Agência Brasil
BOMBAIM, Índia – Os milhares de participantes do 4º Fórum Social Mundial (FSM) tomaram nesta quarta-feira as ruas de Bombaim, na Índia, no último dia do maior evento internacional da sociedade civil, provocando caos no já congestionado trânsito da cidade. Foi a maior marcha já vista na cidade.
Agitando bandeiras, cartazes e faixas e pedindo um mundo melhor, os mais de 75 mil delegados inscritos no fórum caminharam durante duas horas até chegar ao Agad Maidan, um espaço aberto no centro da cidade, onde shows com músicos de vários países, entre eles o ministro Gilberto Gil, prosseguem até o final da noite. – É um grande carnaval social mundial. Essas pessoas que nunca tiveram voz estão precisando se expressar e mostrar ao mundo que existem – disse a ambientalista brasileira Raquel Trajberg, da Aliança por um Mundo Social e Responsável.
As camadas populares inscritas no Fórum pouco participaram dos debates, até pela falta de estrutura para garantir tradução das discussões para tantas pessoas, mas marcaram forte presença nas vias do centro de exposições Nesco Ground, onde ocorreu o FSM, com seus tambores e faixas.
A marcha pelas ruas de Bombaim foi o ápice das manifestações realizadas durante todos os cincos dias de debates pelos grupos de excluídos. Para o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, Bombaim não será a mesma depois desse evento.
– Penso que as forças que resistem a esse governo de direita que está aí se sentem mais animadas porque, de alguma maneira, há uma legitimação internacional para as suas lutas – disse Boaventura, referindo-se à resistência dos grupos sociais à administração municipal de Bombaim, que não dialoga com as organizações não-governamentais. Medha Patkar, um dos maiores líderes ambientalistas da Índia, concorda com a análise do sociólogo português.
Segundo ele, a organização do Fórum por cerca de 100 movimentos indianos mostrou que, apesar das diferenças ideológicas, políticas e religiosas, a sociedade civil na Índia pode se unir e construir alianças estratégicas para lutar por direitos humanos, respeito à mulher, melhoria da qualidade de vida e outras causas sociais. O grande desafio do FMS, cuja lema é “um outro mundo é possível”, é fazer com que toda essa energia e diversidade vistas em Mumbai sejam capitalizadas politicamente em prol da unidade das lutas e reivindicações dos movimentos sociais, disse Geraldo Fontes, da secretaria de relações internacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
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Por Mhais• 21 de janeiro de 2004• 12:31• Sem categoria
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL TERMINA COM GRANDE MARCHA PELAS RUAS DE BOMBAIM
Agência Brasil
BOMBAIM, Índia – Os milhares de participantes do 4º Fórum Social Mundial (FSM) tomaram nesta quarta-feira as ruas de Bombaim, na Índia, no último dia do maior evento internacional da sociedade civil, provocando caos no já congestionado trânsito da cidade. Foi a maior marcha já vista na cidade.
Agitando bandeiras, cartazes e faixas e pedindo um mundo melhor, os mais de 75 mil delegados inscritos no fórum caminharam durante duas horas até chegar ao Agad Maidan, um espaço aberto no centro da cidade, onde shows com músicos de vários países, entre eles o ministro Gilberto Gil, prosseguem até o final da noite. – É um grande carnaval social mundial. Essas pessoas que nunca tiveram voz estão precisando se expressar e mostrar ao mundo que existem – disse a ambientalista brasileira Raquel Trajberg, da Aliança por um Mundo Social e Responsável.
As camadas populares inscritas no Fórum pouco participaram dos debates, até pela falta de estrutura para garantir tradução das discussões para tantas pessoas, mas marcaram forte presença nas vias do centro de exposições Nesco Ground, onde ocorreu o FSM, com seus tambores e faixas.
A marcha pelas ruas de Bombaim foi o ápice das manifestações realizadas durante todos os cincos dias de debates pelos grupos de excluídos. Para o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, Bombaim não será a mesma depois desse evento.
– Penso que as forças que resistem a esse governo de direita que está aí se sentem mais animadas porque, de alguma maneira, há uma legitimação internacional para as suas lutas – disse Boaventura, referindo-se à resistência dos grupos sociais à administração municipal de Bombaim, que não dialoga com as organizações não-governamentais. Medha Patkar, um dos maiores líderes ambientalistas da Índia, concorda com a análise do sociólogo português.
Segundo ele, a organização do Fórum por cerca de 100 movimentos indianos mostrou que, apesar das diferenças ideológicas, políticas e religiosas, a sociedade civil na Índia pode se unir e construir alianças estratégicas para lutar por direitos humanos, respeito à mulher, melhoria da qualidade de vida e outras causas sociais. O grande desafio do FMS, cuja lema é “um outro mundo é possível”, é fazer com que toda essa energia e diversidade vistas em Mumbai sejam capitalizadas politicamente em prol da unidade das lutas e reivindicações dos movimentos sociais, disse Geraldo Fontes, da secretaria de relações internacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
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