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Dirigentes sindicais filiados à CUT, avaliam mobilização da Campanha Salarial Nacional no Estado do Paraná

A greve foi encerrada no dia 13 de outubro, após 15 dias de intensa mobilização, que incluiu a adesão de 18,9 mil trabalhadores bancários no terceiro dia de greve, atingindo 80% da categoria bancária filiada à CUT. Em Curitiba, todos os centros administrativos se mantiveram fechados nos primeiros dias da greve e, mesmo com a reabertura de alguns, via interdito proibitório, os trabalhadores bancários dessas áreas retomaram a greve por adesão.

O dia 11 de outubro foi o auge da greve dos bancários no Paraná. Na base da FETEC-CUT-PR eram 608 agências fechadas, mesmo com a vigência de diversos interditos proibitórios que os bancos privados tinham garantido na justiça do trabalho.

As conquistas foram muitas. Depois do décimo dia de mobilização, sem nenhum avanço nas negociações, a Fenaban procurou o Comando Nacional e marcou reunião para um sábado (dia 9). “Tivemos uma negociação difícil, onde nossos limites foram colocados à prova, e após toda negociação onde esperávamos uma proposta decente que valorizasse os trabalhadores, recebemos apenas o descaso como resposta”, comenta Elias Jordão, presidente da FETEC-CUT-PR, que acompanhou todas as negociações com a Fenaban.

O fechamento das negociações ocorreu em outra reunião, que avançou pelo feriado de 12 de outubro e que encerrou a greve no dia seguinte. “Neste momento, não faltou a garra e a força dos trabalhadores que atenderam ao chamado de nossos sindicatos para se mobilizarem em busca de uma proposta melhor”, avalia Jordão.

O resultado foi o maior aumento real que a categoria já conquistou (3,08% além da inflação), garantindo o mesmo efeito nos benefícios e reajuste real ainda maior nos pisos salariais, além das inéditas cláusulas de combate ao assédio moral e melhorias nas questões de segurança, com atendimento garantido para as vítimas de assaltos e sequestros.

Em Apucarana e região, 86,7% da categoria aderiu à mobilização, com o fechamento de 34 agências e adesão de 471 bancários à greve. O presidente do Sindicato na região, Damião Rodrigues, diz que a greve foi estressante, mas o resultado foi positivo. “Foram 15 dias sob pressão. Só queremos que nossas reivindicações sejam atendidas através do diálogo. Os banqueiros ficaram muito tempo sem apresentar proposta. E os altos lucros provam que eles eram capazes de dar uma resposta a tempo de evitar a greve”, protesta o dirigente.

Os trabalhadores de Arapoti e região entraram em greve somente a partir da segunda semana, mas vieram com força total. Cerca de 84% da categoria aderiu à mobilização com o fechamento de 26 agências e a paralisação de 268 bancários. “A campanha salarial foi ótima. A população aceitou bem e encarou a greve com tranquilidade”, de acordo com a opinião de José Ubiraci de Oliveira, presidente do Sindicato dos Bancários de Arapoti e região.

O Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e região contou com 78% da categoria paralisada. Foram fechadas 25 agências e 270 bancários estavam em greve. O presidente da entidade, Luís Marcelo Legnani, acredita que a mobilização dos trabalhadores foi positiva, mas que a greve acabou no momento certo, em que não eram esperados mais avanços. “Conseguimos avanços consideráveis, principalmente no piso”, afirma.

Em Cornélio Procópio e região, a adesão à greve foi de 83% dos trabalhadores. Foram fechadas 27 agências, totalizando 365 trabalhadores parados. “Os bancários retornaram ao trabalho convictos de que o esforço e a garra da categoria resultaram em conquistas e avanços importantes para o conjunto dos trabalhadores”, avalia Dirceu Casa Grande Junior, presidente do Sindicato de Cornélio Procópio e região.

A situação de Curitiba e região foi uma greve forte desde os primeiros dias, com a paralisação de mais de 14 mil bancários. As assembléias, tanto de deflagração como de encerramento da greve, contaram com a presença de mais de mil pessoas. Todas as agências dos bancos públicos foram fechadas. Os trabalhadores de um dos maiores centros administrativos do HSBC vaiaram e viraram as costas para os diretores do banco, mesmo sob um interdito que proibia o fechamento do local. “Após a maior greve dos últimos 20 anos, mantivemos a curva salarial da categoria, além de conquistarmos avanços nos pisos em bancos privados e públicos”, opina Otávio Dias, presidente do Sindicato de Curitiba e região.

O coordenador do Sindicato dos Bancários de Guarapuava e região, Eloi Myszka, atribui à organização o sucesso desta campanha. “Foi uma das campanhas salariais mais organizadas. Também tivemos vitórias contra os interditos e a maioria das agências permaneceu fechada. Obtivemos um excelente acordo e a categoria está contente”, avalia. Em Guarapuava e região, mais de 71% dos trabalhadores se mantiveram mobilizados, com o fechamento de 26 agências e paralisação de 375 bancários.

Em Londrina e região foram fechadas 88 agências, com a adesão de 1,7 mil trabalhadores, o que representa mais de 80% da categoria na região. “A mobilização na base de Londrina teve seu ápice no dia 11 de outubro, quando atingiu 87 agências. Merece destaque a adesão dos bancos privados naquela ocasião: foram 52 agências de bancos privados paralisadas, 19 da Caixa e 16 do Banco do Brasil”, contextualiza o presidente da entidade, Wanderley Crivellary. “O que nos move é a luta incessante na defesa dos direitos e por mais conquistas para a categoria bancária”, avalia o dirigente.

Em Paranavaí e região foram mobilizados 380 bancários, o equivalente a 82% da categoria e o fechamento de 28 agências. “No último dia de greve, os trabalhadores permaneceram mobilizados, mesmo sabendo que a direção do sindicato iria indicar aceitação da proposta”, avalia Neil Emidio Junior, presidente do Sindicato dos Bancários de Paranavaí e região.

Em Toledo e região, 25 das 27 agências foram fechadas. A mobilização atingiu 77,9% da categoria, com adesão de 300 bancários. “Tivemos a melhor Campanha Salarial nestes oito anos que estou no Sindicato! O melhor ganho real, a melhor greve e a melhor satisfação dos bancários”, comemora o presidente do Sindicato dos Bancários de Toledo e região, João Carlos Padilha. “Após a aprovação da greve, todos estavam conscientes que as agências estariam fechadas. A imprensa também foi grande aliada do movimento, alertando a população e informando alternativas nos casos que não precisasse da agência bancária. O resultado foi o melhor esperado!”.

A base do Sindicato dos Bancários de Umuarama, Assis Chateaubriand e região teve a maior adesão de trabalhadores entre os sindicatos filiados à FETEC-CUT-PR. O secretário-geral do Sindicato, Edilson José Gabriel, acredita que a mobilização foi muito positiva. “Tivemos um percentual muito grande de adesão à greve desde o primeiro dia, contamos com a compreensão de todos e a categoria ficou muito satisfeita”. A greve se manteve com adesão de 92% da categoria na regional. Estiveram mobilizados 531 bancários de 55 agências. O sindicato realiza no próximo dia 29 uma reunião com os membros diretivos da entidade para avaliar mais profundamente a mobilização.

Por Paula Padilha, jornalista.
FETEC-CUT-PR

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