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Dólar furado e o grau de estabilidade do sistema financeiro brasileiro

Dólar furado

Na quarta-feira, 03 de junho, em depoimento na Comissão de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos, o presidente do Fed, Ben Bernanke, augurou um futuro nada alvissareiro para a trajetória da dívida pública americana. Os prognósticos apontam para uma relação dívida/PIB de 80%. A cifra aproxima os súditos de Tio Sam dos padrões italianos e os afasta das recomendações de Maastricht. Idem para o déficit do governo, que parece namorar cifras de Terceiro Mundo no início do Terceiro Milênio.

No afã de conter o apodrecimento continuado dos ativos privados nas carteiras das instituições financeiras – bancos, criaturas assemelhadas e híbridas –, o Fed escancarou as comportas de seu balanço para acolher o lixo tóxico. Simultaneamente, a recessão e as medidas anticíclicas – a elevação do gasto e a redução das receitas – cuidaram de cavar um buraco ainda mais fundo nas finanças do governo federal e, pior, destroçaram o Erário dos estados da federação.

Em um primeiro momento, a fuga para a liquidez permitiu que o Tesouro inundasse o mercado de títulos, demandados avidamente pelas instituições financeiras e pelos ditos investidores, a despeito da mesquinhez dos rendimentos. Isso abriu caminho para outras ações de salvamento, como garantias, provimento de liquidez e capitalização de bancos. Providência ainda mais ousada por parte das autoridades monetárias foi a intervenção nos mercados monetários, lastreados em commercial papers praticamente destruídos pela crise na primeira hora.

A incisiva atuação do Fed como comprador de última instância sustentou os mercados em pânico e ajudou a ressuscitar o interbancário. A crise financeira, em seu estágio mais agudo, promoveu a indiferenciação entre os ativos, demonstrando que em caso de estresse não se sustenta a hipótese de inexistência de correlação entre os preços dos ativos.

O dólar teve boa vida nos primeiros meses de crise. A moeda norte-americana apresentou forte valorização diante do euro e do iene, para não falar das moedas dos ditos emergentes, todas atacadas pelo que parecia ser mais um episódio de fuga para a qualidade. O rublo, por exemplo, despencou, sugando uma fração expressiva das robustas reservas do governo russo, que, diga-se, queimou sua grana em moeda forte na tentativa de impedir a derrocada do câmbio.
Menos dramática foi a desvalorização do real. Falo isso sem desrespeito aos que se lançaram na aventura do Target Forward, arataca financeira engendrada por bancos espertos e clientes nem tanto. Conhecida no popular por “pague dois e leve um”, a trapalhada suscitou pressão sobre os mercados de crédito em um momento de desconfiança generalizada, o que rebateu sobre o câmbio e levou o dólar às imediações da taxa de R$ 2,40.

Mas a “relativa normalização” dos mercados financeiros, anunciada pela elevação da taxa de juros dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, foi acompanhada do progressivo restabelecimento dos preços dos ativos de acordo com a hierarquia risco/rendimento. Nesse momento, o dólar reiniciou sua escalada de desvalorização, impulsionada pelas expectativas negativas a respeito da evolução da dívida pública e do déficit fiscal dos EUA.

Nesse ambiente, a política monetária do Banco Central do Brasil promoveu uma redução cautelosa da taxa Selic, mantendo um diferencial elevado diante dos juros externos. Henrique Meirelles defende a atuação do BC em nome da política de metas de inflação e sugere que a taxa de juros deve ser administrada em razão desse objetivo e nunca para apaziguar os movimentos da taxa de câmbio. De fato, cabe à política monetária fixar o ponto focal que permite aos agentes coordenar suas antecipações, enquanto estabelecem seus planos de ação.

Mas nosso presidente do BC não ignora que a taxa de juro e a taxa de câmbio exprimem, em sua interação, a variação dos preços dos ativos denominados em moedas distintas. Em uma economia aberta, com livre entrada e saída de capitais, as interações entre câmbio e juro determinam alterações no valor dos estoques de riqueza denominados em moedas distintas. Sua movimentação pode resultar em alinhamentos indesejáveis da taxa de câmbio real, sobretudo quando as expectativas dos investidores antecipam cenários muito favoráveis para o balanço de pagamentos, como é o caso do Brasil do pré-sal.

Por Luiz Gonzaga Belluzzo.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cartacapital.com.br.

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BC avalia grau de estabilidade de sistema financeiro brasileiro

Brasília – O Banco Central divulga, hoje, o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), relatório semestral que descreve a evolução recente do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e os principais riscos a que o sistema e as instituições estão expostos. Os dados se referem ao segundo semestre de 2008 e, em alguns casos, aos primeiros meses de 2009. Os testes de estresse, realizados desde 2002, são destacados no terceiro capítulo do relatório, e apresentam os procedimentos adotados pela área de supervisão para avaliar o nível de resiliência do SFN a eventos econômicos e financeiros adversos.

No caso brasileiro, os testes de stress avaliaram os impactos causados por oscilações no risco de crédito e nas taxas de juros e de câmbio. O relatório concluiu que os bancos apresentam elevada resistência às variações nos principais fatores de risco. Apesar da crise, o Índice de Basiléia (IB) subiu, durante o segundo semestre de 2008, de 15,5% para 17,5%, influenciado por fatores como o ágio nas incorporações e fusões no período, a constituição de crédito tributário e algumas mudanças normativas.

O IB é dado pela relação entre o Patrimônio de Referência e o risco assumido pelas instituições financeiras nas operações. No Brasil, dada a regulamentação do CMN, o índice mínimo equivale a 11%. O teste de stress demonstrou que somente um cenário extremo, que combinasse choques nas taxas de juros, de câmbio e elevação de risco de crédito, faria com que o universo analisado apresentasse um índice médio de Basiléia inferior aos 11%. Neste cenário, o índice atingiria 10,7%, que é superior ao índice recomendado internacionalmente de 8%. Os testes de estresse são realizados mensalmente pelo BC com mais de 100 instituições.

Outros testes que avaliam o volume de liquidez detido pelas instituições, considerando os impactos causados por oscilações no câmbio, juros e nos níveis de depósito, demonstraram que as instituições mantiveram, ao longo do segundo semestre, recursos disponíveis suficientes para fazer frente aos seus compromissos, mesmo nas situações de estresse analisadas.

O relatório ainda conclui que a condução adequada das políticas econômica e monetária contribuiu para minimizar os reflexos da turbulência no setor financeiro e, por extensão, nos setores produtivos do país. O REF destaca as medidas adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central, como os incentivos à aquisição de ativos dos bancos de pequeno porte pelos de médio e grande porte e a redução dos recolhimentos de depósitos compulsórios, que contribuíram para o restabelecimento do volume de liquidez do sistema e para a manutenção das concessões de operações de crédito.

Além disso, avaliando a organização do SFN, o relatório verificou que, durante o período mais agudo da crise financeira internacional, não foram detectados eventos que acarretassem mudança nas estratégias organizacionais das instituições financeiras brasileiras. As decisões sobre aquisição, associação ou fusão ocorridas no segundo semestre decorreram de eventos iniciados antes da crise.

Pesquisa

O BC está realizando uma pesquisa sobre informações que são imprescindíveis ao Relatório de Estabilidade Financeira e qual a importância desse relatório. O tempo médio estimado para resposta é de sete minutos e a sua participação é fundamental para garantir a qualidade das análises.

Para acessar a pesquisa e a íntegra do relatório, entre no endereço eletrônico http://www.bcb.gov.br/?RELESTAB200905.

Brasília, 12 de junho de 2009

Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa
imprensa@bcb.gov.br
(61)3414-3462

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bcb.gov.br.

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