4º Fórum das Redes Sindicais
Ao abrir nesta quarta-feira, em São Paulo, o 4º Fórum Nacional das Redes Sindicais em Empresas Multinacionais no Brasil, o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, sublinhou a “importância da luta política e ideológica para que seja dada conseqüência e consistência às ações sindicais de olho nas mudanças, trabalhando pela construção do nosso projeto histórico”.
“Não podemos nos acomodar aos êxitos obtidos ou à atual estrutura sindical, nem secundarizar o papel educativo da mobilização de base, da organização no local de trabalho, das denúncias contra os abusos de multinacionais como a Cargill ou a Philips. É no confronto, na luta política, que forçamos os avanços, pois o capital não é benevolente nem angelical. Por isso devemos ser cada vez mais a Central que não joga a toalha e briga pela construção de novas relações de trabalho, de um sistema de justiça social”, defendeu. O que está colocado, é aumentar o nível de organização e consciência da classe trabalhadora, frisou, a fim de “garantir cada vez melhores acordos coletivos, participação nos Conselhos de Administração das empresas, abrindo espaço para o máximo de avanços”.
Em sua intervenção sobre “A importância e os desafios das Redes Sindicais no cenário de globalização”, João Felício apontou o projeto CUT Multi, de ação frente às Multinacionais, como um importante instrumento, não só para a consolidação das redes, mas para fomentar a organização no local de trabalho, permitindo uma articulação estratégica entre as políticas dos diversos setores da Central e das confederações cutistas, fortalecendo a intervenção a nível internacional.
Parceria solidária
A contribuição dada ao projeto pela FNV (Federação Holandesa de Sindicatos) foi realçada como “fundamental” pelo dirigente cutista, sublinhando que “esta é uma parceria solidária, que tem compromisso político e de ação, e que nos ajuda a romper com o autoritarismo e a arrogância de algumas multinacionais”. “Esta solidariedade deve se estender pelo Continente, pois se no Brasil três ou quatro senadores ficam defendendo empresas como a Pagrisa, no Pará, onde os fiscais do Ministério libertaram 1.064 companheiros do trabalho escravo, na Colômbia de Uribe há empresas de alimentação financiando o narcotráfico para perseguir e assassinar trabalhadores. É preciso humanizar o mundo do trabalho”, destacou.
Na avaliação do dirigente cutista, a América Latina vive um novo momento com a existência de vários governos nacionalistas e democráticos que permitem superar amarras históricas e andar para frente. “Também vivemos uma fase mais positiva, mais avançada no movimento sindical latino-americano, o que nos permite olhar mais à esquerda, em projetos de maior abrangência”, declarou João Felício, ressaltando que mobilizações como a luta contra a Alca e os Tratados de Livre Comércio demonstram o imenso potencial do sindicalismo da região, bem como sua capacidade de articulação com os demais movimentos sociais.
Consolidação
Representando a FNV, Patrício Zambonino declarou que “o grande desafio colocado para o momento é a consolidar as redes, comunicando e difundindo amplamente o que já vem sendo feito, dando a conhecer no âmbito interno e externo”. Por isso, acrescentou, nos próximos três anos o projeto CUT Multi deverá contar com profissionais da comunicação para acompanhar as demandas das redes. “Quero dizer para vocês que contem conosco como parceiros deste processo, não só deste projeto. Pois se os projetos têm início, meio e fim, os processos que estamos promovendo com estas redes, incorporando novas práticas e uma nova estrutura sindical, vão continuar”, disse.
Em nome do Steel Works, organização que representa 800 mil metalúrgicos dos Estados Unidos e do Canadá, a norte-americana Caroline Kazdin agradeceu emocionada a solidariedade dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros da Rede Gerdau, que comprou uma empresa nos EUA mas se negava a negociar, fazendo tábua rasa dos acordos firmados. “A Gerdau fez um locaute, uma greve empresarial nos EUA, perdeu 14 milhões de dólares tentando quebrar o Sindicato. Foi justamente o apoio dos companheiros do Brasil, da CUT, dos metalúrgicos da rede Gerdau, que fez com que a empresa recuasse. No dia de ontem o nosso último Sindicato de base aprovou o acordo, o que nos emociona muito”, relatou Caroline, sublinhando que com o resultado, “a CUT está presente no Brasil, nos EUA e no Canadá”.
Por Leonardo Severo – leonardo@cut.org.br. Publicado: 03/10/2007 – 17:05
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.