O mundo precisa se preocupar com a regulação do sistema financeiro. O Brasil, que saiu bem da crise econômica mundial, pode ser o precursor deste processo de regulação para evitar que novas crises abalem as principais economias do mundo.
A afirmação é do deputado Vignatti (PT-SC), presidente da Comissão de Finanças e Tributação, durante o Seminário Desdobramentos da Crise Financeira Global realizado na Câmara nesta terça-feira (17). O evento contou com a participação de economistas nacionais e internacionais.
“Nos últimos 10 anos tivemos mais de 100 crises nos sistemas bancários de todo o mundo. Precisamos de uma regulação para acabar com essa vulnerabilidade”, defendeu Vignatti. Com a adoção de métodos mais rígidos para o funcionamento das instituições financeiras no mundo, o parlamentar aposta no fim da especulação que, segundo o petista, foi a responsável pela última crise que ainda prejudica as principais economias do mundo. “Não podemos focar somente nas especulações monetárias.
Credibilidade – Vignatti avaliou que os efeitos da crise no Brasil já foram totalmente superados. Segundo o petista, isso se deu exatamente em função do controle do Banco Central sobre as mais de duas mil instituições financeiras que operam no País. “A crise passou no Brasil. Começamos a viver um outro momento, onde já é possível apostar no mercado futuro sem riscos. A ausência de investimentos públicos em vários países fez com que a crise se alastrasse muito mais, mas o Brasil conseguiu ter boas receitas e isso potencializou o mercado interno”, afirmou.
A retomada na geração de empregos no País, exemplificou o parlamentar, não deixou dúvidas de que todas as medidas adotadas pelo governo Lula para evitar a contaminação da economia brasileira pela crise financeira global surtiram efeito. “Os índices de geração de emprego no Brasil são extraordinários. É preciso destacar que isso ocorre em um momento em que o mundo inteiro ainda tem gerado desemprego. Os EUA e a Europa, exceto a Alemanha, continuam com altos índices de desemprego. No Brasil, em menos de 10 meses, já ultrapassamos a casa de 1 milhão de empregos”, afirmou.
Entre as medidas adotadas pelo governo Lula para combater a crise, Vignatti destacou a redução da carga tributária para o setor automotivo e linha branca, os programas de habitação, o aumento dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a ampliação da oferta de crédito para os micro e pequenos empresários.
EUA – O vice-presidente do Banco Central norte-americano de Atlanta, John Robertson, que também participou do seminário, explicou que o país desencadeou a crise por falta de liquidez no sistema financeiro. Além disto, várias instituições que atuavam como bancos não eram supervisionadas e não houve um controle efetivo sobre as operações com títulos derivados do mercado imobiliário. No Brasil, todas as operações com derivativos são registradas e são restritas ao sistema financeiro. E os bancos têm de obedecer limites rígidos para o total de empréstimos em relação ao seu capital.
Edmilson Freitas.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.