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Educação: o desafio da qualidade

Brasília – Quando o Brasil foi às urnas pela primeira vez, após o fim do regime militar, os candidatos não precisavam de propostas muito complexas para a área da educação. Prometer a construção de escolas e a criação de novas vagas era suficiente, já que cerca de 15% das crianças de 7 a 14 anos não estudavam. Hoje, a taxa de atendimento dessa faixa etária beira os 98%. Com a melhoria do acesso, o desafio agora é garantir educação de qualidade para todos – apontam especialistas e organizações da área.

“Nos anos anteriores o foco era na oportunidade de toda a criança poder estudar, hoje tem que ser na garantia da aprendizagem das crianças. Mas a garantia da qualidade é muito mais difícil de construir porque não depende de uma caneta. É um grande mosaico de fatores que o gestor precisa levar em conta de acordo com a realidade da escola”, explica a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

O representante da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Vincent Defourny, disse que o país deu passos importantes nos últimos 15 anos, mas a educação ainda é uma das áreas “mais problemáticas”. O oficial de projetos da Unesco, Wagner Santana, complementa: “Os desafios vão se tornando mais complexos na medida em que a gente se aprofunda na questão do direito a educação. E ele só efetivo com crianças, jovens e adultos aprendendo”.

Apesar de não haver uma fórmula para construir uma educação de qualidade, os especialistas apontam o professor como peça-chave desse processo. Sem remuneração adequada e bons planos de carreira para a categoria, será difícil mudar a realidade da sala de aula, defende a coordenadora-geral da organização não governamental (ONG) Ação Educativa, Vera Masagão. “A escola precisa atrair talentos e pessoas motivadas. É necessário investir na formação e na valorização para que a área se torne atrativa”, afirmou.

Defourny acredita que esse é um gargalo da educação hoje. “A formação, a remuneração, a perspectiva de carreira do professor, tudo isso tem que ser resolvido de forma consistente”, disse. Segundo estudo da Unesco, a média salarial do professor da educação básica, em 2006, era de R$ 927, com grandes variações nos estados chegando a R$ 635 (Nordeste). O rendimento é bem menor do que o de outras carreiras que também exigem formação de nível superior.

“Não é que toda a responsabilidade seja do professor, mas há um amplo reconhecimento de que esse é um dos principais fatores para a qualidade da educação”, defende Santana. Vincent alerta ainda que sem recursos adequados não é possível chegar a uma oferta de qualidade. Hoje, o país investe 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área, segundo dados mais recentes do Ministério da Educação.

“O investimento aumentou, mas ainda estamos muito longe dos padrões dos países com uma educação de melhor qualidade. É um assunto que precisa ficar claro nas prioridades de um governo”, afirmou. Os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) investem, em média, entre e 6% e 7% do PIB. “Mas eles, em geral, não têm a dívida história com a educação que nós temos. Além disso, o PIB é maior. Então, o volume investido é mais alto”, compara Santana.

Ele acredita que outro desafio é integrar a educação a políticas mais amplas de desenvolvimento do país. “Todos dizem que a educação é essencial, mas é preciso discutir como o componente educacional se integra quando olhamos para o futuro de um país que tem a possibilidade de ser a quinta economia mundial”, disse. Na avaliação de Santana, o debate sobre educação nas eleições ainda “fica muito na superfície”.

“O país tem uma janela de oportunidade, está crescendo muito rapidamente, e tem recursos públicos como nunca. Este é o momento para investir em educação, não dá para esperar. É um investimento de médio a longo prazo que precisa ser feito”, afirmou Defourny.

Por Amanda Cieglinski – Repórter da Agência Brasil. Edição: Aécio Amado.

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Educação lidera reivindicações de juventude sul-americana, mostra Ibase

Rio de Janeiro – A juventude sul–americana é mais escolarizada atualmente do que as gerações passadas. Essa é uma das constatações do estudo feito nos últimos três anos com jovens de seis países da América do Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia) pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Instituto Polis e mais seis organizações parceiras. Os dados serão divulgados hoje (25).

“Independente da faixa de escolaridade que você pegue entre jovens e adultos, os jovens são mais escolarizados, em maior proporção”, afirmou à Agência Brasil a pesquisadora do Ibase, socióloga Patrícia Lânes, membro da equipe técnica geral da pesquisa. Sobre a religião, a percepção é que os jovens de hoje têm fé, mas não assumem uma religião. Acreditam em alguma coisa, mas não têm uma crença definida.

De acordo com ela, houve um avanço em relação à escolaridade. “A gente conseguiu que as pessoas que estão no mundo hoje em dia sejam mais escolarizadas”. Apesar desse avanço, a educação continua aparecendo como uma das mais fortes demandas entre os jovens organizados, segundo o estudo, que será divulgado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

“A gente tem movimentos importantes de estudantes tanto no Brasil, como no Chile, Uruguai, Paraguai, na Bolívia também, reivindicando uma educação de melhor qualidade.”

No caso do Brasil, os jovens priorizam a questão do passe livre ou da meia passagem, como forma no transporte público. O mesmo ocorre nos movimentos de jovens do Paraguai. Já no Chile, Patrícia Lânes revelou que a maior luta é a favor de mudanças na legislação em relação à educação pública. A lista elaborada pelo Ibase e seus parceiros prioriza, ainda, reivindicações da juventude sobre cultura, segurança pública e respeito aos direitos humanos, meio ambiente, transportes, saúde, moradia e participação. “São as demandas que aparecem com maior recorrência no estudo, quando a gente ouvia esses jovens organizados.”

Outro aspecto de destaque na pesquisa sobre a juventude da América do Sul é a questão do acesso à internet, a chamada conectividade. Essas três características (escolaridade, religiosidade, acesso à internet) são comuns à atual geração de jovens, embora existam distinções entre jovens que moram em áreas urbanas e rurais, observou Patrícia.

Segundo ela, a internet é um dado novo que faz parte de uma realidade que se impõe para quem já nasceu em um mundo que tem no computador uma ferramenta social e de trabalho, diferentemente do que ocorria com as gerações passadas. O que vai mudar é o que eles estão entendendo como qualidade, independentemente do tipo de movimento”, externou Patrícia.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil. Edição: Talita Cavalcante.

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Estudo do Ibase mostra como pensa a juventude sul-americana

Rio de Janeiro – Como pensam os jovens da América do Sul? Quais as principais convergências encontradas entre eles? Para responder a essas e outras indagações, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) fez um estudo cujos resultados, reunidos no Livro das Juventudes Sul-Americanas, serão divulgados hoje (25) no Rio. O trabalho foi feito em parceria com o Instituto Polis e mais seis organizações do continente.

A publicação reúne pesquisas realizadas nos anos de 2007, 2008 e 2009 com jovens do Brasil, Chile, da Argentina, do Uruguai, Paraguai e da Bolívia. “Nosso foco foi entender as demandas da juventude, as necessidades da juventude”, disse a socióloga Patrícia Lânes, pesquisadora do Ibase e integrante da equipe técnica da pesquisa, em entrevista à Agência Brasil.

A equipe ouviu e acompanhou a rotina de jovens de grupos organizados, como movimentos femininos, trabalhadores sem terra, movimento hip hop. Ao mesmo tempo, foi aplicado um questionário para 14 mil jovens e adultos, para “entender se o que aparece como reivindicação da juventude organizada está afinado com a percepção da sociedade de maneira geral [jovens que não participam de grupos organizados e adultos] sobre o que a juventude precisa”, informou Lânes.

O estudo revelou que o jovem de hoje está mobilizado, embora essa mobilização seja diferente da geração de 1970, em que havia uma questão concreta da ditadura no mundo, que restringia a liberdade e os direitos fundamentais. “Hoje em dia, a gente tem jovens mobilizados, mas em torno de diferentes questões. Você tem desde o jovem da periferia, o jovem negro, por exemplo, as jovens mulheres, ou o jovem estudante. Você tem diferentes bandeiras em torno das quais esses jovens se organizam e se mobilizam”.

Sobre a comunicabilidade entre os jovens dos diferentes países, a ferramenta tecnológica da comunicação, a informática, facilitou esse entrosamento. “Como você também tem uma ferramenta de comunicação que não existia em outros momentos, acho que os jovens que estão mobilizados se utilizam dessas ferramentas e de outras que se popularizaram”, afirmou Patrícia.

Para ela, isso resultou na incorporação desses elementos de comunicação dentro das lutas e organizações juvenis. Esse tipo de ferramenta – como blogs e redes sociais – acabou incorporado como instrumento de luta social.

De acordo com a pesquisadora do Ibase, as diferenças entre a juventude dos seis países pesquisados estão na própria história dessas nações. “Na verdade, as diferenças se dão entre os países, não em termos de juventude. Se dão em termos de sociedade”, ressaltou. Ela lembrou que no caso do Brasil e do Chile, por exemplo, as diferenças que surgem entre os jovens são as mesmas que aparecem entre os adultos.

Um exemplo é a pena de morte, que existiu no Chile há mais de 40 anos e continua tendo a seu favor boa parte da população. “Isso estava colocado socialmente lá como uma possibilidade”. O mesmo ocorre quanto ao aborto no Uruguai, onde o tema já vinha sendo objeto de debate público há muito tempo e tem maior aceitação, “diferentemente de outros países como o Brasil e a Bolívia. Então, as diferenças entre os países são muito mais da sociedade como um todo do que entre os jovens”.

O estudo do Ibase e seus parceiros visa à geração de informações qualificadas que possam ajudar na elaboração de políticas públicas para os jovens da região. Outra meta é fornecer subsídios para os movimentos sociais pensarem suas práticas, disse Patrícia Lânes.

Foram realizados sete documentários sobre os diálogos mantidos durante as reuniões com grupos de 40 jovens de cada país, representantes de movimentos ou organizações. Na solenidade de lançamento do Livro das Juventudes Sul-Americanas, será exibido um documentário sobre a reunião desses jovens, que ocorreu em junho do ano passado no Rio de Janeiro.

A rede que desenvolveu a pesquisa foi integrada também pela Fundación SES (Argentina), U-Pieb (Bolívia), Cidpa (Chile), Base-IS (Paraguai), Cotidiano Mujer e Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de la República (Uruguai). O estudo contou com apoio do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDCR), do Canadá.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil. Edição: Graça Adjuto.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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Dilma detalha propostas para a área de Educação

03.08.2010

A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, apresentou hoje uma parte das propostas do seu programa de governo para melhorar a Educação no país. Segundo ela, já há um consenso entre os partidos coligados sobre a expansão da universidade pública e a interiorização dos campi pelo país; a construção de uma escola técnica nos municípios com mais de 50 mil habitantes; e a ampliação do Programa Universidade para Todos (Prouni).

“Tivemos um processo muito bem sucedido de interiorização [da universidade]. E eu vou continuar de forma acelerada nas cidades pólos das diferentes regiões. Nas cidades menores, vamos continuar expandindo a Universidade Aberta do Brasil”, disse, em entrevista coletiva no escritório político da campanha, em Brasília.

Ela acrescentou: “Estamos falando numa expansão cujo objetivo é uma cobertura bastante grande todo país, especializando os cursos de acordo com as vocações de cada local ou de cada economia. Além disso, vamos aperfeiçoar e expandir o Prouni”.

Esporte e Educação

Assim como fez na visita ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a candidata disse que o esporte e a educação têm de andar juntos para formar os atletas que competirão nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. “Vamos ter uma política muito forte diante da questão da Copa do Mundo, mas, sobretudo, da Olimpíada na formação do atleta do esporte básico no Brasil”, afirmou.

A proposta, segundo ela, envolve 10 mil quadras poliesportivas: 4 mil delas receberão cobertura e serão construídas 6 mil nas escolas de ensino básico no Brasil.

Dilma explicou que outra parte importante é a construção de creches por todo país para assegurar igualdade de oportunidades para as crianças brasileiras, além de permitir que as mães possam trabalhar tranquilas em relação à educação de seus filhos.

Qualidade do ensino

A candidata disse que o ponto fundamental de todo programa da educação é qualificação do ensino. E isso, segundo ela, não pode ser feito sem a valorização do professor.

“A questão que nos preocupa fundamentalmente é a qualidade da educação. Do ensino básico, passando pelo ensino fundamental, até a pós-graduação. E essa questão está focada no pagamento e na valorização adequada do professor ou professora”, ressaltou.

Para ela, os professores têm de receber um salário decente e uma boa formação. “É a universidade que pode garantir a formação continuada para os nossos professores. O professor vai ter acesso a uma formação universitária e a um diploma universitário [no nosso governo]”.

Ela defendeu os sistemas de avaliação da qualidade de ensino adotados pelo Ministério da Educação, como o Enem, e afirmou ser contra o regime de progressão automática para os alunos, mesmo quando eles não têm notas suficientes para serem aprovados – o que é adotado em São Paulo, por exemplo.

“A gente [tem de] romper com aquela prática da progressão automática do aluno, prática que vigorou em alguns estados do Brasil e que é responsável por colocar o professor num sistema sem saber se o aluno tinha aprendido ou não.”

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.dilma13.com.br/noticias/entry/dilma-detalha-propostas-para-a-area-de-educacaeo/

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