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Dilma diz que mulheres estão preparadas para presidir o Brasil

Rio de Janeiro – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidato do PT à Presidência da República nas eleições deste ano, disse hoje (8) que o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente, durante evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher, na Estação da Leopoldina, no centro da capital fluminense.

“Muitas vezes me perguntam se o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente. Eu digo a vocês que não só o Brasil está preparado, mas as mulheres também estão preparadas”, disse.

O presidente Lula que discursou em seguida, também aproveitou para falar sobre a possibilidade do Brasil eleger uma mulher como presidente. Ele acredita que ainda pode haver preconceitos em relação a uma candidatura feminina.

“Preparem-se, porque o preconceito continua. O preconceito contra a mulher ainda é muito forte. Uma sociedade machista como a nossa ainda não está 100% preparada para ter uma mulher disputando o cargo de prefeito, governador ou presidente da República”, disse Lula para uma plateia formada em sua maioria por mulheres.

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil.

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Homens tomam conta de passeata pelo direito das mulheres em São Paulo

São Paulo – Foi em Copenhague, na Dinamarca, que a Internacional Comunista decidiu, durante uma reunião com 100 mulheres de 17 países, a importância de criar um dia para chamar a atenção para o cumprimento dos direitos das mulheres.

Cem anos depois, o movimento feminista ganhou adeptos do sexo masculino, hoje (8), nas ruas de São Paulo, que participaram, ao lado de mulheres, em passeata em homenagem a elas.

Há mais de 30 anos participando das passeatas e manifestações no dia 8 de março, o médico e vereador de São Paulo Jamil Murad foi ao Largo do Patriarca, no centro de São Paulo, para defender os direitos das mulheres.

“A luta pelos direitos e emancipação da mulher faz justiça não apenas para elas como para toda a sociedade, que fica melhor quando há igualdade entre os gêneros”, afirmou. Para Murad, não é possível que haja um Brasil melhor sem “que a mulher tenha um papel de destaque”.

Na passeata, estava também o balconista de farmácia Laercio Severino da Silva. “A mulher é especial e o homem não vive sem ela. Por isso, acho que todas têm direito à saúde e ao respeito”, disse.

Silva contou que está cuidando do seu filho de 3 anos sozinho porque a mulher teve que viajar para cuidar da mãe. “Homem não consegue dar conta de lavar roupa, criar filhos e ainda trabalhar. Hoje que estou nesta situação, vejo como as mulheres são importantes”, relatou.

O secretário de Formação Política do Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias de Fiscalização do Exercício Profissional e Entidades Coligadas no Estado de São Paulo (Sinsexpro), Paulo Rogério Prado, foi à passeata representar as trabalhadoras do seu sindicato e aproveitou para homenagear todas as mulheres. “Se não fosse por uma mulher, eu não estaria aqui.”

Prado disse que sua presença na manifestação foi uma forma de lutar por um futuro melhor para suas duas filhas. “Estou plantando uma sociedade melhor, mais justa e igualitária para elas.”

O estudante de direito Danilo Queiroz contou que, na faculdade, ao ter contato com representantes do movimento feminista, passou a entender “questões que não são óbvias para nós, homens”. “De fato, a mulher é tratada como um objeto e é oprimida por esta sociedade machista”, afirmou.

Para o estudante, uma forma de resolver os problemas que as mulheres enfrentam é a conscientização dos homens. “Acredito que haveria redução da violência doméstica se os homens fossem conscientizados que as mulheres precisam ser respeitadas”, avaliou.

Mãe e filho foram à passeata com camisetas da União Brasileira das Mulheres para se manifestar favoráveis à igualdade de direitos entre homens e mulheres. A dona de casa Jozelma Araujo dos Santos levou o filho Paulo Tadeu dos Santos Junior, de apenas 10 anos, para mostrar a ele o quanto é importante a questão. “Eu acho que é meu dever, como mulher e mãe, ensinar os meus filhos de que homens e mulheres são iguais”.

Ela disse que faz questão de ensinar ao filho que as mulheres devem ser respeitadas desde cedo. “Eu quero quebrar esta cultura machista através da educação que dou para o meu filho, quero que ele cresça aprendendo que cada um tem o seu espaço”, afirmou.

No princípio, o marido de Jozelma era contra o menino participar da vida doméstica, ajudando em afazeres como lavar a louça ou arrumar a cama. “Ele [o marido] foi criado com outros valores, mas, depois, entendeu que o mundo mudou e, hoje, ele mesmo fala pro Junior ajudar em casa e não crescer com a mesma mentalidade”, disse.

Para ela, a consciência dos homens mudaria o cenário da passeata no Largo do Patriarca. “A gente não precisa de tanta mulher, precisa do apoio dos homens e que eles passem a nos respeitar.” No que depender de Jozelma, os próximos 8 de março seriam comemorados no “Largo da Matriarca”, e não do Patriarca.

Por Ivy Farias – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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Sobrecarga no lar impacta ascensão feminina no trabalho

Ipea divulgou comunicado sobre a desigualdade de gênero no mercado e no emprego doméstico

A persistente responsabilização das mulheres pelos trabalhos domésticos não remunerados é apontada como fator preponderante na desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Essa é uma das conclusões do Comunicado do Ipea n° 40, Mulheres e trabalhos: avanços e continuidades, que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta segunda-feira, 8, Dia Internacional da Mulher.

Apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho, 86% das mulheres ainda são responsáveis pelos trabalhos em casa, enquanto os homens são 45%, segundo dados de 2008 do IBGE. Elas dedicam em média quase 24 horas por semana aos afazeres domésticos. E os homens, apenas 9,7 horas.

O estudo trata, ainda, das consequências dessa naturalidade em atribuir às mulheres os afazeres domésticos. Os efeitos vão desde a menor disponibilidade da mulher às jornadas de trabalho que exijam mais tempo, à ação dos estereótipos e a ocupação de 42% das mulheres em posições precárias, em comparação com 26% dos homens.

A coordenadora de Igualdade e Gênero do Ipea, Natália Fontoura, afirmou que, se de um lado há muitas trabalhadoras precarizadas, no outro extremo há um crescente grupo de profissionais liberais mais escolarizadas e bem remuneradas que podem se lançar no mercado de trabalho porque delegam as responsabilidades familiares a outras mulheres, as empregadas domésticas. “Isso cria um encadeamento perverso de mulheres ligadas às atribuições que deveriam ser de todos, independentemente de ser homem ou mulher”, disse a técnica.

Políticas públicas

As mudanças nos arranjos familiares, com quase 35% de mulheres chefes de família, o tempo médio de estudo das mulheres de 7,6 anos – que já é superior ao dos homens (7,2 anos) -, e o percentual crescente de mulheres que entram no mercado de trabalho são algumas das principais mudanças registradas entre 1998 e 2008 no Brasil. Apesar disso, o Comunicado mostra que praticamente nada mudou com relação ao trabalho doméstico no que diz respeito à distribuição dos afazeres entre homens e mulheres.

Natália Fontoura alertou para o papel das políticas públicas e das instituições no sentido de promover uma mudança cultural e estimular o compartilhamento de atividades domésticas. A pesquisadora sugeriu uma licença paternidade maior e também licenças paternais que tanto mulheres quanto homens poderiam usar para resolver emergências dos filhos. “Isso muda a visão do empregador. Se qualquer um pode tirar essa licença, na hora de escolher entre uma mulher ou um homem, a mulher não será mais discriminada, além de o pai ganhar mais tempo para a família”, concluiu.

Leia o Comunicado do Ipea número 40 na íntegra, acessando o endereço eletrônico http://agencia.ipea.gov.br/images/stories/PDFs/100308_comu40mulheres.pdf

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ipea.gov.br.

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