Valor – Maria Christina Carvalho De São Paulo
Depois do Bradesco ontem foi a vez do Itaú avisar que está reduzindo a expectativa de aumento das operações de crédito devido ao fraco crescimento da economia neste início de ano.
A expansão projetada para o crédito recuou para 16% a 17% ao invés dos 20% anteriormente esperados. Isso não impediu o banco de fechar o primeiro trimestre com um lucro líquido de R$ 876,152 milhões e uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido de R$ 12,478 bilhões de 31,2%.
A carteira de crédito do Itaú diminuiu 3,52%, de R$ 46,39 bilhões em março de 2003 para R$ 44, 756 bilhões em março passado.
O presidente do banco, Roberto Setubal, minimizou essas contas ao informar que a redução da carteira ocorreu principalmente nas operações com grandes empresas, que têm várias alternativas de captar recursos e preferiram aproveitar a janela de oportunidade no mercado internacional.
“Já as operações de crédito para pequenas e médias empresas e de financiamento ao consumo, que refletem mais a situação da economia, tiveram um desempenho bom. Praticamente a única fonte de recursos para as pequenas e médias empresas é o setor bancário”, disse Setubal ao Valor. “Estou muito confiante no crescimento de 3,5% da economia”, acrescentou o banqueiro.
Enquanto as operações de crédito do Itaú-BBA, especializado no atacado, caíram 10%, de R$ 24,5 bilhões em março de 2003 para R$ 22 bilhões em março passado, os empréstimos para micro, pequenas e médias empresas tiveram uma expansão de 8% em um ano e de 11,7% no trimestre, atingindo R$ 7,9 bilhões em março passado, em comparação com R$ 7,3 bilhões no mesmo mês do ano anterior e de R$ 7 bilhões em dezembro.
A carteira de crédito para pessoas físicas cresceu 3,3% em um ano, de R$ 14,5 bilhões para R$ 15 bilhões em março passado, com destaque para a expansão de 13% dos cartões de crédito e de 5,7% do financiamento de veículos. O banco enfatizou esses negócios, até porque permitem um “spread” maior.
O diretor executivo de controladoria do Banco Itaú, Silvio de Carvalho, disse que, com a retração do mercado externo, as grandes empresas podem voltar a buscar recursos nos bancos mas o Itaú não espera que essas operações cresçam além de 8% no ano. Já as operações com micro e pequenas empresas devem aumentar em 25% e as típicas de varejo, cerca de 20%
Segundo a consultoria Economática, foi o quinto maior lucro trimestral do Itaú desde 1989, em valores ajustados pelo IPCA. As ações preferenciais do banco subiram 1,69% para R$ 240,50 em um dia em que o índice Bovespa subiu 1,41%. O resultado é 22,68% superior aos R$ 714,162 milhões obtidos no primeiro trimestre de 2003, que teria superado R$ 1 bilhão não tivesse o banco amortizado de uma só vez, como é sua política, os R$ 532 milhões pagos de ágio na aquisição do Banco Fiat.
Carvalho explicou o crescimento do lucro pelo aumento da receita de serviços e controle dos custos. Nas operações de intermediação financeira propriamente dita, o resultado caiu 14,53%, de R$ 2,602 bilhões no primeiro trimestre de 2003 para R$ 2,224 bilhões em igual período deste ano, apesar do aumento de 41,36% das receitas com operações de crédito, de R$ 1,644 bilhão para R$ 2,324 bilhões no mesmo espaço de tempo.
A redução dos juros afetou esses resultados. A margem financeira acabou diminuindo 18,18%, de R$ 2,965 bilhões para R$ 2,426 bilhões; e só não caiu mais porque a inadimplência menor abriu espaço para a diminuição das despesas com provisões para devedores duvidosos.
A inadimplência, calculada pela divisão do saldo das operações que deixaram de gerar receitas por atraso no pagamento pelo salto total da carteira foi de 4% no primeiro trimestre em comparação com 4,1% no trimestre anterior e 4,2% nos primeiros três meses do ano passado.
Com isso, as despesas com provisões foram reduzidas em 27,1%, de R$ 448,6 milhões para R$ 326,9 milhões – ou R$ 202 milhões líquidos das recuperações. O saldo das provisões, porém, ficou praticamente inalterado em R$ 3,103 bilhões, dos quais um terço excedente, isto é, acima do mínimo exigido.
O controle de despesas, disse Carvalho, concentra-se nas despesas administrativas. No entanto, elas cresceu mais (17%) do que as despesas de pessoal (4,2%) na comparação entre março de 2003 e março passado.
A receita com seguros e previdência cresceu 12,64% em um ano e as provisões técnicas, 73%
No mês passado, o Itaú escolheu seu comitê de auditoria, composto pela ex-diretora do Banco Central (BC), Tereza Grossi, como antecipou o Valor, Alcides Lopes Tápias e Carlos da Câmara Pestana.
Carvalho não quis comentar se o Itaú negocia a compra da área de administração de fundos do Mellon Brascan, alegando que não se pronuncia a respeito de “rumores de mercado”. Disse, porém, que o banco está aberto a estudar as “oportunidades que aparecem” e que “atualmente não estuda nada”.
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