Encontro Nacional de Secretárias e Secretários de Organização da CUT
Dirigentes CUTistas debatem política sindical da CUT e desafios do atual cenário de disputa sindical.
Na manhã desta terça-feira (24) teve início o Encontro Nacional de Secretários/as de Organização e Política Sindical da CUT que acontece no Hotel Comfort Downtown (Rua Araujo, 141), em São Paulo, e conta com a participação de dirigentes da CUT Nacional, das Estaduais e dos Ramos.
A primeira mesa, com a presença do secretário de Organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, debateu a política sindical da CUT e o desafio do atual cenário de disputa sindical. Neste sentido, Jacy falou sobre o processo de inserção do Plano de Ação Sindical (PAS) da CUT, iniciado em 2009 com previsão de finalização para abril de 2011, que exigiu das CUTs Estaduais e dos Ramos um esforço coletivo, mapeando gargalos e potenciais de crescimento, buscando a ampliação e fortalecimento de sua base e da organização sindical.
“Em 2010, as entidades evoluíram no processo organizativo. Mas o momento exige de nós ainda mais competência na organização da classe trabalhadora. Uma ação estratégica, que consiga ampliar a base de representação com qualidade, ou seja, conquistar novos sindicatos que de fato reconheçam o valor de estar na CUT”, exclama Jacy.
Já Marcelo Fiorio, secretário de Organização da CUT-SP, discorreu sobre o processo de disputas sindicais e as normas existentes no que diz respeito a organização sindical. Segundo Marcelo, o Brasil iniciou uma reforma sindical em 2004, sendo o marco a ratificação da Lei nº 11.648, de 2008, que reconhece legalmente as centrais sindicais como entidades de representação dos trabalhadores.
Também em 2008, o governo instalou a portaria 186, que representou um avanço na organização sindical, à medida que possibilita uma maior liberdade de organização sindical, especialmente na estrutura das Confederações e Federações. Mas para ele, o quadro ainda não é o ideal. “A partir disso, é preciso agora investir em formação sindical, no fortalecimento da militância, criando grupos capacitados para coordenar as eleições democráticas.”
CUT, a maior central sindical – Dados do Ministério do Trabalho de 2010 mostram que a CUT é maior central sindical do país, tendo 38,23% do total de representatividade. Em segundo, estão os sócios dos sindicatos que não são filiados a nenhuma central ou são filiados aquelas centrais que não alcançaram 5% de representatividade, com 21,59%. As outras cinco centrais juntas representam 40,18%. Se pegarmos a variação de reajuste entre os anos de 2009 e 2010, a CUT foi a central que mais cresceu.
“A CUT vem crescendo ano a ano, mas o cenário de disputas está cada vez mais acirrado o que nos obriga a investir em uma ação sindical mais eficiente. Precisamos fortalecer as oposições sindicais, tratar de maneira menos voluntariosa as eleições, atentando para as questões jurídicas envolvidas, se informar sobre os procedimentos para registro sindical, dar andamento aos processos de legalização das entidades e fazer investimentos em infraestrutura e novas tecnologias e garantir um processo constante de formação sindical”, finaliza Jacy.
A mesa teve coordenação da secretária de Organização CNQ-CUT, Lucineide Dantas.
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Por William Pedreira.
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Encontro de Organização e Política Sindical da CUT
Um estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas em fevereiro deste ano mostrou que em 2008, pela primeira vez na história desse país, o poder de consumo da Classe C, formada por famílias que ganham mensalmente entre R$ 1115 e R$ 4807, superou o das classes A e B e agora representam 46% da renda nacional.
Mesmo com a ascensão social de 31 milhões de brasileiros e a queda de 43% no grupo dos mais pobres, o Brasil ainda precisa enfrentar o desafio da desigualdade. Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), o país é o líder em desigualdade com 10% mais ricos concentrando 50,6% da renda.
Diante desse cenário, o secretário geral da CUT, Quintino Severo, ressaltou durante o primeiro dia do Encontro Nacional dos Secretários(as) de Organização e Política Sindical da entidade, nesta terça-feira (24), em São Paulo, a importância do programa CUT nas Ruas, por meio do qual a central tem visitado todo o país para divulgar a plataforma para as Eleições 2010, com proposta dos trabalhadores para ampliar a inclusão nos próximos anos. “A plataforma da CUT será nosso carro chefe na organização dos trabalhadores. Além de melhorar a média salarial e o conjunto de empregos, nossa missão é fazer a disputa de projeto para aprofundar o modelo de devolvimento que começamos a construir, independente de quem seja eleito para governar.”
O dirigente indicou também a necessidade do movimento sindical deixar de olhar o Brasil exclusivamente a partir dos centros urbanos. “Devemos pensar as peculiaridades culturais e econômicas presentes em cada região e temos a obrigação de cobrar políticas públicas para o campo como forma de acabar com a necessidade de migração em busca de trabalho”, disse.
Terreno da democracia – Secretário do Ministério do Desenvolvimento Agrário, José Humberto Oliveira, também tratou da necessidade de inverter a lógica das ações que acabam por favorecer as grandes metrópoles e falou sobre o Territórios da Cidadania. Em três anos de existência, o programa criado pelo governo Lula integra mais de oito mil organizações em 120 territórios que atuam diretamente no debate sobre a vida de municípios no interior brasileiro.
O objetivo da ação é formar espaços de diálogo que reúnem um conjunto de cidades de determinada região com características, necessidades e vocações semelhantes. A partir das discussões reunindo o pode público e entidades da sociedade civil nos colegiados, são definidas quais políticas públicas devem ser levadas e executadas pelo ministérios do governo federal.
Oliveira falou de questões práticas adotadas a partir da demanda de algumas regiões, como a construção de campos universitários e escolas técnicas e agrotécnicas com cursos adequados às demandas locais. Ele também citou a expansão de farmácias populares, que não chegavam a municípios com menos de 70 mil habitantes, e a assistência técnica a quilombolas que sequer eram visíveis aos olhos dos governos estaduais e federal.
Favela é mais barato – Para o secretário, é necessário que a classe trabalhadora participe mais ativimente dos territórios, seja pela integração aos colegiados, no caso das organizações representativas dos trabalhadores do campo, seja pelo fortalecimento da relação dos sindicatos urbanos com os rurais. “Não podemos esquecer que a atuação não se restringe a quem é do segmento agrícola. Precisamos levar em conta que algumas categorias como a de professores, de bancários e de funcionários públicos estão presentes em todos os pontos do país.”
José Oliveira acredita que a mobilização dos movimentos sociais é fundamental para manter viva a cultura brasileira. “Para a direita, quanto mais urbanizado ficam os espaços mais barato é para tratar dos pobres nos grandes centros. Custa menos urbanizar uma favela em São Paulo do que construir 50 mil moradias no ambiente rural, especialmente onde se deve levar em conta fatores como a distância em relação aos locais em que se produz o material de construção.”
O encontro continua nesta quarta (25).
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Por Luiz Carvalho.
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