Belo Horizonte – Formado em economia e cotado mais de uma vez para ocupar o Ministério da Fazenda, o atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), disse hoje (27) que conversou com o presidente Lula sobre a necessidade de se buscar meios para evitar o aumento do desemprego diante da crise financeira internacional.
Essa deve ser, na opinião de Pimentel, a precaução prioritária do governo federal para minimizar os possíveis reflexos da crise nas grandes cidades brasileiras.
“O objetivo que devemos perseguir basicamente é, se houver consequência da crise sobre o Brasil, tentarmos como primeira prioridade proteger o nível de emprego. Nos últimos anos, esse nível atingiu recorde histórico, com taxas muito altas e adequadas, com conseqüente redução da criminalidade nas grandes cidades brasileiras. Então, temos que proteger o emprego do trabalhador e da população economicamente ativa. Isso é que está garantindo o começo de uma estabilidade e uma paz social grande para o Brasil”, defendeu.
Questionado se a redução da taxa de juros básica, a Selic, seria recomendável para estimular o empresariado a manter e a criar empregos, o prefeito preferiu esquivar-se de um comentário que pudesse causar constrangimento a companheiros de partido ou a integrantes do governo federal.
“Opinar sobre isso [redução de juros] poderia parecer ingerência inadequada na política do Banco Central”, disse. “Não vou dar receitas para não entrar na área dos meus amigos Guido Mantega [ministro da Fazenda] e Paulo Bernardo [ministro do Planejamento], eles sabem como fazer”, acrescentou.
Administrador da terceira maior cidade do país, Pimentel considera que ainda não é possível prever as dificuldades que a crise trará para o novo prefeito, seu aliado Márcio Lacerda (PSB), empresário do ramo de telecomunicações e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do estado. Pimentel admite, entretanto, que há risco de comprometimento de projetos futuros.
“Duas coisas nos preocupam. A possibilidade de haver uma queda da atividade econômica nas grandes cidades brasileiras e isso impactar as receitas do município. Se ocorresse, seria muito ruim, recessão com queda de receita dos impostos. Outra preocupação é um recuo da atração de investimentos internacionais para o Brasil, porque o Brasil se tornou, nos últimos dois anos, um porto adequado para esse tipo de investimento. Se reduzir a entrada do capital, pode atrapalhar os grandes projetos no âmbito do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, afirmou.
Quando acabar seu mandato à frente da prefeitura de Belo Horizonte no final do ano, Pimentel disse que pretende descansar, porque está há quase 16 anos cumprindo funções na administração municipal. O prefeito se negou a responder se aceitaria um possível convite para integrar o governo federal depois de deixar o cargo.
Por Marco Antônio Soalheiro – Enviado Especial.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.inf.br.