Secretário sindical do PT: Reduzir juros, acelerar o desenvolvimento
Reeleito para a Secretaria Sindical Nacional do Partido dos Trabalhadores, João Felício defende “fortalecimento do papel do Estado com redução do elevado superávit primário”
O encontro da Secretaria Sindical Nacional do Partido dos Trabalhadores (SSN-PT), realizado em São Paulo, dia 17/05, reelegeu o professor João Antonio Felício para sua direção. Nesta entrevista ao HP, o líder petista faz uma rápida avaliação do evento e das propostas para o próximo período, enfatizando a “necessidade do fortalecimento do papel indutor do Estado, com a redução dos juros e do elevado superávit primário, para que o país afirme cada vez mais o caminho do desenvolvimento, com geração de emprego, redistribuição de renda e ampliação de direitos”.
Qual a avaliação do evento?
Pela amplitude da participação, envolvendo as principais lideranças sindicais petistas do conjunto dos Estados, o encontro teve uma importância inquestionável, afirmando nossa concepção de desenvolvimento, intimamente ligado com avanços sociais. Ao contrário da camisa-de-força privatista e neoliberal, defendemos um Estado indutor. Contamos com as presenças extremamente importantes do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que fez uma rica avaliação da conjuntura política-econômica e a relação com o movimento sindical; do companheiro Artur Henrique, presidente da CUT, que falou sobre a estratégia sindical e as lutas da classe trabalhadora; e do deputado José Genoino, que contribuiu com importantes elementos para uma análise estratégica da disputa contra a direita neoliberal. Do ponto de vista interno, o evento representou a coroação de um processo rico de debates e questionamentos, em que aprofundamos a nossa democracia e ampliamos a interlocução com os movimentos sociais. Por outro lado, nos fortalecemos politicamente para aprimorar insuficiências, como as carências de participação ainda existentes nas instâncias partidárias, onde temos reiterado a necessidade de uma relação mais intensa, de maior diálogo, entre os nossos governos e parlamentares com o pensamento dos ativistas. Esta sintonia não é apenas fundamental para termos resultados eleitorais positivos, mas para continuarmos construindo esta rica experiência de esquerda que é o PT.
Como está a relação dos sindicalistas do PT com o governo?
O movimento sindical pode ser uma “sementeira” de militantes que, no processo de embate político, crescem e se tornam lideranças partidárias e da sociedade como um todo, o que faz com que qualifiquem e ampliem a luta coletiva, ocupando espaços no executivo e no legislativo, porém mantendo o vínculo e o compromisso com a base. Nossa compreensão é que há um excesso de autonomia das nossas bancadas e o fato de se nortearem, muitas vezes, apenas pela lógica dos mandatos, em detrimento das demandas do Partido e da sociedade civil organizada, têm causado sérios prejuízos à conquista de direitos, combate às injustiças e à própria luta por uma sociedade mais justa e igualitária, socialista. Necessitamos, com urgência, vencer este distanciamento e voltarmos a ter uma atuação conjunta, coesa, colaborativa.
E a campanha Humanizar o Mundo do Trabalho?
É uma campanha muito positiva da SSN-PT, com o apoio das secretarias nacionais da Juventude, de Mulheres e Combate ao Racismo, de combate às discriminações e promoção de iniciativas para tornar mais humanas as relações de trabalho em nosso país. Seus eixos são a luta pelo fim do trabalho infantil e regularização do trabalho de adolescentes, pelo fim da superexploração do trabalho feminino, pelo fim da discriminação racial, por mais emprego, menos precarização, formalização das relações de trabalho e redução da jornada sem redução de salário.
Uma rápida análise do PAC…
Nosso entendimento é que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma ação governamental estratégica, pois coloca o Estado como indutor, tendo projetos significativos para o país, como os referentes à bioenergia – o exemplo do biodiesel e do etanol – intimamente ligados à reforma agrária e à agricultura familiar. Agora, para que seja efetivamente um programa de desenvolvimento nacional, acreditamos que as obras do PAC tenham que dialogar mais diretamente com o aspecto social, fixando metas de emprego e formalização do trabalho, com a participação das centrais sindicais no comitê gestor para acompanhamento dos projetos de investimento. Queremos estabelecer uma política creditícia que contemple a participação de todo o sistema bancário no financiamento dos projetos listados no PAC e aqueles dele derivados; que institua mecanismos que obriguem os bancos a reduzirem o spread e as tarifas bancárias; que ampliem e estendam o crédito direcionado para as empresas geradoras de emprego e, por extensão, renda aos trabalhadores. Propomos contrapartidas sociais como as que as centrais conquistaram recentemente nas obras da construção civil do PAC, onde 1,3 milhão de trabalhadores terão assegurada, além obviamente da carteira assinada, cursos de qualificação e aprimoramento com o conhecimento de direitos sociais e previdenciários. Este é um bom exemplo do que deve ser reproduzido para o conjunto das categorias, em todo o país.
Quais as prioridades da agenda da SSN-PT para o período…
Nesta disputa em defesa do papel do Estado, temos uma luta dura com a direita e seus meios de comunicação em temas cruciais como é o problema dos juros altos, do elevado superávit primário, que precisam ser reduzidos para acelerarmos o desenvolvimento, ampliarmos a geração de emprego e a redistribuição de renda. Precisamos enfrentar a blindagem da mídia sobre este assunto, que é tratado como dogma pelos neoliberais. Também estamos priorizando a defesa da Previdência pública universal, com ampliação de direitos e o fim do fator Previdenciário; a suspensão imediata dos leilões de petróleo e a ampliação do Conselho Monetário Nacional, democratizando as decisões sobre taxas de juros e investimento no país que, no nosso entendimento, não têm caráter apenas técnico, mas de opções de política econômica. Defendemos a taxação das grandes fortunas e heranças, encabeçando uma campanha de massas para buscar apoio de outros segmentos sociais, exigindo maior rigor na taxação do capital financeiro e para que a contribuição dos empregadores seja sobre o lucro, aumentando a arrecadação da Previdência, incentivando a formalização das relações de trabalho e a contratação de novos trabalhadores.
Por LEONARDO SEVERO.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.