Dieese mostra que, no Brasil, negros pagam no trabalho e na educação a conta pelos preconceitos históricos
São Paulo – O 20 de novembro marca o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares e, em todo o Brasil, é comemorado o Dia da Consciência Negra. A data representa a luta do negro contra a discriminação racial e por igualdade de direitos. Serve também de reparação ao 13 de maio quando, teoricamente, a escravidão foi abolida.
Hoje, a presença dos negros em universidades e escolas cresceu, mas representa um grão de areia quando comparado ao espaço dos não-negros em um país de miscigenação racial como o Brasil. É o que evidencia um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os desafios para a população negra nos mercados de trabalho metropolitanos.
O estudo aponta que a discriminação ainda é forte e dificulta a inserção do negro no mercado de trabalho. A ascensão profissional e a remuneração também são inferiores às dos não-negros.
A pesquisa mostra ainda que no Brasil, dentro da população acima dos 10 anos, os negros possuem, em média, 5,9 anos de estudo, enquanto outras raças possuem 7,7. Dos negros de 18 a 21 anos que estudavam e trabalhavam, 17,4% cursavam o ensino superior, enquanto que para os jovens não-negros na mesma faixa etária, o número era de 50%.
Os dados refletem as desigualdades acumuladas historicamente, a falta de oportunidades e o tratamento discriminatório que a população negra recebe.
O estudo do Dieese analisou a sua escolaridade entre agosto de 2006 e julho de 2007 e retratou que a proporção da raça negra com escolaridade igual ou inferior ao ensino médio incompleto chegou próximo aos 50% ou superou este número em todas as regiões pesquisadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Em São Paulo, 60,3% não completaram o ensino médio.
As mulheres negras mantêm uma condição melhor de escolaridade em todos os estados. Mesmo assim, a situação é mais desfavorável, pois elas enfrentam as barreiras da discriminação do sexo e da cor.
Em relação ao trabalho, a taxa de desemprego dos negros é maior é na região metropolitana de Porto Alegre, 46% superior ao desemprego dos não-negros. Mesmo com melhor escolaridade, as mulheres negras apresentam maior taxa de desemprego do que os homens.
Sobre a remuneração, o Dieese aponta que os negros ganham muito menos que os não-negros em todas as regiões metropolitanas e no Distrito Federal. Na região metropolitana de Salvador, os negros recebem em média R$ 715 por mês, o que representa 52,9% da renda média dos não-negros (R$ 1.350).
A pesquisa destaca, ainda, a permanência de condutas preconceituosas diante da população negra e a acessibilidade à educação, responsáveis pelo desemprego dos negros no país.
“A pesquisa do Dieese demonstra que é grande o desafio para vencer os preconceitos e implementar políticas e ações afirmativas que visem a população negra e sua inclusão e ascensão no mercado de trabalho e em universidades, além de aumentar o debate sobre cotas para negros em universidades”, diz o diretor do Sindicato e integrante da Comissão Estadual Contra a Discriminação Racial da CUT, Juarez Aparecido da Silva.
Em alguns anos o país pode ter o que comemorar no dia 20 de novembro.
Por Gisele Coutinho – 19/11/2007.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.