Curitiba – Cerca de 8,3 mil funcionários de 145 agências bancárias de oito cidades do Paraná cruzaram os braços ontem. Só em Curitiba 81 agências e sete centros administrativos aderiram à paralisação de 24 horas, a maioria delas na região central. Até os caixas eletrônicos foram bloqueados pelos sindicalistas. Segundo o Sindicato dos Bancários do Paraná a paralisação de alerta não prejudicou tanto os clientes porque o movimento bancário na segunda quinzena do mês é mais tranquilo.
Além de Londrina e Curitiba, ficaram fechadas 18 agências em Apucarana e Arapongas, oito em Campo Mourão, oito em Toledo, uma em Palotina e seis em Paranavaí. Nove agências de Umuarama começaram os trabalhos uma hora mais tarde do que o normal. Os bancos só querem dar um abono de uma vez só para a gente porque argumentam que a inflação do período (2,85%) foi muito baixa e daí o aumento ficaria todo para 2008. Mas queremos a inflação e aumento real, afirmou o presidente interino do Sindicato dos Bancários do Paraná, José Paulo Staub.
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que representa as agências bancárias, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as negociações não acabaram e por isso não vai divulgar a proposta feita aos trabalhadores. Em nota a Federação afirmou que está disposta a negociar e construir um acordo factível. Sindicalistas e bancários devem sentar para negociar hoje.
Londrina- Em Londrina a greve de advertência teve a adesão de 70% dos funcionários de agências bancárias. Dos 1,3 mil bancários, cerca de 850 aderiram à greve. Vinte e três agências permaneceram fechadas, com atendimento apenas pelos caixas eletrônicos.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, Geraldo Fausto dos Santos, a paralisação foi positiva e mostrou que a categoria está disposta a lutar pelos seus direitos. Foi uma greve sem atritos, os bancários estão conscientes e os clientes também apoiaram, pois não suportam mais os bancos – taxas bancárias, juros, afirmou Santos.
Uma única agência – de um banco privado – localizada no Calçadão, permaneceu completamente fechada até às 15h40, quando os funcionários atenderam a uma determinação judicial de reabrir a agência, sob pena do sindicato pagar multa de R$ 200 mil. Segundo Santos, os representantes do banco entraram na Justiça com um pedido de interdito provisório, que foi concedido pelo juiz, exigindo que os bancários voltassem ao trabalho.
Primeiro o oficial de Justiça chegou com uma notificação que previa uma multa de R$ 10 mil se os funcionários não voltassem ao trabalho. Os bancários permaneceram com a agência fechada. Depois, chegou uma nova notificação prevendo multa de R$ 200 mil, daí os bancários abriram a agência, mas já era quase 16 horas, contou Santos. Apesar do problema judicial, tudo ocorreu sem transtornos. Para o presidente do sindicato, o fato do banco ter apelado à Justiça mostrou abuso de poder.
Por Andréa Bordinhão e Erika Zanon
Fonte: Folha de Londrina
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