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JORNADA DE TRABALHO DAS MULHERES CHEGA A 62 HORAS SEMANAIS

Cleide Carvalho – Globo On Line

SÃO PAULO – A pressão para aumento do tempo do trabalho remunerado gera problemas sociais e, no fim das contas, tem efeito negativo sobre a atividade econômica. A conclusão é de um estudo do professor Cláudio Dedecca, da Universidade de Campinas (Unicamp), que mostra a dupla jornada de trabalho feminina.

Feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o estudo mostra que 90% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam também afazeres domésticos. Apenas 40% dos homens fazem esse trabalho doméstico, que Dedecca denominou de “trabalho para reprodução social”, já que não é remunerado mas é vital para a sociedade, que não funciona sem ele.

De acordo com o estudo, as mulheres trabalham por semana entre 5 e 7 horas a mais do que os homens, incluindo aí o trabalho dentro e fora de casa. Enquanto os homens que realizam afazeres domésticos cumprem uma jornada de trabalho de 55 horas semanais (44 horas no mercado de trabalho e 11 horas em casa), as mulheres chegam a cumprir 62 horas. É o caso das mulheres que têm filhos até 15 anos de idade: elas cumprem 62 horas semanais de trabalho, das quais 38 horas no mercado e 24 horas em casa. As mulheres que não têm filhos também não escapam: trabalham 60 horas semanais, 22 delas em casa.

– Sem políticas públicas que amparem o trabalho feminino, a tendência é agravar os problemas sociais. Faltam creches e escolas em tempo integral e este não é um problema só das mulheres, é da sociedade – diz Dedecca.

Para o professor da Unicamp, especialista em mercado de trabalho, os sindicatos erram ao adotar mecanismos como “bancos de hora”, que permite o trabalho fora dos horários normais, inclusive aos sábados e domingos. Este tipo de flexibilização, adverte, cria uma “desorganização social”, a partir do momento em que nos fins de semana os filhos estão fora de creches e escolas.

– Ninguém ganha com a flexibilização, pois a tendência dela é dilapidar o trabalho. Ela não acaba em si, pois quando as empresa cortam custos e nivelam sua capacidade de competição elas buscam outras formas de cortar ainda mais. É um circulo vicioso e negativo, no qual as empresas estão em processo permanente de enxugamento. Ninguém ganha com isso, nem elas – afirma o professor.

Dedecca diz que a sociedade tende a analisar e estudar apenas o trabalho remunerado, mas se esquece que sem o “trabalho de reprodução social” ela não funciona.

– Os primeiros direitos trabalhistas surgiram na Inglaterra porque os trabalhadores já não tinham mais tempo de freqüentar a igreja. Sem isso, a ética protestante não teria continuidade – afirma.

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JORNADA DE TRABALHO DAS MULHERES CHEGA A 62 HORAS SEMANAIS

Cleide Carvalho – Globo On Line
SÃO PAULO – A pressão para aumento do tempo do trabalho remunerado gera problemas sociais e, no fim das contas, tem efeito negativo sobre a atividade econômica. A conclusão é de um estudo do professor Cláudio Dedecca, da Universidade de Campinas (Unicamp), que mostra a dupla jornada de trabalho feminina.
Feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o estudo mostra que 90% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam também afazeres domésticos. Apenas 40% dos homens fazem esse trabalho doméstico, que Dedecca denominou de “trabalho para reprodução social”, já que não é remunerado mas é vital para a sociedade, que não funciona sem ele.
De acordo com o estudo, as mulheres trabalham por semana entre 5 e 7 horas a mais do que os homens, incluindo aí o trabalho dentro e fora de casa. Enquanto os homens que realizam afazeres domésticos cumprem uma jornada de trabalho de 55 horas semanais (44 horas no mercado de trabalho e 11 horas em casa), as mulheres chegam a cumprir 62 horas. É o caso das mulheres que têm filhos até 15 anos de idade: elas cumprem 62 horas semanais de trabalho, das quais 38 horas no mercado e 24 horas em casa. As mulheres que não têm filhos também não escapam: trabalham 60 horas semanais, 22 delas em casa.
– Sem políticas públicas que amparem o trabalho feminino, a tendência é agravar os problemas sociais. Faltam creches e escolas em tempo integral e este não é um problema só das mulheres, é da sociedade – diz Dedecca.
Para o professor da Unicamp, especialista em mercado de trabalho, os sindicatos erram ao adotar mecanismos como “bancos de hora”, que permite o trabalho fora dos horários normais, inclusive aos sábados e domingos. Este tipo de flexibilização, adverte, cria uma “desorganização social”, a partir do momento em que nos fins de semana os filhos estão fora de creches e escolas.
– Ninguém ganha com a flexibilização, pois a tendência dela é dilapidar o trabalho. Ela não acaba em si, pois quando as empresa cortam custos e nivelam sua capacidade de competição elas buscam outras formas de cortar ainda mais. É um circulo vicioso e negativo, no qual as empresas estão em processo permanente de enxugamento. Ninguém ganha com isso, nem elas – afirma o professor.
Dedecca diz que a sociedade tende a analisar e estudar apenas o trabalho remunerado, mas se esquece que sem o “trabalho de reprodução social” ela não funciona.
– Os primeiros direitos trabalhistas surgiram na Inglaterra porque os trabalhadores já não tinham mais tempo de freqüentar a igreja. Sem isso, a ética protestante não teria continuidade – afirma.

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