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Por 18:15 Sem categoria

Intransigência do Banco do Brasil pode ocasionar primeira greve no Paraná

A intransigência demonstrada pela alta cúpula do Banco do Brasil pode ser o estopim da primeira greve da categoria bancária no Paraná. A possibilidade se tornou real com a indisposição do banco em manter aberto um canal de negociações com o Comando Nacional da Campanha Salarial, encabeçada pela Contraf-CUT, federações e sindicatos filiados. Na manhã de hoje (11), em Curitiba, a indignação tomou conta da categoria, com manifestações de trabalhadores bancários no BB, ligados ao movimento sindical.

Em frente ao prédio do Banco do Brasil na Praça Tiradentes, no centro da capital, o movimento sindical paralisou as atividades por aproximadamente uma hora. Cerca de mil trabalhadores bancários, lotados na instituição, acompanharam atentamente as declarações e orientações dos dirigentes da FETEC-CUT-PR e do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região. Pablo Díaz, diretor do Sindicato, foi um dos mais exaltados: “O Banco do Brasil está sob o comando de pessoas que simplesmente ignoram os trabalhadores; não podemos e não vamos aceitar essa intransigência”, bradou.

Até o mês passado, o BB havia “dispensado” mais de cinco mil trabalhadores (aposentadoria antecipada). São, em sua maioria, bancários com mais de 10 anos de carreira (contratados antes de 1998) e 50 anos de idade que optaram pela adesão ao Plano de Aposentadoria Antecipada. Por outro lado, o Banco do Brasil pretende chamar pouco mais de três mil bancários concursados para o atendimento nas unidades bancárias. Os novos trabalhadores são concursados de 2003, 2006 e 2007 de praticamente todo o país, cujo salário inicial é de R$ 856,50 reais mensais. Com a gratificação de 25%, eles receberão aproximadamente R$ 1.070.

A FETEC-CUT-PR, além de condenar a atitude da direção do Banco do Brasil, não aceita a substituição de dois trabalhadores por um. Para o movimento sindical, a medida vai comprometer a qualidade no atendimento à população, que por sua vez, será a maior prejudicada.

Ao contrário do BB, a Caixa Econômica Federal cumpre o seu papel de banco público. Com a definição, na semana passada da primeira rodada de negociações para o dia 10, os representantes da Caixa e dos trabalhadores bancários iniciaram ontem as primeiras discussões sobre os eixos de campanha no banco. Novas negociações já estão agendadas para o próximo dia 19. Enquanto isso, o Banco do Brasil prefere o silêncio e a omissão.

Marisa Stédile, trabalhadora bancária no Itaú e presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região relembrou os constantes processos de terceirização dentro do banco e alertou para uma privatização geral do BB no futuro. Desde 1994, o banco tem promovido processo de reestruturação. “Estamos indignados com a intransigência do banco que não cumpre o seu papel e ainda recusa-se a negociar com os trabalhadores”, afirmou.

Vale destacar que, ausentando-se do debate, o Banco do Brasil municia o movimento sindical bancário e agride um direito sagrado do trabalhador: o de lutar por melhorias nas condições de trabalho. Entre os temas que estariam em pauta na rodada que aconteceria hoje, estão: isonomia entre novos e antigos, adiantamento de férias para pagamento em dez vezes e férias de 35 dias e cláusulas de saúde e renováveis.

Preocupado com o dilema da isonomia entre os admitidos pré-98 e os pós-98, o Secretário de Formação e Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e representante da Comissão de Empregados do BB junto à FETEC-CUT-PR, Gilberto Reck falou para os trabalhadores do BB, sobre o projeto de lei 6259, que tramita na Câmara Federal e prevê a isonomia entre os trabalhadores bancários nos bancos públicos.

Segundo Gilberto, “a proposta é importantíssima para a categoria, pois vai de encontro à política neoliberal da atual administração e a qualquer projeto de privatização. Atualmente, o projeto está na Comissão de Trabalho. Tão logo passe pelas demais comissões (Constituição e Justiça e Finanças), irá ao plenário para ser apreciado e votado”.

Além da isonomia total entre os funcionários novos e antigos do Banco do Brasil, os trabalhadores querem o salário mínimo do Dieese (R$ 1.628) como piso na instituição, o pagamento de todas as horas-extras, o retorno do anuênio, a não terceirização do Sesmt (Serviço de Engenharia e Segurança de Medicina do Trabalho), a cobertura de eventuais déficits da Cassi e a criação de um grupo de trabalho sobre a saúde dos seus trabalhadores.


Por Edson Junior
FETEC-CUT-PR

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