Sindicato denuncia uso de servidores na campanha de Beto Richa
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc) denunciou ontem que funcionários públicos estão sendo pressionados a fazer campanha para o ex-prefeito e candidato do PSDB ao governo, Beto Richa. Dossiê que está sendo reunido pela direção do Sismuc relata a participação de concursados, comissionados, terceirizados e estagiários na campanha de Richa dentro e fora do horário de expediente. E aponta ainda que em muitos casos, esses servidores estariam sendo pressionados a pedir votos para o tucano com base em ameaças.
“Temos recebido várias reclamações de servidores que estão recebendo ameaças veladas. Anotamos o nome destes servidores e acionamos a Prefeitura de Curitiba. No mesmo dia, o município nos responde que o servidor está em licença prêmio, tirou férias. Mesmo assim, ainda estamos conseguindo reunir provas para entrar com uma representação por uso da máquina administrativa no Tribunal Regional Eleitoral”, disse Alessandra Claudia de Oliveira, secretária de Imprensa e Comunicação do sindicato.
Esta semana, servidores da Unidade de Saúde do Vista Alegre teriam sido flagrados por ela colocando material de campanha de Beto Richa dentro das pastas de trabalho. “Eram agentes comunitários que fazem visitas nas casas das pessoas. O que eles estavam fazendo era campanha em horário de trabalho. Eu fui falar com a autoridade sanitária, que não me deu qualquer explicação plausível. E não tem mesmo como explicar porque eu vi os agentes guardando os jornais de campanha”, contou ela. Normalmente cada posto de saúde conta com seis a oito agentes comunitários.
O material anexado ao dossiê que o Sismuc tem em mãos inclui um vídeo feito por um servidor municipal num telefone celular comprovaria a irregularidade. O vídeo, recebido com exclusividade pela reportagem do Jornal do Estado, mostra uma reunião de campanha em horário de expediente. Depois da palestra, os servidores da limpeza pública e do meio ambiente ganharam um almoço, patrocinado por candidato a deputado estadual que integra a campanha de Beto Richa. “O candidato pediu voto e isso não pode. Ou será que todos os candidatos terão espaço para ir lá pedir voto para os servidores?”, questionou a diregente do Sismuc.
Outro candidato, só que a deputado federal, já convocou para esta semana todos os inspetores da Guarda Municipal para um jantar. “A gente orienta os servidores a não fazerem campanha no horário de expediente. É ilegal. O que deixa a gente indignada é que essas pessoas estão tentando se eleger e se forem eleitas não terão responsabilidade com as políticas públicas, porque elas não respeitam as políticas públicas. Estão usando dinheiro nosso para pagar campanha, para pagar os servidores. Usar dinheiro público é improbidade administrativa”, disse a sindicalista.
15/09/10 às 20:58 | Luciana Pombo
===============================
Ameaças veladas e campanha em troca de folga
O uso da máquina pública municipal em favor de Beto Richa também inclui contratação do pessoal de limpeza para cozinhar nos comitês de apoio ao tucano
Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), o uso da máquina pública municipal em favor de Beto Richa (PSDB) também inclui contratação do pessoal de limpeza para cozinhar nos comitês de apoio ao tucano. Alguns dos servidores que se envolvem em campanha recebem cerca de R$ 4 mil para trabalhar fora do expediente, outros trocam um dia de campanha no fim de semana por dois dias de folga por balançar a bandeira ou distribuir adesivo.
“O grande problema nem é o trabalho ou o uso da máquina administração. É a pressão. Os servidores estão sendo pressionados e tem medo de receberem demissão, caso não aceitem fazer campanha”, pontuou Alessandra de Oliveira.
A Prefeitura de Curitiba tem hoje 36 mil servidores ativos e inativos e 9 mil comissionados, terceirizados, estagiários ou contratados sem concurso público. Procurados pela reportagem do Jornal do Estado, nem a Prefeitura de Curitiba, nem a campanha de Beto Richa falaram ontem sobre as denúncias do Sindicato. As duas assessorias de imprensa informaram que “não se manifestariam sobre o assunto”.
Legislação – A Lei 9.504/1997 proibe os administradores e agentes públicos de cederem servidores públicos ou empregados da administração direta ou indireta, ou usar de seus serviços para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação durante o horário de expediente normal, a não ser que o servidor esteja licenciado. É vedada também a ameaça de demissão, perda de função ou cargo comissionado e ainda remoção compulsória por causa da campanha. Em casos de descumprimento, o candidato beneficiado pode ser punido com a cassação do registro da candidatura, nos termos do artigo 22 da Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar nº 67/1990). Em dez anos, mais de 700 políticos foram cassados por crimes eleitorais. A lista inclui seis senadores ou suplentes, oito deputados federais, seis governadores de Estado, 13 deputados estaduais ou distritais, 460 prefeitos ou vice-prefeitos e 207 vereadores. (LP)
15/09/10 às 21:02 | Luciana Pombo
================================
Richa nega uso da máquina pública em campanha
Segundo candidato, sindicato que denunciou pressão sobre servidores “não é confiável”
O ex-prefeito Beto Richa (PSDB), candidato ao governo do Estado, atribuiu ontem as denúncias de uso de servidores públicos na campanha da Coligação União Faz Um Novo Amanhã como uma tentativa de criar um fato político promovida por sindicalistas que apoiam outro candidato e, por isso, não são confiáveis. “Nenhum servidor público trabalha na minha campanha durante o expediente da Prefeitura. Fora do expediente, cada um é livre para fazer o que quiser, inclusive campanha”, disse ele, em entrevista à Rádio Band News. A afirmação foi uma resposta a denúncia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc) que está terminando um dossiê com documentos que comprovariam trabalho dentro do expediente e a pressão de terceirizados para aderirem à campanha. Beto alegou que a denúncia do sindicato não é confiável.
Esta semana, servidores da Unidade de Saúde do Vista Alegre teriam sido flagrados por ela colocando material de campanha de Beto Richa dentro das pastas de trabalho. “Eram agentes comunitários que fazem visitas nas casas das pessoas. O que eles estavam fazendo era campanha em horário de trabalho. Eu fui falar com a autoridade sanitária, que não me deu qualquer explicação plausível. E não tem mesmo como explicar porque eu vi os agentes guardando os jornais de campanha”, contou Alessandra Claudia de Oliveira, secretária de Imprensa e Comunicação do Sismuc.
O dossiê será protocolado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para abertura de uma ação de investigação judicial eleitoral. Dentro do dossiê consta um vídeo feito por um servidor municipal num telefone celular comprovaria a irregularidade. O vídeo, recebido com exclusividade pela reportagem do Jornal do Estado, mostra uma reunião de campanha supostamente feita em horário de expediente.
Laranjas — Na mesma entrevista, Beto disse que não se arrepende de ter dito que os professores que enviaram emails de campanha nos Núcleos de Educação para outro candidato eram “laranjas podres”. Ele disse foi mal interpretado e que não quis ofender a categoria. Beto atribuiu à campanha de Osmar Dias (PDT), adversário dele nestas eleições, a repercussão negativa da frase dele. “Essa gente está fazendo campanha suja, baixa e rasteira”, declarou.
16/09/10 às 21:03 | Luciana Pombo
================================
Osmar critica ataque de tucano a professores
Osmar vestia a camiseta laranja que os professores adotaram desde que o tucano Beto Richa os comparou a “laranjas podres”
O candidato do PDT ao governo, Osmar Dias garantiu ontem em encontro com 700 professores que em Maringá, que cuidará pessoalmente da educação pública do Estado, caso eleito governador. Osmar vestia a camiseta laranja que os professores adotaram desde que o tucano Beto Richa os comparou a “laranjas podres”.
“A educação no meu governo não será tratada pelo meu vice. Vai ser tratada por mim mesmo, o governador, porque é um assunto muito importante”, frisou Osmar. O candidato também disse que a Secretaria Estadual de Educação será assumida por alguém capacitado e oriundo da educação pública do Paraná. “Não vou escolher secretário antes de ser eleito governador. Mas será alguém que entenda as necessidades da educação porque virá do serviço público e terá diálogo com os professores”, disse. Na véspera, Richa afirmou que pretende nomear seu vice, o senador Flávio Arns (PSDB), como secretário, caso eleito.
Osmar também ressaltou que irá manter as conquistas que os profissionais alcançaram nos oito anos, como PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação), que oferece aos funcionários a oportunidade de se especializarem, concurso para os professores, Plano de Cargos e Salários, cursos profissionalizantes, além de implantar 700 escolas integrais até 2014.
“Sabemos que a educação deve ser suprapartidária. Mas também não somos ingênuos e sabemos que existem posturas e lados diferentes e Osmar é o lado que deu a garantia da continuidade dos projetos, que vai lutar pela educação pública de qualidade”, disse Yvelise Arco-Verde, secretária de Educação.
==================================
Pedetista faz desagravo a professores
Osmar Dias liderou desagravo aos professores chamados de “laranjas podres” pelo adversário Beto
Em comício que reuniu cerca de cinco mil pessoas em Campo Mourão na quarta-feira à noite, o candidato do PDT, Osmar Dias liderou desagravo aos professores chamados de “laranjas podres” pelo adversário Beto Richa. No centro da cidade, todos os candidatos e lideranças políticas, prefeitos, ex-prefeitos e vereadores usavam lenços de papel na cor laranja.
“Foi uma maneira de demonstrarmos toda a indignação da nossa comunidade, dos pais e mães, dos prefeitos, vereadores, líderes políticos e comunitários e a nossa solidariedade a todos os professores e professoras, aos servidores da educação, porque alguém que quer ser governador não pode, jamais, ser desrespeitoso com quem quer que seja, ainda mais com os que dedicam a vida a educar aos nossos filhos”, disse o prefeito Nelson Turek, de Campo Mourão.
Ao lado dele, outros 13 prefeitos e vices-prefeitos da região também usavam lenços da cor laranja, em apoio aos professores. Para Osmar, seu adversário “que sempre cita o pai, o ex-governador José Richa, que foi um bom governador, um homem de bom senso e diálogo, mostra que é um fruto que caiu longe da árvore, ao ofender os professores. Eu sou de um tempo em que o aluno tratava a professora com o mesmo respeito que dedicava à mãe, com o mesmo respeito com que tratava o pai. Se meu adversário age com arrogância e desrespeito ao professor em plena campanha eleitoral, imaginem o que seria no poder”, disse Osmar.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.bemparana.com.br.