O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator do projeto de lei (PL 6826/10), do Executivo, que estabelece punições administrativas e civis contra empresas corruptoras, avaliou que as medidas adotadas por outros países , nesse sentido, demonstram a necessidade de aprovação de uma legislação especifica no Brasil. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (9), em audiência pública realizada pela comissão especial constituída para emitir parecer sobre esse tema.
“A audiência foi muito promissora. Mostrou como a legislação de outros países trata a figura da empresa que corrompe. Vimos também que em vários países do mundo essa legislação tem avançado. A Inglaterra, por exemplo, está punindo corrupção entre empresas, não só corrupção de empresa com o setor público. Isso demonstra que temos que acelerar a aprovação da nossa legislação”, defendeu Zarattini.
O relator lembrou ainda que a aprovação da proposta vai dar mais autonomia ao país. “Empresas brasileiras vêm sendo punidas em outros países por prática irregular e a inexistência de uma legislação impede atuação mais incisiva do Brasil”, explicou o petista.
A diretora de Prevenção da Corrupção da Controladoria Geral da União (CGU), Vânia Vieira, disse que o Brasil necessita de legislação que penalize as empresas jurídicas pela prática de corrupção. Segundo ela, empresas brasileiras com atividade no exterior estão submetidas a legislação específica desses países e “já estão familiarizados com as normas anticorrupção e de responsabilização da pessoa jurídica”.
Para o representante da Machado Meyer Advogados, Leonardo Machado, “a ausência de lei de combate a corrupção empresarial demonstra a nossa fragilidade. Temos que criar a nossa própria legislação. O projeto em tramitação nesta Casa corta o mal pela raiz e vai contribuir com o futuro do país”, enfatizou.
Por Benildes Rodrigues.
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Ministério Público e receitas estaduais fazem operação surpresa de combate à sonegação
Operação conjunta do MP com as receitas estaduais constata sonegação fiscal de R$ 1,5 bilhão
Da Agência Brasil
Rio de Janeiro – O Ministério Público (MP) iniciou hoje (9) uma operação conjunta de combate à sonegação fiscal. A operação surpresa atingiu 22 estados e o Distrito Federal e, pela primeira vez, contou com a participação das receitas estaduais, vinculadas às secretarias da Fazenda.
Foram oferecidas 473 denúncias envolvendo 775 pessoas ligadas a 480 empresas de diferentes ramos de atividades. O MP pede a devolução aos cofres públicos de R$ 1,532 bilhão de recursos sonegados. Também foram feitas fiscalizações em cerca de dez mil estabelecimentos comerciais em todo o país.
O Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, presidido pelo procurador-geral de Justiça da Paraíba, Oswaldo Trigueiro, comandou a operação. Segundo ele, o Ministério Público avalia que existam cerca de R$ 16,4 bilhões em representações fiscais nas secretarias de Receita dos estados, sob suspeita de sonegação.
“Esses recursos deveriam ser revertidos em proveito da sociedade, nas áreas de saúde, educação e segurança, mas são indevidamente desviados em proveito particular. Ações como essa buscam a unidade institucional dos MPs e promovem o envolvimento dos demais setores públicos de forma cooperativa”, disse.
Trigueiro disse, ainda, que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) é o principal alvo de sonegação nos estados e destacou que o trabalho em conjunto foi de extrema importância para chegar aos sonegadores fiscais. “Eu diria que foi um trabalho positivo. Os ministérios públicos estaduais começam a se articular. Esse sistema de cooperação com as receitas estaduais e federal é importante”.
Ele destacou que o valor da sonegação pode ser ainda maior, onde as secretarias estaduais de Fazenda encaminharam aos MP dos estados informações sobre crimes de sonegação fiscal que ainda não foram alvo de denúncias, onde o sistema de representações fiscais pode ultrapassar R$ 16 bilhões nesses estados.
O procurador disse ainda que a maior parte das empresas acusadas de sonegação nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, são ligadas à distribuição de combustíveis. Nesses dois estados, 218 pessoas foram denunciadas. Segundo ele, “outros setores também estão sendo investigados, como shoppings, lojas, entre outras áreas ligadas ao comércio em geral”.
Edição: Aécio Amado.
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