Em entrevista ao podcast Meteoro nesta quarta-feira (5), o presidente Lula explicou o conflito diplomático com os EUA deflagrado após a retirada do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Após uma sequência de ataques dos EUA ao Brasil e à soberania do nosso país, o governo americano decidiu revogar o visto da diplomata brasileira. O governo Lula respondeu com reciprocidade, e não vai reconhecer as credenciais do novo embaixador americano no país. O Palácio do Planalto anunciou que adotará medidas de reciprocidade e, em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, classificou as justificativas americanas como “falsas”, acusando a administração Trump de tentar interferir na próxima eleição presidencial brasileira por razões ideológicas.
Lula explicou, em detalhes, a linha do tempo dos fatos na relação entre Brasil e EUA.
“Eu entreguei a Trump, na última reunião que tive com ele, um pedido para que liberasse as 11 autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos Estados Unidos. Entre elas, estão um ministro da Suprema Corte, o advogado-geral da União e o ministro da Saúde. Ele não atendeu ao pedido. Depois, fiquei sabendo da notícia de que dois jovens viriam para cá para se intrometer, fiscalizar e investigar a situação brasileira. O Itamaraty, corretamente, negou o visto a eles”, afirmou Lula.
“Os Estados Unidos não dão importância ao embaixador no Brasil, porque há um ano e meio não enviam um representante para cá. Agora, tentam enviar um e acham que temos a obrigação de marcar a data que eles querem. Isso não é correto nem possível. Nós queremos ser tratados com respeito”, afirmou o presidente.
Interferência dos EUA nas eleições brasileiras
O presidente também comentou a possibilidade de interferência dos EUA no processo eleitoral e aproveitou para defender a integridade do sistema de votação brasileiro.
“Não é aceitável que alguém pense que pode se intrometer de fora para influenciar ou disputar as eleições no Brasil. Se quiserem fazer isso em outro país, que façam. Aqui, não farão.
Se o secretário de Estado quiser vir ao Brasil para fazer discurso pro meu adversário, pode vir. Isso, inclusive, seria positivo. Mas, se vier para fazer discurso ou interferir no processo eleitoral, quero derrotar todos eles de uma vez nas urnas”, afirmou Lula.
Com todo o respeito, não costumo fazer bravatas. Quem manda no nosso país é o povo brasileiro. Quem governa este país sou eu. E quem disputa as eleições no Brasil são os brasileiros. Qualquer brasileiro pode disputar.
Veja o vídeo:
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Texto: Yuri Ferreira
Fonte: Revista Fórum