(São Paulo) A ocupação do Congresso Nacional preparada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para esta quarta-feira, 19 de outubro, pretende expor claramente aos parlamentares e à sociedade brasileira uma pauta que contribui com o fortalecimento da justiça social, afirmou ao Portal do Mundo do Trabalho o presidente nacional da CUT, João Antonio Felício.
“A agenda dos trabalhadores é a do desenvolvimento, com mais salário, emprego e direitos. Entre outros pontos importantes necessários para avançar na melhoria das condições de vida e de trabalho, precisamos garantir a valorização crescente do salário mínimo, bem como investimentos nas áreas sociais e em um serviço público de qualidade. Para isso, os recursos precisam estar alocados no Orçamento de 2006”, sublinhou.
A presença de cerca de duzentas lideranças das mais variadas categorias profissionais de todo o país, avalia o líder cutista, reforçará as reivindicações da classe trabalhadora nesse momento de definições. ”A idéia de ocuparmos o Congresso foi apresentada pela primeira vez pelos companheiros da CUT-RS, em uma plenária da qual participei. O objetivo é que os parlamentares retomem uma agenda de debates para além das CPIs”, acrescentou.
Qual é a agenda dos trabalhadores para o dia 19?
João Felício. A agenda dos trabalhadores é a do desenvolvimento, com mais salário, emprego e direitos. Acreditamos que para avançar na melhoria das condições de vida e de trabalho, antes de tudo, precisamos garantir uma política de valorização crescente do salário mínimo, pois é o principal elemento de distribuição de renda no país. Para concretizarmos esses e outros avanços, com investimentos nas áreas sociais e em um serviço público de qualidade, é preciso garantir que os recursos sejam alocados no Orçamento de 2006. Por isso preparamos para a próxima quarta-feira uma ocupação pacífica do Congresso Nacional com as nossas mais representativas lideranças.
Pela sua importância, o salário mínimo acaba sendo o carro chefe.
João Felício. Exato. Mas lembramos que a valorização do salário mínimo e do próprio funcionalismo público, para ser assegurada, coloca em xeque pontos que consideramos equivocados da política econômica, como os juros altos e o elevado superávit primário. Portanto, é algo que nos remete a uma discussão mais ampla e profunda sobre o tipo de modelo de desenvolvimento que queremos, no apoio à produção contra a especulação, ao nacional contra o estrangeiro. Para garantir uma recuperação mais rápida e eficiente do poder de compra do mínimo, a CUT defende a implantação de um imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas. Também reivindicamos a atualização da tabela do Imposto de Renda, cuja defasagem acaba onerando os salários mais baixos, e o estabelecimento de metas de emprego, para não sermos apenas guiados por metas de inflação que muitas vezes alavancam os juros, comprimem o consumo e minam o crescimento do mercado interno.
E a questão da redução da jornada sem redução de salário?
João Felício. A redução da jornada de trabalho é uma luta histórica que acompanha o próprio processo de desenvolvimento da classe trabalhadora e, no caso brasileiro, da CUT, especialmente. Temos estudos que demonstram que se reduzirmos a jornada, sem diminuição de salários, poderemos criar até 2,4 milhões de empregos. Ou seja, além de aumentarmos o convívio do trabalhador com a família, ampliando seu tempo para o lazer e a cultura, estamos solidariamente contribuindo com a criação de novos postos de trabalho. Paralelamente a isso estamos com um projeto que limita as horas extras, pondo um freio ao abuso desse dispositivo por algumas empresas, que acaba sendo um sério limitante para novas contratações. Nossa idéia é colocar a luta por emprego e salários em evidência, como demonstraram as recentes manifestações lideradas pela CUT nos bancários, professores e metalúrgicos.
Será como uma ante-sala à Marcha Nacional em novembro?
João Felício. Acreditamos que pode desencadear um movimento poderoso, articulado nacionalmente, incorporando inclusive outras centrais, unificando o conjunto do movimento sindical brasileiro em torno de um projeto de desenvolvimento sustentável, soberano. Os trabalhadores querem, a sociedade brasileira deseja, um círculo virtuoso de crescimento econômico e social para o país. Esta é a nossa luta.
Fonte: Leonardo Severo – CUT.
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