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Gráfica estadunidense erra feio nas provas do Enem e põe a culpa nas ‘regras de segurança’; Presidente Lula volta a defender Enem, mas diz que prova pode ser refeita

Após cometer erros grosseiros na impressão de 33 mil cadernos de provas amarelas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com defeito de ordenamento e ausência de questões, a Gráfica RR Donnelley tentou jogar a culpa nas “regras de segurança” pelo ocorrido. Segundo a gráfica, de capital estadunidense, a impressão do material ocorreu “conforme previsão contratual, dentro dos mais rigorosos critérios de segurança e sigilo, evitando dessa forma o vazamento do conteúdo da prova”.

Para a Donnelley, o erro, que prejudicou milhares de estudantes que prestaram o concurso, está “dentro da normalidade técnica para esse processo industrial”.

O fato é que a monumental irresponsabilidade da Donnelley – e de quem no Ministério da Educação concordou com o tal “critério especial” que “impedia que elas fossem revisadas depois de impressas” -, fez com que fossem apresentadas aos estudantes questões divididas entre os cabeçalhos. Assim, no caderno da prova, as questões de 1 a 45 eram de ciências humanas e suas tecnologias e a de 46 a 90, de ciências natureza. No gabarito de respostas, os subtítulos estavam invertidos: com 1 a 45 de ciências da natureza e de 46 a 90 para ciências humanas e suas tecnologias.

O evidente descalabro, fruto da não observância de um procedimento elementar – a revisão – de qualquer processo gráfico, deixou aberta a porta para que a mídia reacionária, contrária à iniciativa democratizadora do Enem, destilasse tudo o que tem de mais podre contra o exame que tem facilitado o acesso dos estudantes mais pobres às faculdades particulares e universidades públicas.

Vale lembrar que em 2009, as provas haviam vazado da gráfica da “Folha de S. Paulo”, que foi corretamente afastada – por comprovada incompetência – da concorrência deste ano. E que o então governador José Serra aproveitou para sabotar o Enem, retirando as universidades de São Paulo do exame.

Após tirar da gráfica da “Folha” a incumbência de imprimir as provas do Enem, o MEC colocou no lugar o monopólio norte-americano, a RR Donnelley, fundado em Chicago, em 1864. Anos depois, passaria a imprimir as revistas Time e Life. Em busca do lucro máximo, como toda multinacional, estendeu seus tentáculos por Cingapura, Argentina, México, Chile e Brasil, a partir dos anos 1980. Em 2004, a Donnelley se fundiu com a Moore Wallace, formando maior complexo gráfico do mundo, com faturamento anual de US$ 7,2 bilhões e atuação em 30 países da Europa, Ásia e América Latina, além dos EUA.

Atualmente o Enem conta com 4,6 milhões de inscritos, com 47 mil vagas em universidades federais dependendo do seu resultado, que é critério para entrar no ProUni e que no próximo ano também será critério para receber financiamento do Fies.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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Órgão da PGR pede explicações ao Inep sobre falhas no Enem

Brasília – A Procuradoria-Geral da República (PGR) acaba de entrar na discussão sobre a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Gilda Carvalho, que coordena a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) – órgão vinculado à PGR – enviou um ofício solicitando informações ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a respeito das notícias de irregularidades no Enem divulgadas pela imprensa.

O pedido leva em consideração o acompanhamento do Enem feito pelo Grupo de Trabalho e Educação da PFDC e solicita esclarecimentos sobre os erros de impressão nos cartões de resposta e nos cadernos de prova. Também pede o esclarecimento do Inep sobre possíveis prejuízos que os estudantes podem sofrer, além das providências adotadas para repará-los. Por fim, questiona se essas providências dependerão de requerimento dos candidatos.

As respostas devem ser enviadas à procuradora no prazo de cinco dias corridos. Mais cedo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que era lamentável que os problemas relacionados ao Enem voltassem a ocorrer, mas disse desconhecer as implicações do caso porque outros órgãos do Ministério Público estavam encarregados disso. “Pode em algum momento esse assunto chegar ao procurador-geral”, afirmou.

Por Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil. Edição: Aécio Amado.

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Em nota, reitores se dizem confiantes no Enem

Brasília – A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou nota hoje (10) afirmando que mantém a confiança no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As provas aplicadas no último fim de semana foram anuladas pela Justiça Federal no Ceará após erros de impressão nas provas e folhas de respostas que prejudicaram alguns candidatos.

Para a entidade, o exame “seguirá avançando no seu processo de consolidação e aperfeiçoamento, para que se afirme como instrumento de acesso às nossas instituições e de balizamento para o ensino fundamental e médio”.

Pelo menos 83 instituições públicas de ensino superior – entre universidades federais, estaduais e institutos federais – vão utilizar o exame em seus processos seletivos para o primeiro semestre de 2011. Caso a prova tenha que ser refeita para todos alunos, como recomendou a Justiça Federal, haverá atraso na divulgação dos resultados e, consequentemente, no início do semestre letivo das universidades.

Os reitores dizem ter “toda expectativa” de que os problemas ocorridos na edição de 2010 serão “adequadamente resolvidos, sem prejuízo para o processo de seleção em andamento” e que as responsabilidades serão “devidamente apuradas”.

Por Amanda Cieglinski – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.

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PF diz que não há indícios de vazamento no Enem e que, por enquanto, não vai abrir inquérito

Brasília – A Polícia Federal informou que, por enquanto, não vai abrir inquérito policial para apurar o suposto vazamento do tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Juazeiro (BA). De acordo com o órgão, não existem, até o momento, informações suficientes para fundamentar a investigação.

Ontem (9), o delegado responsável pelo caso em Juazeiro, Alexandre Lucena, disse à Agência Brasil que a Polícia Federal no município investigava o vazamento e que o inquérito oficial seria aberto hoje (10). Lucena chegou a afirmar que os relatos colhidos apontavam que um grupo de pelo menos 30 estudantes teve acesso ao tema antes da prova e que temia que o alcance do vazamento pudesse ser maior. A reportagem da Agência Brasil não conseguiu entrar em contato com o delegado na manhã de hoje.

A história foi denunciada por um professor de um curso preparatório de Petrolina (PE), cidade vizinha a Juazeiro, a uma emissora de TV da região. Segundo ele, um grupo de estudantes o procurou horas antes do início das provas contando que sabiam qual era o tema da redação.

O Ministério da Educação (MEC) esclareceu que as provas da região do Sertão de São Francisco ficaram sob a guarda do 72º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército e só foram distribuídas na manhã do último sábado (7) e domingo (8), datas da realização do Enem.

“Não haveria possibilidade de estudantes terem acesso ao tema da redação na noite de sábado ou na manhã de domingo, porque o pacote de provas estava lacrado e foi aberto na presença dos estudantes”, afirmou o MEC, por meio de nota.

Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.

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Moçambique: Lula volta a defender Enem, mas diz que prova pode ser refeita

Maputo (Moçambique) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (10) que qualquer problema ocorrido nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não invalida os resultados alcançados e que o processo vai continuar. “O Enem é um exemplo de uma coisa bem-sucedida. Se tem problemas, vamos consertar”, afirmou. Lula falou com os jornalistas na Base Aérea de Malavane, minutos antes de deixar a capital moçambicana rumo à Coreia do Sul, onde participa da reunião do G20.

O presidente garantiu que a Polícia Federal vai investigar para saber o que ocorreu efetivamente no exame e que nenhum jovem vai ficar sem cursar a universidade. “Se for necessário fazer uma prova, faremos; se forem necessárias duas, faremos. Mas o Enem vai continuar a ser fortalecido. É isso.”

Sobre a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) de paralisar 32 obras públicas por irregularidades graves, Lula disse que o ato é uma questão administrativa. Do total, 18 são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O relatório foi entregue ao Congresso Nacional, que decidirá se aceita a recomendação.

“Se o TCU encontrou alguma irregularidade, na lógica dele, numa obra, pode ficar certo que o ministério atingido vai entrar com recursos e isso certamente será resolvido”, afirmou Lula. “No fundo, faz parte da normalidade administrativa do nosso país”.

Sobre a prisão de um dos chefes da Receita Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e mais 22 pessoas, por suspeita de fraudar importações, o presidente disse que o fato mostra a seriedade do trabalho da polícia brasileira. “Seja quem quer que seja – do presidente ao menor servidor público – só tem um jeito de não ser molestado: é andar na linha.”

No último compromisso antes de deixar Moçambique, o presidente Lula visitou as futuras instalações da fábrica de remédios antiaids, que está sendo montada com patrocínio do governo brasileiro. Depois de uma espera de sete anos, a primeira máquina foi instalada para treinamento.

A mineradora brasileira Vale anunciou que irá ajudar o governo moçambicano a completar o valor necessário (U$ 4,5 milhões, aproximadamente R$ 7,6 milhões) para a adequações do prédio que vai abrigar os laboratórios. O investimento do governo brasileiro foi de R$ 13,6 milhões. A meta é produzir 250 milhões de comprimidos até 2012.

A comitiva do presidente deixou Maputo logo depois do meio-dia, hora local (8h em Brasília). A aeronave fará uma escala para abastecimento nas Ilhas Maldivas e desembarca em Seul ao meio-dia de amanhã (11), pelo horário local.

Por Eduardo Castro – Correspondente da EBC na África. Edição: Talita Cavalcante.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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