Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, ontem à noite (23/12), seu último pronunciamento à nação como ocupante do Palácio do Planalto. Em um discurso de sete páginas, Lula apresentou um balanço de seus oito anos de governo.
Ao longo de seus dois mandatos, destacou ele, foram criados 15 milhões de empregos, o salário mínimo teve ganho real de 67%, a oferta de crédito alcançou 48% do Produto Interno Bruto (PIB) e as reservas internacionais somam quase US$ 300 bilhões, dez vezes mais do que quando assumiu o governo.
Lula afirmou que, durante seu governo, os investimentos na agricultura cresceram oito vezes e, com isso, cerca de 600 mil famílias foram assentadas. O presidente também salientou a importância de programas como o Minha Casa, Minha Vida, que construiu 1 milhão de moradias, e o Luz Para Todos, que levou energia elétrica a mais de 2 milhões de pessoas e 600 mil pequenas propriedades.
Em oito anos, disse Lula, os investimentos em educação foram triplicados e 214 escolas técnicas federais foram inauguradas. “Mais do que foi feito em 100 anos”, afirmou. Além disso, 14 universidades e 126 campi universitários foram implantadas no país. O presidente também destacou o Programa Universidade para Todos (ProUni), que beneficiou 750 mil jovens de baixa renda.
Para Lula, durante seu governo houve “a maior ascensão social de todos os tempos”. De acordo com ele, 28 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza e 36 milhões entraram na classe média. O presidente também ressaltou a quitação da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e afirmou que agora é o Brasil quem empresta dinheiro à organização internacional.
Com uma marca histórica, o presidente encerra seus oito anos de governo com 80% de aprovação (87% pessoal) e no próximo dia 1º de janeiro, ele transmitirá o cargo à presidenta eleita Dilma Rousseff. Segundo Lula, Dilma será uma presidenta “à altura deste novo Brasil”.
“A minha maior felicidade é saber que vamos ampliar todas estas conquistas. Minha fé se alicerça em três fundamentos: as riquezas do Brasil, a força do seu povo e a competência da presidenta Dilma. Ela conhece, como ninguém, o que foi feito e como fazer mais e melhor”.
Por Daniella Jinkings – Repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.
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Lula relembra trajetória em último discurso como presidente da República
Brasília – Durante seu último discurso como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva despediu-se da nação brasileira relembrando sua trajetória de vida até o cargo mais importante do país. Segundo ele, o desenvolvimento do país foi uma conquista coletiva e seu mérito, como governante, foi “haver semeado sonho e esperança”.
“Meu sonho e minha esperança vêm das profundezas da alma popular. Do berço pobre que tive e da certeza que, com luta, coragem e trabalho, a gente supera qualquer dificuldade. Agora, estamos provando ao mundo, que o Brasil tem um encontro marcado com o sucesso. Mostramos que é possível governar para todos”.
Para ele, o Brasil venceu o desafio de crescer econômica e socialmente e provou que a “melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza”. Lula afirmou que os oito anos de seu governo foram de luta, desafios e conquistas e pediu aos brasileiros apoiassem à nova presidenta, Dilma Rousseff.
“Dentro de poucos dias, deixo a Presidência da República. Com muita alegria, vou transmitir o cargo à companheira Dilma Rousseff, consagrada nas urnas em uma eleição livre, transparente e democrática. Um rito rotineiro neste país que já se firmou como uma das maiores democracias do mundo”.
Em tom de despedida, o presidente agradeceu à confiança da nação brasileira e afirmou que sairá do governo para “viver a vida das ruas”. “Agradeço a vocês por terem me ensinado muitas lições. Homem do povo que sempre fui, serei mais povo do que nunca, sem renegar o meu destino e jamais fugir à luta.”
No entanto, ele evitou falar sobre o que fará após deixar a presidência. “Não me perguntem sobre o meu futuro, porque vocês já me deram um grande presente. Perguntem, sim, pelo futuro do Brasil e acreditem nele. Minha felicidade estará sempre ligada à felicidade do meu povo”.
Por Daniella Jinkings – Repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.
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Movimento negro reconhece avanços, mas diz que expectativa com governo Lula era maior
Brasília – Os oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxeram avanços para a questão racial, na opinião do movimento negro, mas alguns resultados poderiam ser melhores tendo em vista as expectativas geradas com a chegada do primeiro trabalhador à Presidência da República.
“De fato existia uma expectativa da população negra com a eleição do Lula”, afirma Vanda Pinedo, coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado (MNU) ao manifestar frustração com a recente aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e com o desempenho da titulação de terras quilombolas. “O estatuto traz o que traz a Constituição. Nós precisamos de desdobramento para que, de fato, a política aconteça”, assinala.
Ela cita, entre os exemplos de políticas que deveriam receber mais incentivo, a titulação de terras quilombolas. “Uma das maiores políticas que poderia ser desenvolvida no governo Lula é a questão da terra, porque terra é dignidade, poder, visibilidade, autonomia, renda, cultura e respeito aos ancestrais. A terra tem todo esse conteúdo para o povo negro do Brasil”, afirma. Segundo dados da Presidência da República, 126 comunidades ganharam o título de suas terras desde 2003, menos de 10% das 1.527 certificadas pela Fundação Palmares como áreas quilombolas.
Vanda Pinedo reconhece que o governo lidou com “uma demanda de 500 anos” e que é difícil “dar conta de tudo em apenas oito”. De acordo com ela, além das demandas históricas, o governo teve de enfrentar resistência de alguns grupos de interesse, como é o caso, por exemplo, da ação que o partido Democratas (DEM) move no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto do governo que regulamenta a titulação de terras quilombolas.
Além dessa ação, o partido de oposição é autor de mais duas no STF, contrárias aos interesses do movimento negro: uma contra a política de cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB) e outra contra as cotas do Programa Universidade para Todos (ProUni), que financia estudantes nas faculdades privadas. Segundo balanço do governo Lula, 38 universidades públicas federais e 32 universidades públicas estaduais têm programas de cotas.
Para José Antônio Santos da Silva, da organização não governamental União de Negros pela Igualdade (Unegro), a resistência às políticas afirmativas e de inclusão são ligadas ao preconceito racial. “O racismo sempre existiu. Ele sempre foi uma questão mascarada pela elite brasileira. Eu tenho amigos negros, mas não aceito que um negro sente num banco de universidade comigo, isso não é racismo?”, pergunta. “O que precisa olhar é que com o processo de titulação de terra das comunidades quilombolas vamos dar oportunidade para que essa população negra e pobre, que trabalha na agricultura, acesse o auxílio financiado pelo orçamento público. E é isso que as elites brasileiras não querem”, afirma.
Na avaliação do ativista, o governo Lula alcançou 30% das demandas do movimento negro. “Para quem nunca teve um avanço positivo nas políticas afirmativas, é algo satisfatório.” Ele espera que o governo da presidenta eleita, Dilma Rousseff, ouça “as bases” do movimento.
Para que os negros tenham mais espaço, Vanda Pinedo recomenda a articulação política e a mobilização do movimento. “Penso que vai ser um governo de bastante mobilização social e de bastante disputa”, prevê.
Por Gilberto Costa – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
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Tratado como ídolo, Lula apresenta Dilma a catadores e moradores de rua
São Paulo – Nos anos 1990, era um lugar comum simplificar os motivos por que o Brasil não dava certo à falta de um ídolo aos mais jovens. Essa ausência, diziam os entendidos da época, tinha um grave reflexo sobre as perspectivas dos brasileiros e sobre o planejamento do futuro. Se esse problema realmente existiu, eis um lugar comum que desaparece neste 2010. Ao despedir-se dos compromissos oficiais em São Paulo nesta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o raro privilégio – talvez se possa dizer inédito – de um chefe de Estado que sai nos braços do povo.
A festa de Natal com moradores de rua e catadores de materiais recicláveis figura entre os eventos que contaram com a presença de Lula em cada um dos oito anos de mandato – e agora com a promessa de que Dilma Rousseff, a presidente eleita, continuará a frequentar a celebração. Em 2010, o ato encerra a Expocatadores, um evento de debates sobre políticas públicas para coleta seletiva e reciclagem promovido por movimentos de catadores com patrocínio de empresas estatais.
Na edição deste ano, como nas demais, nenhum esforço da equipe de segurança foi capaz de conter a empolgação dos mais de dois mil presentes à cerimônia. O presidente, com olhos recorrentemente marejados, tampouco parece se incomodar com as dezenas de abraços de quem dribla o aparato da Presidência. São muitos os presentes, fotos, camisetas, recortes de jornal, cartas e todo tipo de lembrança que possa ser entregue ao presidente na esperança de que uma recordação seja especial entre tantas.
Quem propalava o lugar comum idolátrico da década de 1990 queixava-se que os únicos brasileiros admirados pelos jovens e pelo mundo diziam respeito ao esporte: Pelé e Ayrton Senna. Fosse, pois, um treinador de futebol, Lula estaria deixando o time com uma excelente avaliação dos atletas e da torcida, com um pedido de “vê se dá notícias”, com o gosto de uma despedida forçada.
De todo modo, seguindo na metáfora futebolística – em estilo que tanto agrada ao presidente –, fica em seu lugar a treinadora indicada por ele. Dilma Rousseff demonstrou que sabe conquistar o grupo. No primeiro contato com os jogadores, anuncia que vai herdar do atual comandante alguns de seus hábitos, como o de passar o Natal na companhia do time. “É um símbolo do meu compromisso com vocês de construir esse caminho que o presidente abriu.”
Sem esconder segredos, Lula conta como conquistou o apoio do elenco: “Quando é que se imaginou que o presidente do BNDES viria a um encontro com catadores de papel? Jamais. (…) Essa quantidade de ministros, a Fundação Banco do Brasil. Dois presidentes de uma vez só. O entrante e o sainte”, diverte-se.
Se fosse mesmo futebol, algum comentarista de televisão acrescentaria que Lula é um técnico que sabe falar a linguagem do boleiro. Mas, como é um presidente, mais fiel é o retrato dado pela população. “A matemática antes era muito simples: se não havia contagem (da população de rua), então não havia população de rua, e portanto não precisava de políticas públicas”, pensa Maria Lúcia Santos Pereira, representante do Movimento Nacional da População de Rua, que considera que finalmente acabou a invisibilidade social desse grupo.
Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete da Presidência da República, lembra que, infelizmente, algumas administrações municipais hesitam em permitir que catadores e moradores de rua sejam vistos como cidadãos. “Não é possível que o poder público não encontre uma resposta para o problema dessas pessoas. É a mentalidade geral do governante brasileiro. Para aquele que aparentemente só incomoda (o poder público), você tenta tirar da rua, mandar para a prisão, tenta de alguma forma fazer desaparecer.”
A cada Natal, uma série de acordos são assinados nesta cerimônia. Sempre numa quadra ou num galpão lotado, gente do Brasil inteiro vibra a cada avanço que se consegue. Em 2009, a boa notícia foi a assinatura do Plano Nacional da População de Rua. Este ano, foram implementadas algumas das políticas previstas no plano, além da assinatura da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Programa Pró-Catador. Ficou para terça-feira (28) a assinatura de Medida Provisória que dá incentivos tributários aos empresários que comprem materiais recolhidos por catadores.
“Lula é trabalhador, humano, uma pessoa que sofreu e que conseguiu manter a personalidade”, resume o artista plástico Ubiratan Freire, de 57 anos. Nesta festa, regada a calor e a bom humor de fim de ano, Lula é aplaudido como sempre, mas ovacionado de uma forma especial, quase caótica, eufórica, assustadora.
A alegria de quem se despede. “A rua cata, a rua canta e encanta com luta” e “A luta é boa, a luta é dura, mas continua”: são as frases pintadas no painel do evento. Uma síntese dos sentimentos do dia. Lula deixa a Presidência, o povo segue sua luta de sempre, e fica em companhia de alguém em quem confiar. Se Dilma será, no próximo Natal, tão idolatrada quanto o antecessor, é difícil prever.
À medida que vai deixando de ser presidente, por outro lado, Lula volta ao nível dos humanos. “O compromisso que tenho com vocês não é porque eu era o presidente. É o compromisso de um ser humano, de um brasileiro que sabe a importância que vocês têm”, diz o presidente. Sempre que se faz humano, Lula se faz ídolo.
Por: João Peres, Rede Brasil Atual. Publicado em 23/12/2010.
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A catadores e moradores de rua, Lula afirma que Dilma continuará políticas
São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve nesta quinta-feira (23) seu último encontro de Natal com catadores e moradores de rua, em São Paulo. No evento, afirmou que o tratamento dado a essa população precisa ser de “amor” e não de “caso de polícia”, além de garantir que Dilma Rousseff, a presidente eleita, tem compromisso com o setor.
“O problema do Brasil é que muita gente continua agindo como agia 20 anos atrás, sem se dar conta de que o país mudou”, disse Lula. “Essas pessoas aprenderam a entender que também tem os seus direitos e ter a cabeça erguida. Que morador de rua não é caso de polícia e sim de amor”, acrescentou.
Lula prometeu ainda que Dilma manterá os mesmos programas e promoverá avanços na área. “É com muito orgulho que eu termino o meu mandato, na antevéspera de Natal junto com vocês, assim como comecei, em 2003”, disse. “O que dá certo é ir maturando e conquistando aos poucos, se criasse por decreto não funcionaria”, afirmou o presidente.
Por: Jéssica Santos de Souza, Rede Brasil Atual. Publicado em 23/12/2010, 14:00. Última atualização às 18:25
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24/12/2010 – 07h33
Em despedida, Lula infla dados do governo na TV
No seu último e mais longo pronunciamento em rede nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se despediu dos brasileiros elencando uma série de dados inflados sobre a sua gestão.
O discurso, de 11 minutos, foi ao ar ontem às 20h. Nele, o petista afirma que o salário mínimo no seu governo teve ganho real de 67%, cifra mais modesta do que os 74% citados pela presidente eleita Dilma Rousseff durante a campanha para o Planalto, mas também enganosa.
De 2003 a 2010, o mínimo teve oito reajustes, que ao todo chegaram a 53,5% acima da inflação acumulada.
Na campanha de 2002, Lula havia prometido duplicar o poder de compra do mínimo em quatro anos.
Ao falar sobre educação, o presidente também citou dados distorcidos sobre o Orçamento, afirmando que o gasto na área triplicou. Para chegar a esse resultado, o presidente ignorou a inflação acumulada no período.
O presidente também repetiu discurso propalado pelo Ministério da Educação segundo o qual foram criadas 14 universidades federais em seu governo. Dessas, apenas cinco são de fato novas. As demais são resultado de ampliação, fusão ou desmembramento de instituições de ensino que já existiam.
Ao falar sobre pobreza, o presidente disse ter promovido “a maior ascensão social de todos os tempos”.
Não há estatísticas que compreendam períodos mais remotos, mas estudo de Sonia Rocha publicado em 2000 pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calculou que a proporção de pobres na década de 1970 caiu praticamente à metade, de 68,3% para 35,3%.
Com outra metodologia, o pesquisador Marcelo Néri, da FGV, estimou a queda da participação das classes D e E na população de 55% em 2003 para 39% em 2009.
ONDA DE FRACASSO
Além de elencar feitos do governo, Lula afirmou que os brasileiros conseguiram afugentar “a onda de fracasso que pairava sobre o país”.
“Se governamos bem foi, principalmente, porque conseguimos nos livrar da maldição elitista que fazia com que os dirigentes políticos deste grande país governassem apenas para um terço da população”, afirmou, criticando seus antecessores.
Lula também pediu que os brasileiros apoiem Dilma como o apoiaram e que não perguntem sobre o futuro dele. Em tom emocional, diz que vai viver “a vida das ruas”.
O pronunciamento foi gravado na segunda-feira na biblioteca do Palácio da Alvorada. A fala foi escrita pelo publicitário João Santana, que fez a campanha de Dilma, e revisada pelo ministro Franklin Martins (Comunicação) e pelo próprio Lula, que também deram sugestões.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www1.folha.uol.com.br/poder/850434-em-despedida-lula-infla-dados-do-governo-na-tv.shtml