poderá ser gerada, levando em consideração a queda do valor do barril. Fora isso, prevê os possíveis impactos do pré-sal sobre a crise financeira.
Ibase – Quais as dimensões da reserva de pré-sal?
Henrique Jäger – Estudos geológicos preliminares apontam para a existência de 80 a 200 bilhões de Barris de Óleo ou Equivalentes (BOEs). Se confirmado, representa a maior descoberta de petróleo nos últimos 30 anos e coloca o Brasil como um dos principais países em termos de reservas provadas do mundo. Até o momento, a Petrobras já confirmou oito descobertas em seis blocos, sendo que em apenas um bloco (BMS 11), onde estão localizados os campos de Tupi e Iara, a empresa anunciou que encontrou um volume recuperável que pode variar de 8 a 12 bilhões de BOEs.
Ibase – Haverá um investimento considerável, não?
Henrique Jäger – Os números do pré-sal são impressionantes, as estimativas de investimentos necessários realizadas pelo banco UBS somam US$ 600 bilhões e as reservas estimadas, quando monetizadas pela cotação atual do petróleo, podem variar de US$ 3,6 trilhões a US$ 9 trilhões. Há que se destacar que a estimativa de investimentos necessários parte de um importante pressuposto: manutenção do atual modelo de produção, que implica em um gasto médio de US$ 5 bilhões por modulo de produção. De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, um dos grandes desafios da empresa é rever este padrão.
Ibase – O que está sendo feito no sentido de revisão?
Henrique Jäger – A Petrobras vem desenvolvendo estudos para rever esses valores com o intuito de baixar os custos. Além da estratégia de redução dos custos, altos executivos da empresa indicam que os investimentos serão reorientados na revisão do planejamento estratégico ora em andamento, privilegiando a exploração, desenvolvimento e produção de petróleo em detrimento da expansão do parque de refino. É importante ressaltar, também, que a necessidade de alocação dos recursos estará distribuída ao longo do tempo, com pico estimado para o ano de 2016.
Ibase – Os cálculos de ganho da Petrobras estão levando em consideração a queda do valor do barril de petróleo?
Henrique Jäger – Os estudos internos da Petrobras atestam a viabilidade financeira da produção do petróleo descoberto no pré-sal com o barril de US$ 40 a US$ 45. Assim como não há fundamento que justifique o preço do barril a US$ 145, a não ser a ação dos especuladores, analistas internacionais apontam a faixa de US$ 45 a US$ 60 como um novo patamar para a indústria, não vendo fundamento para que o preço do barril caia e permaneça abaixo dos US$ 40.
Ibase – Voltando ao investimento necessário, a Petrobras não arcaria sozinha, não é?
Henrique Jäger – A Petrobras não tem que arcar sozinha com estes pesados investimentos, uma vez que conta com parcerias de outras empresas na maioria dos blocos onde descobriu petróleo na região do pré-sal. Além disso, há a sinalização do governo brasileiro de que pretende rever o marco regulatório do setor de hidrocarbonetos no país de modo a garantir ao Estado uma maior participação no resultado obtido e um maior controle sobre este estratégico recurso natural. Ao que tudo indica, o governo pretende, também, capitalizar a Petrobras neste processo e aumentar sua capacidade de ação.
Ibase – O pré-sal seria capaz de reduzir os impactos da crise financeira?
Henrique Jäger – A energia produzida a partir dos hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) responde por mais de 50% da matriz energética mundial; no Brasil esta situação não é muito diferente. Para além desta questão, os hidrocarbonetos são utilizados como matéria-prima básica para a produção de milhares de produtos incorporados ao dia-a-dia das pessoas. Esta realidade, aliada ao fato dos hidrocarbonetos serem um recurso natural não-renovável, apontam para a manutenção do protagonismo da indústria mundial do petróleo (IMI) na economia mundial nas próximas décadas, principalmente para as companhias petrolíferas detentoras das reservas existentes. Neste sentido, as descobertas recentes da Petrobras colocam a empresa em uma situação privilegiada, com um alto potencial de geração de resultados tanto no curto como no médio prazo.
Fora isso, há que se destacar que a crise de liquidez que caracteriza o sistema financeiro mundial tende a atenuar-se paulatinamente com os efeitos das diversas medidas que vêm sendo anunciadas pelos governantes mundo afora. Ou, em outras palavras, o sistema financeiro deverá voltar a financiar as empresas no curto/médio prazos, principalmente aquelas empresas com alta capacidade de geração de resultados, como é o caso da Petrobras, com a exploração do pré-sal.
Por Flávia Mattar.
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Pré-sal só levará ao desenvolvimento se impulsionar distribuição de renda
O debate que vem se dando na imprensa sobre o volume das reservas petrolíferas brasileiras depositadas nas camadas oceânicas do chamado pré-sal destaca três aspectos que convém comentar:
1) o próprio nível muito elevado dessas reservas (entre 5 e 8 vezes maiores que as reservas pré-existentes).
2) o modelo de exploração a ser concedido e/ou contratado entre a União, a Petrobras e suas parceiras.
3) o destino da renda advinda da exploração das novas reservas.
Agora está se colocando um novo argumento, que certamente condicionaria os demais, no caso o ritmo de exploração desses recursos naturais, que, por maiores que sejam suas reservas, são de estoques finitos e não renováveis.
É bem verdade que alguns economistas do mercado financeiro têm tentado, sem muito sucesso, colocar o argumento da magnitude da poupança previamente necessária à exploração como argumento importante a justificar maiores concessões ao grande capital privado estrangeiro. Os fatos, contudo, corroboram em favor dos trunfos estratégicos nacionais – propriedade pública dos recursos naturais, pleno domínio da tecnologia de exploração pela Petrobras e uma situação de preços de petróleo tão favorável que praticamente torna a empresa altamente procurada para novas parcerias financeiras.
A questão crucial do pré-sal, como foi o “Petróleo é nosso” nos anos 50 do século passado, é a do aproveitamento da oportunidade para desenvolver o país e não apenas relançar o velho subdesenvolvimento. Neste sentido, a questão da destinação dos recursos para um fundo de financiamento a demandas múltiplas está posta.
Mas se, por um lado, o debate do pré-sal tem a virtude de nos conduzir a uma perspectiva de futuro, por outro parece nos induzir a soluções mágicas, onde dinheiro sobrando em mãos de grandes empresas monopolistas e do próprio Estado seria garantia de desenvolvimento. Aqui é que está o risco do encantamento.
É preciso conectar de alguma maneira a exploração sustentável das novas reservas com alguns mecanismos institucionais de distribuição da renda e da riqueza, que sejam virtuosos no sentido de impulsionar novas forças produtivas. A microempresa, o setor informal, a economia familiar, os assentamentos agrários etc são verdadeiros viveiros de capacidade econômica, abafadas pela desigualdade social e econômica vigentes.
Esses setores precisariam receber mais atenção na discussão do desenvolvimento. A política social de Estado – com destaque à educação e à seguridade social – seria outro campo de destinações relevantes.
A mecânica das destinações é ultra-necessária, ainda mais quando se arquiteta no presente uma reforma tributária que reduz recursos aos direitos sociais; mas isso não nos exime de esforço contínuo por redesenhar políticas de fomento econômico com perfil distributivo.
Por Guilherme Costa Delgado, que é economista do Ipea e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.
Fonte: www.presal.org.br
NOTÍCIA E ARTIGO COLHIDOS NO SÍTIO www.ibase.br.
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Petroleiros aprovam greve para barrar a 10ª Rodada
Os trabalhadores do Sistema Petrobrás aprovaram o indicativo da FUP de paralisações na terça-feira (16) para pressionar o governo a suspender a 10ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás natural, prevista para ocorrer nos dias 18 e 19. A greve terá início na troca de turno do dia 15 para o dia 16 nas bases de Pernambuco/Paraíba, Amazonas, Paraná/Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte e do Unificado de São Paulo.
No Norte Fluminense, o Sindipetro indicou a paralisação das Permissões de Trabalho e dos serviços de rotina nas plataformas e no Terminal de Cabiúnas, ao longo de todo o dia 16. No Espírito Santo, Ceará e Duque de Caxias, os sindicatos farão atrasos e mobilizações, somando-se à categoria na luta para barrar a 10ª Rodada.
Ataque à soberania
A 10ª Rodada da Agência Nacional de Petróleo (ANP) tentará licitar 130 blocos terrestres para exploração e produção de petróleo e gás, o que representa cerca de 70 mil quilômetros quadrados de reservas brasileiras. A Agência credenciou 47 empresas para participarem do leilão. O Brasil explora hoje em terra em torno de 11% do petróleo produzido no país e quase 35% do gás natural. Nas rodadas de licitações anteriores, foram leiloados 711 blocos exploratórios.
Abaixo assinado
Pelo menos 40% das reservas do pré-sal localizadas nas áreas que já foram licitadas pela ANP pertencem às empresas privadas. Daí a urgência de uma nova legislação para o setor que se contraponha a atual Lei 9.478/97. Por isso, a FUP convoca a categoria a intensificar a luta pelo projeto de lei de iniciativa popular que garanta o controle estatal e social sobre as reservas brasileiras de petróleo e gás. No dia 18, faremos uma grande mobilização nacional de divulgação do abaixo assinado, massificando a campanha em todo o país. Precisamos coletar pelo menos 1,3 milhão de assinaturas para apresentar o projeto de lei de iniciativa popular ao Congresso Nacional.
Ato público no Rio de Janeiro
No dia 16, durante a greve dos petroleiros, a FUP fará uma grande manifestação no Rio de Janeiro, na Candelária, com participação da CUT, MST, UNE e vários movimentos sociais, além da Frente Nacional Petroleira. O ato conjunto contra a 10ª Rodada e em defesa da soberania nacional reafirmará para a sociedade a urgência de uma nova lei para o setor petróleo.
A FUP pretende reunir centenas de manifestantes na Candelária, a exemplo dos atos realizados anteriormente pela categoria petroleira. Os sindicatos que ficam próximos ao Rio de Janeiro enviarão caravanas de trabalhadores e militantes para participarem do ato, cuja concentração terá início às 9 horas.
Por Imprensa da FUP.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.presal.org.br.