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Governo estuda medidas para ampliar concorrência bancária

Banco Central estuda, em conjunto com o Ministério da Fazenda, duas novas medidas para ampliar a competição no sistema bancário. Uma delas é criar um instrumento que vai simplificar a transferência de recursos de um banco para o outro, o chamado DOC reverso. Outra é dar liberdade para o trabalhador escolher o banco em que recebe o salário.
O DOC reverso será dirigido para os correntistas que recebem rendimentos em um banco, mas têm preferência por trabalhar com outro. Pelo sistema atual, o cliente tem que dar a ordem de transferência de recursos para o banco em que recebe originariamente os rendimentos. O DOC reverso permitirá que a ordem de transferência do dinheiro seja feita a partir do banco destinatário dos recursos.
Exemplo: um trabalhador que recebe o salário no banco A tem que fazer um DOC todos os meses para que o dinheiro chegue ao banco B. Com o DOC reverso, esse cliente vai pedir que o banco B faça uma ordem ao banco A de transferência de recursos. A principal vantagem desse instrumento de transferência é que ele vai facilitar a vida dos correntistas, porque seu relacionamento, na prática, será com um só banco.
A medida que deverá ter maior alcance, entretanto, é a que permite que o trabalhador escolha o banco em que vai receber o salário. Hoje, já existem projetos sobre o assunto tramitando no Congresso; o BC está fazendo estudos jurídicos para checar se é possível instituir esse sistema por uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).
O diagnóstico do BC é que o sistema atual cria distorções e custos desnecessários. A administração de folhas de pagamento é vista pelos bancos como uma forma eficaz de ampliar sua base de clientes. Conscientes disso, Estados, municípios e empresas estão realizando leilões para escolher quem vai fazer o pagamento de suas folhas de pessoal. O ágio obtido nos leilões representa um custo, que acaba sendo bancado pelos clientes.
A liberdade para o cliente escolher o banco em que recebe o salário deverá inibir essa prática e, para o BC, não incentivando a migração em massa de clientes de um banco para o outro, o que poderia ter efeito desestabilizador. Os principais ganhos da medida advêm da simples possibilidade de trocar de banco, sem necessariamente se concretizar. Diante da ameaça de transferir o recebimento de salário para outras instituições, os bancos se mostram abertos a negociar com o cliente. Foi o que mostrou a experiência da conta investimento. (AR)
Fonte: VALOR ECONÔMICO

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Governo estuda medidas para ampliar concorrência bancária

Banco Central estuda, em conjunto com o Ministério da Fazenda, duas novas medidas para ampliar a competição no sistema bancário. Uma delas é criar um instrumento que vai simplificar a transferência de recursos de um banco para o outro, o chamado DOC reverso. Outra é dar liberdade para o trabalhador escolher o banco em que recebe o salário.

O DOC reverso será dirigido para os correntistas que recebem rendimentos em um banco, mas têm preferência por trabalhar com outro. Pelo sistema atual, o cliente tem que dar a ordem de transferência de recursos para o banco em que recebe originariamente os rendimentos. O DOC reverso permitirá que a ordem de transferência do dinheiro seja feita a partir do banco destinatário dos recursos.

Exemplo: um trabalhador que recebe o salário no banco A tem que fazer um DOC todos os meses para que o dinheiro chegue ao banco B. Com o DOC reverso, esse cliente vai pedir que o banco B faça uma ordem ao banco A de transferência de recursos. A principal vantagem desse instrumento de transferência é que ele vai facilitar a vida dos correntistas, porque seu relacionamento, na prática, será com um só banco.

A medida que deverá ter maior alcance, entretanto, é a que permite que o trabalhador escolha o banco em que vai receber o salário. Hoje, já existem projetos sobre o assunto tramitando no Congresso; o BC está fazendo estudos jurídicos para checar se é possível instituir esse sistema por uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O diagnóstico do BC é que o sistema atual cria distorções e custos desnecessários. A administração de folhas de pagamento é vista pelos bancos como uma forma eficaz de ampliar sua base de clientes. Conscientes disso, Estados, municípios e empresas estão realizando leilões para escolher quem vai fazer o pagamento de suas folhas de pessoal. O ágio obtido nos leilões representa um custo, que acaba sendo bancado pelos clientes.

A liberdade para o cliente escolher o banco em que recebe o salário deverá inibir essa prática e, para o BC, não incentivando a migração em massa de clientes de um banco para o outro, o que poderia ter efeito desestabilizador. Os principais ganhos da medida advêm da simples possibilidade de trocar de banco, sem necessariamente se concretizar. Diante da ameaça de transferir o recebimento de salário para outras instituições, os bancos se mostram abertos a negociar com o cliente. Foi o que mostrou a experiência da conta investimento. (AR)

Fonte: VALOR ECONÔMICO

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