O Globo – Cássia Almeida
O aquecimento da atividade econômica ainda não chegou ao emprego. Pelo contrário, o IBGE informou ontem que a taxa de desemprego de fevereiro foi de 12%, mais alta que a captada em janeiro, de 11,7%.
E o rendimento médio real do trabalhador caiu 5,7% frente a fevereiro de 2003, num comportamento que vem se repetindo há um ano. O aumento da taxa de desocupação, segundo o IBGE, reflete ainda as dispensas dos empregos temporários que foram abertos no fim do ano, para as vendas do Natal.
Com essa alta, o número de desempregados subiu para 2,5 milhões, com o inclusão de 80 mil pessoas no universo dos sem trabalho no país.
— É difícil crescer o emprego com esse cenário desfavorável para o investidor, porque as taxas de juros ainda estão muito elevadas — disse Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
Ele afirmou que o mercado de trabalho ficou parado em fevereiro, apesar da alta na desocupação.
Segundo o técnico, manteve-se a característica do ano passado de crescimento do emprego em cima do trabalho precário, ou seja, sem carteira assinada ou por conta própria.
Somando a participação desses dois grupos ao do serviço doméstico (altamente informal), 43,8% dos trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do país têm empregos de má qualidade:
— Mais uma vez o número de trabalhadores com carteira apresentou saldo negativo em relação a 2003 — disse Azeredo.
Inflação menor faz salário perder menos
O gerente da pesquisa chamou a atenção para a queda do rendimento de 5,7%, dizendo que a perda do poder aquisitivo vem diminuindo. Em 2003, a queda foi de 12,9%:
— Essa desaceleração se deveu à inflação menor no período.
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Lauro Ramos, especialista em mercado de trabalho, lembra que a subocupação, tanto por poucas horas trabalhadas quanto por remuneração inferior a um salário-mínimo/hora, caiu em fevereiro.
Esse fator também ajudou a reduzir a queda no rendimento médio.
Para o economista, o mercado de trabalho não se mexeu em fevereiro. Comportamento que ele considera natural, já que os primeiros meses do ano não são muito fortes para a abertura de vagas:
— E ainda é cedo para ver efeitos do aquecimento econômico no emprego, que demora mais a reagir. Mas acredito que, em 2004, teremos uma taxa de desemprego menor que a do ano passado.
Segundo relatório da Consultoria Global Invest, o emprego só deve reagir no segundo semestre, diante da capacidade ociosa ainda verificada na indústria.
Mesmo reconhecendo os fatores sazonais que fazem subir a taxa no início do ano, o relatório chama a atenção para a estagnação no número de pessoas ocupadas.
“O resultado torna-se negativo ao verificar que houve manutenção no número de pessoas ocupadas, revelando que os setores cuja contratação depende mais do nível de atividade do que de movimentos temporários não empregaram.”
Indústria, serviços de educação, saúde, seguridade social e administração pública foram os setores que demitiram pessoal em fevereiro.
Só a indústria, que responde por 17,5% do emprego, cortou 1,4% das vagas frente a janeiro. E o setor de serviços públicos, com uma participação de 15,5%, fechou 1,2% dos postos de trabalho.
Desemprego entre mulheres aumentou
Alguma reação veio da construção civil e dos serviços domésticos. Azeredo atribuiu o crescimento desse último grupo à queda do rendimento, que empurra as mulheres para o mercado de trabalho.
E elas são as que mais estão sofrendo com a crise do emprego. A taxa de desocupação subiu de 14,3% em janeiro para 15,3% em fevereiro.
Adriana Rangel, de 25 anos, mãe de duas meninas, engrossa o exército de 1,4 milhão de desempregadas. Desde janeiro, a auxiliar de enfermagem tenta conseguir um trabalho com carteira assinada:
— Já deixei currículo no Rio de Janeiro inteiro. Espero conseguir uma vaga de vendedora. Não é a minha área, mas tem carteira assinada — diz Adriana.
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Por Mhais• 26 de março de 2004• 11:10• Sem categoria
DESEMPREGO ALTO E RENDA EM BAIXA
O Globo – Cássia Almeida
O aquecimento da atividade econômica ainda não chegou ao emprego. Pelo contrário, o IBGE informou ontem que a taxa de desemprego de fevereiro foi de 12%, mais alta que a captada em janeiro, de 11,7%.
E o rendimento médio real do trabalhador caiu 5,7% frente a fevereiro de 2003, num comportamento que vem se repetindo há um ano. O aumento da taxa de desocupação, segundo o IBGE, reflete ainda as dispensas dos empregos temporários que foram abertos no fim do ano, para as vendas do Natal.
Com essa alta, o número de desempregados subiu para 2,5 milhões, com o inclusão de 80 mil pessoas no universo dos sem trabalho no país.
— É difícil crescer o emprego com esse cenário desfavorável para o investidor, porque as taxas de juros ainda estão muito elevadas — disse Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
Ele afirmou que o mercado de trabalho ficou parado em fevereiro, apesar da alta na desocupação.
Segundo o técnico, manteve-se a característica do ano passado de crescimento do emprego em cima do trabalho precário, ou seja, sem carteira assinada ou por conta própria.
Somando a participação desses dois grupos ao do serviço doméstico (altamente informal), 43,8% dos trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do país têm empregos de má qualidade:
— Mais uma vez o número de trabalhadores com carteira apresentou saldo negativo em relação a 2003 — disse Azeredo.
Inflação menor faz salário perder menos
O gerente da pesquisa chamou a atenção para a queda do rendimento de 5,7%, dizendo que a perda do poder aquisitivo vem diminuindo. Em 2003, a queda foi de 12,9%:
— Essa desaceleração se deveu à inflação menor no período.
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Lauro Ramos, especialista em mercado de trabalho, lembra que a subocupação, tanto por poucas horas trabalhadas quanto por remuneração inferior a um salário-mínimo/hora, caiu em fevereiro.
Esse fator também ajudou a reduzir a queda no rendimento médio.
Para o economista, o mercado de trabalho não se mexeu em fevereiro. Comportamento que ele considera natural, já que os primeiros meses do ano não são muito fortes para a abertura de vagas:
— E ainda é cedo para ver efeitos do aquecimento econômico no emprego, que demora mais a reagir. Mas acredito que, em 2004, teremos uma taxa de desemprego menor que a do ano passado.
Segundo relatório da Consultoria Global Invest, o emprego só deve reagir no segundo semestre, diante da capacidade ociosa ainda verificada na indústria.
Mesmo reconhecendo os fatores sazonais que fazem subir a taxa no início do ano, o relatório chama a atenção para a estagnação no número de pessoas ocupadas.
“O resultado torna-se negativo ao verificar que houve manutenção no número de pessoas ocupadas, revelando que os setores cuja contratação depende mais do nível de atividade do que de movimentos temporários não empregaram.”
Indústria, serviços de educação, saúde, seguridade social e administração pública foram os setores que demitiram pessoal em fevereiro.
Só a indústria, que responde por 17,5% do emprego, cortou 1,4% das vagas frente a janeiro. E o setor de serviços públicos, com uma participação de 15,5%, fechou 1,2% dos postos de trabalho.
Desemprego entre mulheres aumentou
Alguma reação veio da construção civil e dos serviços domésticos. Azeredo atribuiu o crescimento desse último grupo à queda do rendimento, que empurra as mulheres para o mercado de trabalho.
E elas são as que mais estão sofrendo com a crise do emprego. A taxa de desocupação subiu de 14,3% em janeiro para 15,3% em fevereiro.
Adriana Rangel, de 25 anos, mãe de duas meninas, engrossa o exército de 1,4 milhão de desempregadas. Desde janeiro, a auxiliar de enfermagem tenta conseguir um trabalho com carteira assinada:
— Já deixei currículo no Rio de Janeiro inteiro. Espero conseguir uma vaga de vendedora. Não é a minha área, mas tem carteira assinada — diz Adriana.
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