Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A desaceleração da economia no terceiro trimestre é passageira e no quarto trimestre a situação será outra, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) anunciado hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo os dados, a economia não apresentou crescimento no terceiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior.
“A economia no quarto trimestre já estará acelerando porque uma parte das medidas que tomamos [para equilibrar a economia doméstica em um cenário de crise internacional] já está sendo revertida. Estamos reativando a economia. Principalmente, as medidas monetárias. As taxas de juros caíram pelo terceiro mês consecutivo e reduzimos o Imposto sobre Operações Financeiras [IOF] para o crédito”, disse.
O ministro destacou que as medidas anunciadas na semana passada, como os estímulos ao consumo, indicam que o governo voltou a reativar a economia depois de ter provocado a redução do crescimento. Para ele, a economia chegou a um patamar desejável e com a inflação sob controle.
Mantega destacou ainda que a desaceleração da economia ocorrida no terceiro trimestre se deve à crise internacional, que trouxe prejuízos principalmente ao setor industrial, e ao conjunto de medidas adotadas pelo governo brasileiro a partir do ano passado para enfrentar as turbulências econômicas.
Segundo ele, com os problemas externos, a indústria nacional foi obrigada a disputar de forma mais acirrada os mercados concorrentes. Já o governo precisou adotar medidas para equilibrar a economia, que vinha crescendo acima da expectativa. Por isso, houve a redução do consumo, com o encarecimento do crédito e uma certa demora na redução nas taxas de juros, destacou Mantega. Além dessas medidas, o governo fez um ajuste nos gastos públicos com cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento.
O ministro lembrou que essas medidas só têm reflexos meses depois de adotadas. “Principalmente, as taxas de juros, que tiveram reflexos no terceiro trimestre. Mas houve uma combinação de fatores. Quero ressaltar que a desaceleração não afetou o emprego e a massa salarial”, acrescentou.
Edição: Juliana Andrade
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PIB tem variação nula (0,0%) em relação ao segundo trimestre e chega a R$ 1,05 trilhão

Em relação ao segundo trimestre de 2011, o PIB (Produto Interno Bruto) a preços de mercado do terceiro trimestre apresentou variação nula (0,0%), levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. O destaque foi para agropecuária, com aumento de 3,2% no volume do valor adicionado. Indústria e serviços tiveram variações negativas de -0,9% e -0,3%, respectivamente.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o PIB cresceu 2,1% e, dentre as atividades econômicas, destacou-se o aumento da agropecuária (6,9%), seguida por serviços (2,0%) e indústria (1,0%).
No acumulado nos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2011 (12 meses), o crescimento foi de 3,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No acumulado em 2011 até setembro, o PIB apresentou uma expansão de 3,2%. O PIB em valores correntes alcançou 1,05 trilhão.
Na divulgação do terceiro trimestre de cada ano é realizada uma revisão mais abrangente que incorpora os novos pesos das Contas Nacionais Anuais de dois anos antes. As alterações realizadas são apresentadas na divulgação e as notas metodológicas explicativas dos aperfeiçoamentos na metodologia são disponibilizadas com antecedência no site do IBGE. Mais detalhes na publicação completa:
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/defaultcnt.shtm.

Em relação ao 2º tri de 2011, somente agropecuária teve crescimento
O PIB registrou variação nula em relação ao trimestre anterior. Destaque para a agropecuária, que cresceu 3,2%, enquanto que indústria e serviços tiveram variação negativa.
A queda da indústria (-0,9%) foi puxada pela “Indústria de transformação”, cujo índice de volume do valor adicionado reduziu-se em 1,4%. As demais atividades industriais registraram variações positivas em relação ao trimestre imediatamente anterior: “Extrativa mineral” (0,9%), “Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana” (0,8%) e “Construção civil” (0,2%).
Dentre os serviços (variação de -0,3%), as variações negativas em volume se deram no “Comércio” (-1,0%), “Outros serviços” (-0,5%) e “Serviços de informação” (-0,3%). “Atividades imobiliárias e aluguel” (0,4%), “Transporte, armazenagem e correio” (0,2%) e “Administração, saúde e educação pública” (0,1%) registraram variações positivas em relação ao segundo trimestre. Já a “Intermediação financeira e seguros” teve crescimento de 1,7%.
Pela ótica do gasto, todos os componentes da demanda interna apresentaram variações negativas no terceiro trimestre deste ano: despesa de consumo da administração pública (-0,7%), formação bruta de capital fixo (-0,2%) e despesa de consumo das famílias (-0,1%). A contribuição positiva ao desempenho do PIB foi dada pelo setor externo, que registrou crescimento das exportações (1,8%) e redução das importações de bens e serviços (-0,4%).
Em relação ao mesmo trimestre de 2010, agropecuária é destaque
O PIB cresceu 2,1% no terceiro trimestre de 2011 em relação a igual período de 2010, sendo que o Valor Adicionado a Preços Básicos aumentou 2,0%, e os impostos sobre produtos líquidos de subsídios cresceram 3,0%.
Dentre as atividades que contribuem para a geração do valor adicionado, o destaque foi a agropecuária, que neste trimestre cresceu 6,9% em relação a igual período do ano anterior. Essa taxa pode ser explicada pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no terceiro trimestre e apresentaram crescimento da produtividade, como é o caso da mandioca (estimativa de crescimento de produção em 2011 de 7,3%), feijão (6,1%) e laranja (3,1%).
A indústria, que nesta base de comparação vem apresentando trajetória de desaceleração desde o segundo trimestre de 2010, cresceu 1,0%. Nos dois primeiros trimestres de 2011, o crescimento havia sido de 3,8% e 2,1%, na ordem. Dentre as atividades industriais, as maiores expansões ocorreram em “Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana” (4,0%) e na “Construção civil” (3,8%). O desempenho da ”Construção civil” no trimestre é corroborado pelo aumento da população ocupada no setor e pelo desempenho do crédito direcionado. O volume do valor adicionado da “Extrativa mineral” teve aumento de 2,7%, puxado pela elevação da extração de minério de ferro. A “Indústria de transformação”, por sua vez, registrou queda de -0,6%, resultado influenciado, principalmente, pela redução da produção de automóveis, têxteis, artigos do vestuário, calçados e produtos químicos em geral, com destaque para os farmacêuticos.
O valor adicionado de serviços cresceu 2,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Todas as atividades que o compõem registraram variações positivas, com destaque para os “Serviços de informação”, que cresceram 4,4%, e a “Intermediação financeira e seguros”, onde a expansão foi de 3,0%. “Transporte, armazenagem e correio” e “Administração, saúde e educação pública” apresentaram crescimento de 2,1% e 2,0%, respectivamente. No “Comércio” (atacadista e varejista) a expansão foi de 1,7%. A atividade “Outros serviços” cresceu 1,5%. Por fim, “Serviços imobiliários e aluguel” cresceram 1,4%.
Pelo lado da demanda interna, a despesa de consumo das famílias apresentou crescimento de 2,8%, sendo a trigésima segunda variação positiva consecutiva nessa base de comparação. Um dos fatores que contribuíram para este resultado foi o comportamento da massa salarial real, que teve elevação de 2,6% no terceiro trimestre de 2011 segundo Pesquisa Mensal de Emprego. Além disso, houve um aumento, em termos nominais, do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas de 18,3% no terceiro trimestre de 2011 de acordo com o Banco Central. A despesa de consumo da administração pública cresceu 1,2% na comparação com o mesmo período de 2010.
A formação bruta de capital fixo (FBCF ou investimento planejado), por sua vez, registrou expansão de 2,5% em relação a igual período do ano anterior. Dentre os fatores que contribuem para explicar este crescimento, destacam-se o desempenho da construção civil e a expansão da produção interna de máquinas e equipamentos.
Pelo lado da demanda externa, as exportações e as importações de bens e serviços apresentaram crescimento nesta comparação, de 4,1% e 5,8%, respectivamente. A valorização cambial ajuda a explicar o maior crescimento relativo das importações. Os produtos da pauta de importação que mais contribuíram para esse resultado foram “veículos”; “equipamentos eletrônicos”; “material elétrico”; “têxteis, vestuário e calçados”; “extrativa mineral”; “plásticos”; e “químicos”.
Em 12 meses, PIB cresce 3,7%
O PIB a preços de mercado acumulado nos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2011 cresceu 3,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, resultado da elevação de 3,3% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 6,1% nos impostos sobre produtos. Dentre as atividades econômicas, os serviços cresceram 3,6%, a indústria, 2,9% e a agropecuária, 2,7%.
PIB cresce 3,2 % no acumulado em 2011 até setembro
O PIB a preços de mercado no acumulado em 2011 apresentou crescimento de 3,2%, em relação a igual período de 2010. Nesta base de comparação, o volume do valor adicionado dos serviços cresceu 3,2%, seguido pela agropecuária (2,8%) e pela indústria (2,3%).
No trimestre taxa de investimento alcança 20,0% do PIB
A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2011 foi de 20,0% do PIB, inferior à taxa referente a igual período do ano anterior (20,5%). A taxa de poupança alcançou 18,8% no terceiro trimestre de 2011, ante 19,6% no mesmo trimestre de 2010.
No resultado do terceiro trimestre de 2011, a necessidade de financiamento alcançou R$ 19,7 bilhões contra R$ 24,9 bilhões no mesmo período do ano anterior. A renda nacional bruta atingiu R$ 1.028,7 bilhões contra R$ 949,0 bilhões em igual período do ano anterior; e, nessa mesma comparação, a poupança bruta atingiu R$ 196,9 bilhões, contra R$ 188,9 bilhões em 2010.
Comunicação Social
06 de dezembro de 2011
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ibge.gov.br