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Por 11:50 Bancos, Recentes

Daniel Vorcaro planejou pagar R$ 8 mihões à rede de influenciadores, como Luiz Bacci, para atacar BC

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro contratou a agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda, para produzi um plano em que pretendia gastar R$ 8 milhões para financiar uma rede de influenciadores para atacar o Banco Central (BC) e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da instituição, Renato Gomes. As informações são da Folha de S.Paulo.

O “Projeto DV”, como é descrito, foi formulado pela agência de Thiago Miranda, que se classifica ainda como “fundador & sócio grupo Leo Dias” no Instagram, e chegou a distribuir R$ 3,5 milhões entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, quando teria sido interrompido em meio às investigações contra o banqueiro.

Um dos veículos financiados foi a BN Publicidade e Marketing, do jornalista Luiz Bacci, ex-SBT, que teria recebido R$ 500 mil para fazer os chamados “publieditoriais” para o Master.

Uma das publicações no Instagram de Bacci, que tem mais de 24,3 milhões de seguidores, dizia que “Renato Gomes deixa o BC e expõe um regulador sem critério claro e perguntas sem respostas”.

O grupo de Bacci confirmou contrato com a Mithi, mas disse que segundo “nossas diretrizes de compliance e sigilo, não divulgamos informações sobre contratos firmados com nossos clientes”.

A reportagem ainda cita contratos com o site GPS Brasília, que tem mais de 182 mil seguidores no Instagram, que deveria seguir um “tom liberal clássico, em defesa da livre iniciativa, institucional” e publicar títulos como “Fim da gestão Renato Gomes: um erro caro para o sistema financeiro”.

Em 1º de janeiro, o site fez uma publicação dizendo exatamente que “Saída de Renato Gomes do BC deixa indícios de um erro caro para o sistema financeiro”.

O diretor e editor Jorge Eduardo confirmou contrato com a agência – que seria de R$ 100 mil -, mas disse que foi rompido por “incompatibilidades entre os conteúdos propostos e a linha editorial”.

São citados ainda o perfil Not Journal, com 289 mil seguidores, que assinou contrato de R$ 30 mil por mês para 12 publicações mensais no Instagram e no site, e a conta de Charles Costa Oficial, que tem 696 mil seguidores.

Ciro Nogueira e Hugo Motta

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a influência de Daniel Vorcaro no Congresso Nacional revelou que, além da chamada “Emenda Master” apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também apresentou uma proposta legislativa que beneficiou setores ligados aos negócios do ex-banqueiro.

Ciro Nogueira virou alvo da Operação Compliance Zero por suspeita de atuar em favor dos interesses de Vorcaro no Senado e a PF menciona na investigação, também, uma emenda apresentada por Hugo Motta, em dezembro de 2023, ao projeto que regulamentou o mercado de carbono no Brasil.

O dispositivo, incorporado à versão final da lei, obrigou entidades de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras a investirem parte de suas reservas em créditos de carbono ou fundos ligados a esses ativos.

Na prática, a medida criou um mercado cativo para empresas do setor.

Segundo a investigação, uma das companhias potencialmente beneficiadas era a Golden Green Participações, empresa do mercado de carbono conectada à rede de fundos abastecida com recursos ligados ao Banco Master.

Outra empresa citada pela PF é a Global Carbon, que também possuía investimentos de fundos vinculados à estrutura financeira de Vorcaro.

Emenda de Motta virou alvo de questionamento no STF

A alteração apresentada por Hugo Motta foi contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).

A entidade afirma que a obrigação criada pela emenda poderá injetar até R$ 9 bilhões anuais em um mercado que não teria capacidade de absorver esse volume.

Especialistas do setor ambiental também criticaram a medida. O pesquisador Shigueo Watanabe Jr., do Climainfo, afirmou que o texto criou um “mercado cativo” para empresas de crédito de carbono.

Hugo Motta negou irregularidades e afirmou que a proposta foi resultado de um “acordo partidário”. O presidente da Câmara declarou ainda que “o ato de legislar não é crime”.

A “Emenda Master” de Ciro Nogueira

As investigações indicam que Daniel Vorcaro acompanhava diretamente projetos de interesse do Banco Master no Congresso, incluindo propostas relacionadas ao mercado de carbono, à transição energética e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo a PF, o empresário chegou a determinar a retirada de envelopes com minutas de projetos de lei na residência de Ciro Nogueira para revisão posterior.

No centro da investigação está a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador do PP para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC por investidor.

De acordo com decisão do ministro André Mendonça, a PF afirma que o texto da proposta foi elaborado pela assessoria do Banco Master e reproduzido integralmente por Ciro Nogueira no Senado.

Mensagens obtidas pela investigação mostram Vorcaro comemorando a apresentação da proposta.

“Saiu exatamente como mandei”, escreveu o empresário, segundo os autos.

Propina a Ciro Nogueira

Na decisão que autorizou buscas e apreensões contra Ciro Nogueira, André Mendonça afirma que o senador, segundo as investigações, seria o “destinatário central” de supostas vantagens indevidas relacionadas ao esquema investigado.

A PF aponta que Ciro Nogueira teria recebido propina de Vorcaro em pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de viagens internacionais, voos privados, hospedagens, restaurantes, uso de imóvel de alto padrão e possível recebimento de dinheiro em espécie. O objetivo seria que o senador defendesse os interesses do Banco Master no Congresso.

A quinta fase da Operação Compliance Zero teve mandados cumpridos em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Piauí.

A PF investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

Foto:Divulgação / Grupo Esfera

Texto: Plinio Teodoro

Fonte: Revista Fórum

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