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Por 10:57 Bancos, Recentes

Escândalo do Banco Master afetou emprego bancário, recursos de clientes e regulamentação do SFN

Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e, na mesma data, o presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal.

Desde esse episódio, o caso do Banco Master é notícia recorrente e são diversos os desdobramentos que ainda acontecem, como o mais recente, as implicações com o senador e ex-ministro de Bolsonaro, Ciro Nogueira, que teria recebido mesadas de Vorcaro para atuar no Congresso de forma a beneficiar os interesses do banco.

📌 Confira aqui a nota técnica do Dieese sobre o tema.

Autonomia do Banco Central

De fato, em 2024, o senador propôs uma emenda à PEC 65/2023, que trata da autonomia do Banco Central, para elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão por instituição.

PEC nº 65 visa a alterar a Constituição Federal, estabelecendo um novo regime jurídico para o Banco Central, conferindo-lhe autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira (Fonte: Agência Brasil).

Fundo Garantidor

O FGC cobre depósitos e títulos emitidos por instituições financeiras (conta corrente, poupança e Letras de Crédito Imobiliário – LCI), mas não abrange investimentos como ações, fundos ou debêntures, não assegura investimentos realizados por regimes próprios de previdência de estados e municípios. Sem a alteração nos limites reivindicada por Vorcaro, o FGC cobre R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com limite global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos.

O FGC, vinha, portanto, conforme análise do Dieese, sendo utilizado “como peça de propaganda de distribuidoras de títulos e valores mobiliários para vender os CDBs extremamente arriscados do Master, oferecendo garantia”.

De acordo com Galípolo, presidente do Banco Central, no dia em que o BC decretou a liquidação, o Master tinha em caixa apenas 10% do valor de que precisava para pagar os CDBs que estavam vencendo na mesma data (Fonte: Agência Brasil).

Liquidações após o Master e rombo no FGC

Banco Central já decretou liquidação de 8 instituições financeiras ligadas ao Master. O conglomerado era formado por: Banco Master S.A.; Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento; Banco Master de Investimento S.A.; Banco Voiter S.A./ Banco Pleno; Banco Letsbank S.A.; Banco Master Múltiplo S.A.; Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; e Distribuidora Intercap de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A partir das liquidações, começou a espera pelo acesso ao crédito garantido pelo FGC, incluindo nessa lista clientes com dinheiro retido e trabalhadores demitidos.

Conforme nota técnica do Dieese, durante a liquidação, as atividades operacionais são imediatamente encerradas e o Banco Central nomeia um liquidante para administrar a massa liquidada, bloquear bens dos administradores e realizar o ativo (venda de bens) para pagamento do passivo (dívidas). Nesse processo, contas de clientes podem ser bloqueadas e operações como PIX e TED são interrompidas e aplicações como CDBs, LCIs e LCAs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Prisão de Vorcaro

No dia 20 de março a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados no chamado “caso Master” (Fonte: STF).

Desemprego bancário

Para os trabalhadores do conglomerado Master, a liquidação extingue os vínculos empregatícios, se tornando credores da liquidação. Os direitos, como salários, verbas rescisórias e indenizações, são habilitados e possuem prioridade na ordem de pagamento. O Dieese estima que mais de 1.500 trabalhadores foram afetados diretamente, entre bancários e financiários.

Desde o início das liquidações no conglomerado do Banco Master, o volume de recursos estimado é R$ 51,8 bilhões a ser ressarcido pelo FGC aos clientes, o que corresponde a 42,8% da liquidez do FGC, representando o maior desembolso da história do Fundo Garantidor.

Ressarcimento no Master

O ressarcimento aos clientes do Banco Master, até 16 de março, foi de R$ 38,9 bilhões a 686 mil clientes (96% do montante previsto e a 88% dos investidores elegíveis).

Ressarcimento no Will Bank

No dia 7 de abril, o FGC liberou R$ 6 bilhões a 312 mil credores da fintech Will Bank (Fonte: Agência Brasil).

Ressarcimento no Banco Pleno

A partir de 23 de março, cerca de 152 mil clientes do Banco Pleno, instituição associada ao Banco Master liquidada em fevereiro, tiveram acesso a cerca de R$ 4,8 bilhões do FGC (Fonte: Agência Brasil). 

Recomposição do FGC

Para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Crédito, foi aprovado um plano de R$ 55 bilhões, através da antecipação de 60 meses de contribuição dos bancos, além da cobrança de uma alíquota extraordinária, que chega a R$ 30 bilhões ao FGC em 2026.

CMN altera regras para o Fundo Garantidor de Crédito

Em abril, o Conselho Monetário Nacional aprovou um pacote de medidas para evitar que bancos assumam riscos excessivos ao captar recursos com garantia do FGC (Fonte: Agência Brasil).

Com a nova regra, instituições que captarem muitos recursos com proteção do FGC, mas tiverem ativos considerados de maior risco ou de difícil venda, serão obrigadas a aplicar parte desse dinheiro em títulos públicos federais, que são mais seguros. 

CMN amplia as exigências de liquidez dos bancos

Além das mudanças no FGC, o Conselho Monetário Nacional também endureceu as regras de liquidez, a capacidade de um banco pagar suas dívidas no curto prazo (Fonte: Agência Brasil).

Impactos nas previdências privadas

O escândalo do banco Master prejudicou também diferentes fundos de previdência atrelados a servidores públicos e pode gerar impactos indiretos sobre trabalhadores e aposentados com os investimentos.

Ao menos 19 Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de servidores públicos estaduais e municipais investiram em letras financeiras vinculadas ao Banco Master. Conforme relatório do Dieese, a partir de informações da imprensa, foram cerca de R$ 1,8 bilhão investidos por 19 RPPS que cobrem cerca de 630 mil segurados entre servidores ativos, aposentados e pensionistas.

Perdas associadas a essas aplicações podem afetar a rentabilidade das reservas previdenciárias, reduzir o patrimônio dos fundos de pensão, implicar em déficit previdenciário ou agravamento dele e, principalmente, afetar a capacidade de pagamento dos benefícios atuais e futuros de servidores públicos e familiares.

Impactos no banco público BRB

Conforme nota técnica do Dieese, avalia-se que o Banco Master teria realizado a venda de R$ 13,3 bilhões em carteiras de crédito com lastro não comprovado para o Banco de Brasília (BRB), entre 2024 e 2025.

O BRB também havia anunciado a intenção de adquirir 58% do capital do Master por R$ 2 bilhões em março de 2025, mas o Banco Central vetou a operação em setembro. Já em fevereiro de 2026, foi revelado que o Master e a Reag Investimentos teriam adquirido cerca de 25% das ações do BRB durante aumentos de capital. O Banco Central estima impacto negativo de R$ 8 bilhões no balanço do BRB para 2025.

Caso os problemas patrimoniais e de liquidez não sejam equacionados, o Banco Central poderá submeter o BRB a regimes especiais, como o Regime de Administração Especial Temporária (Raet) ou, em último caso, à liquidação extrajudicial.

O BRB possui 3.520 funcionários bancários e 492 trabalhadores terceirizados.

Prisão do ex-presidente do BRB

No dia 16 de abril, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa foi preso durante a quarta fase da Operação Compliance, da Polícia Federal, que investiga fraudes no Banco Master e tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal (Fonte: Agência Brasil).

De acordo com as investigações, Paulo Henrique Costa teria combinado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina. O valor seria repassado por meio de imóveis.

BRB firma acordo para transferir ativos comprados do Banco Master

A operação busca vender ativos recebidos do Banco Master, após a liquidação da instituição então controlada por Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraude e crimes financeiros (Fonte: Agência Brasil).

“Estamos todos pagando a conta”, diz bancário sobre o caso BRB/Master

A partir da operação da PF, quando o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), foi afastado do cargo por decisão judicial, suspeito de envolvimento com supostas irregularidades e fraudes financeiras, muitos clientes passaram a ir às agências em busca de informações sobre a solidez do banco e os eventuais riscos para seus investimentos.

Governador do DF pede empréstimo ao BRB

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB) (Fonte: Agência Brasil).

A história do Banco Master

A partir da Nota técnica do Dieese | Banco Master: impactos sociais e implicações regulatórias, publicado em 31 de março de 2026, é possível estabelecer uma linha do tempo sobre o crescimento exponencial do Banco Master até sua liquidação.

Em 2019, o Banco Central autorizou a transferência do controle societário para Daniel Vorcaro, o processo de reestruturação culminou, em 2021, na adoção da nova marca: Banco Master, que obtinha 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e o patrimônio líquido atingiu R$ 4,7 bilhões em 2024, com lucro líquido foi de R$ 1 bilhão naquele ano.

Entre 2021 e 2024 constatou-se forte aumento das operações de crédito, que se multiplicaram mais de 13 vezes no período. A estratégia de crescimento era agressiva: emissão de Certificado de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno elevadas para os investidores, que chegaram a atingir 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Essa estratégia estava amparada nas garantias oferecidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Entre o último trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2025, última informação enviada pelo Master, os depósitos a prazo aumentaram cerca de sete vezes.

A participação dos depósitos a prazo em relação ao total de depósitos girou em torno de 98%. No Sistema Financeiro Nacional como um todo, esse percentual variou, no mesmo período, de 56% a 68%, enquanto nos maiores bancos privados, a média situou-se entre 66% e 74%, patamar bastante inferior ao observado no Banco Master.

A elevada concentração da captação em depósitos a prazo gera desconfianças do ponto de vista da liquidez. Conforme o Dieese analisou, nessa configuração, a sustentabilidade da instituição passa a depender da capacidade que ela possui para gerar caixa em ritmo compatível com o perfil dos passivos.

No caso do Banco Master, observa-se elevada concentração em ativos classificados como de menor liquidez, que, em março de 2025, representavam 47,6% do ativo total. Entre os 20 maiores bancos em ativos, nenhum apresenta grau semelhante de exposição: instituições de grande porte, como Itaú (29,6%), Banco do Brasil (21,8%), Caixa Econômica Federal (14,4%), Bradesco (31,6%) e Santander (28,9%) apresentam níveis consideravelmente mais baixos de ativos classificados como de menor liquidez.

Ainda em 2024, o Banco Central do Brasil identificou uma situação de pressão sobre a liquidez da instituição. Em resposta, o banco intensificou a captação por meio de CDBs, mantendo a estratégia de expansão baseada na atração de recursos via instrumentos com elevada remuneração.

Em março de 2025, houve a proposta de aquisição parcial (58%) do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação estimada em R$ 3,5 bilhões, que foi vetada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano e os desdobramentos subsequentes indicam o agravamento do quadro financeiro da instituição.

Uma nova proposta surgiu em novembro de 2025, por meio da holding Grupo Fictor, que anunciou a aquisição com investimentos de R$ 3 bilhões. Ao final do mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso a partir da deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal e, no dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Operação Compliance Zero

A operação da Polícia Federal apurou indícios de uma estratégia estruturada de operações que teria sido utilizada para inflar artificialmente os ativos do Banco Master.

A estratégia teria se baseado na originação e negociação de carteiras de crédito com lastro questionável ou inexistente (devedores de difícil identificação ou baixa capacidade econômica).

Identificou-se a utilização de fundos de investimento como instrumento de transformação e ampliação do valor desses ativos (participação de estruturas vinculadas à gestora Reag).

Ativos de baixa liquidez ou sem mercado ativo teriam sido objeto de reavaliações patrimoniais, que elevaram significativamente o valor contábil deles. O fluxo financeiro associado a essas operações envolvia múltiplas etapas – incluindo concessão de crédito, aplicação em fundos, reavaliação de ativos e eventual retorno parcial dos recursos ao próprio banco, por meio de instrumentos como CDBs -, criando um circuito que reforçava artificialmente os indicadores patrimoniais da instituição.

As investigações sugerem a existência de fraudes associadas à criação de carteiras de crédito fictícias e à valorização artificial de operações.

Avaliação do movimento sindical

Para o Dieese, o que está em evidência a partir desse caso, na verdade, é a própria regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, especialmente com as fintechs e bancos digitais como novos atores no SFN.

“Esse vácuo de enquadramento impõe assimetrias operacionais importantes entre os bancos e as fintechs, que se expressam em termos regulatórios, tributários e trabalhistas”, já que as Fintechs atuam com regras simplificadas.

Percebe-se também o aumento dos crimes e fraudes digitais, além de casos de lavagem de dinheiro pelo crime organizado por meio dessas instituições; as Fintechs pagam alíquotas inferiores relativas ao INSS patronal, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Seguro Acidente de Trabalho (SAT); são beneficiadas com situações de vantagem decorrentes da desoneração da folha de pagamento, quando enquadradas como atividades de tecnologia.

As CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) discrepantes nas quais essas empresas se enquadram fazem com que os trabalhadores não tenham direito às respectivas Convenções Coletivas de Trabalho firmadas por bancários ou financiários e à jornada de trabalho diferenciada, impondo-lhes menor remuneração, menor PLR, menores benefícios.

Entre as propostas do movimento sindical para a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, destacam-se:

  1. ampliação do Conselho Monetário Nacional, incluindo representantes da classe trabalhadora e o Ministério do Trabalho;
  2. criação de mecanismos que garantam que o BC cumpra também a função de promover o pleno emprego;
  3. alinhamento dos mandatos da diretoria do BC e do presidente da República eleito, além da subordinação da instituição ao povo brasileiro;
  4. aumento do tempo de quarentena de ex-diretores do BC para quatro anos (atualmente são 6 meses);
  5. revisão de mecanismos do sistema de metas de inflação, inclusive do próprio patamar da meta – hoje usada como justificativa permanente para manter os juros altos;
  6. criação de mecanismos contra juros abusivos, principalmente em crédito consignado, imobiliário e rural;
  7. revisão da regulação das fintechs, enquadrando-as como bancos e financeiras, com adequação de nomenclatura (CNAE), gerando enquadramento trabalhista, sindical, tributário, prudencial e mecanismos de combate às fraudes financeiras e crimes digitais;
  8. realização de concursos públicos para o Banco Central, fortalecendo a capacidade de fiscalização da entidade;
  9. exigência de presença física dos clientes para abertura de contas e operações de maior risco, reforçando a segurança contra golpes.

Na regulação do sistema financeiro nacional, o Sindicato defende um novo marco regulatório, que corrija assimetrias e submeta fintechs e bancos digitais às mesmas normas fiscais, regulatórias e trabalhistas as quais são submetidos os grandes bancos.

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Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região

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