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Lula na Record: presidente defende reforma do Judiciário, cobra Flávio Bolsonaro sobre Master

Em entrevista ao Jornal da Record nesta terça-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma reforma profunda no Poder Judiciário, cobrou explicações do senador Flávio Bolsonaro sobre os R$ 65 milhões recebidos do Banco Master e afirmou que a aprovação da PEC da Segurança vai permitir dobrar o efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Lula também comparou seu governo ao período Bolsonaro, que classificou como “Era da Mentira”, e chorou ao comentar o risco de o Brasil adotar políticas econômicas semelhantes às da Argentina. Confira os principais trechos da entrevista de Lula na Record com a TVT News.

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da Record nesta terça-feira (15), conduzida pelos jornalistas Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro.

Durante cerca de 30 minutos, Lula abordou temas como segurança pública, reforma do Judiciário, saúde, educação, proteção às mulheres e a comparação com o governo anterior. A entrevista abriu o ciclo de sabatinas da emissora com os candidatos à Presidência da República.

Principais pontos da entrevista de Lula na Record

  • Com a aprovação da PEC da Segurança, Lula vai ampliar efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal
  • Presidente enfatiza conquistas do SUS, como 15 milhões de cirurgias eletivas em 2025 e tratamento de câncer em até 30 dias
  • Lula reforça compromisso com a proteção das mulheres e cita o Pacto da Mulher lançado em fevereiro
  • Lula detalha recuperação do país herdado dos Bolsonaros e classifica gestão anterior como “Era da Mentira”
  • Lula projeta Brasil com inclusão, educação e tecnologia para o futuro, com retorno do Ciência sem Fronteiras
  • Presidente defende apuração de tudo o que for necessário na relação de integrantes da Suprema Corte com o Master e reforça compromisso com uma reforma no Judiciário

Lula vai ampliar efetivos de PF e PRF

O presidente Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso Nacional. Segundo ele, a proposta vai permitir ampliar a participação da União no combate à criminalidade e estabelecer as atribuições dos governos federal, estaduais e municipais na área.

“O meu pessoal do Tesouro e o ministro da Fazenda vão ter que se preparar, porque, para fazer segurança pública, será preciso dobrar o efetivo da Polícia Federal, investir mais em inteligência e dobrar o número de agentes da Polícia Rodoviária Federal. O Brasil tem 18,6 mil quilômetros de fronteira seca.”

Lula anunciou ainda que vai lançar, na próxima sexta-feira (18), um plano de segurança pública para o Rio de Janeiro, em parceria com o governo estadual e a Prefeitura da capital. A iniciativa buscará combater a atuação de traficantes e o contrabando de drogas e armas nas periferias.

“Nós vamos fazer uma primeira experiência no Rio de Janeiro, sexta-feira. Eu vou lá com o governador anunciar um plano entre o governo federal, o governo estadual e a prefeitura.”

Lula cobra Flávio Bolsonaro sobre ligação com o Master

Durante a entrevista, Lula chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de “ladrão” e cobrou explicações sobre os R$ 65 milhões que ele teria recebido do Banco Master. O presidente questionou como o filho do ex-presidente pode pedir a punição de ministros do STF enquanto seus próprios bolsos estariam cheios de dinheiro supostamente ilícito.

“Eu vi aquele cara de pau do filho do Bolsonaro na TV cobrando punição ao Alexandre de Moraes. Cara, você também pegou dinheiro do Banco Master! A fonte do suposto dinheiro ilícito para o Moraes é a mesma do seu. Você pensa que é quem? É melhor do que quem? Está acima da lei? Como você pode pedir a prisão de ministros se seus bolsos estão cheios de dinheiro roubado?”

Lula também defendeu a abertura de todas as informações necessárias para esclarecer as suspeitas envolvendo não apenas integrantes do STF, mas também outras pessoas como Flávio Bolsonaro. As informações sobre a investigação do senador nos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas só puderam vir a público depois de muita pressão.

“Chega! Esse país tem que passar por um choque de moralidade. Chega de putaria, chega de coisas obscuras!”

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Lula na Record defende apuração sem distinção no STF, cobra explicações de Flávio Bolsonaro e anuncia plano de segurança – Foto: Ricardo Stuckert.

Lula defende reforma do Judiciário

Lula defendeu uma reforma profunda no Poder Judiciário durante a entrevista. Segundo o presidente, é preciso discutir os critérios de escolha dos ministros do STF, a duração dos mandatos e as regras aplicadas a outros órgãos da Justiça.

“Eu acho que nós temos que ter uma reforma profunda no Poder Judiciário.”

O presidente também defendeu critérios de moralização no Judiciário e afirmou que ministros não podem usar seus cargos para enriquecer.

“Quem for ministro ou quem estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico.”

Lula mencionou ainda a necessidade de discutir situações em que familiares de integrantes da Justiça atuam na advocacia, defendendo regras mais claras para evitar conflitos de interesse e desconfiança.

“Não tem trégua. É preciso investigar todos, sem distinção.”

O presidente citou o ministro André Mendonça, do STF, afirmando que ele mantinha informações sob sigilo e “soltava só o que interessava a ele”. Agora, segundo Lula, tudo pode ser aberto para a sociedade saber quem estava envolvido.

“Aquilo que o Mendonça guardava como segredo de Estado e soltava só o que importava para ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade para saber quem estava metido nisso.”

Lula também se dirigiu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmando que ele tem agora a responsabilidade de esclarecer os fatos.

“O Fachin tem agora a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte. E quem fez algo tem que ser punido, tem que ser julgado.”

Lula chora ao pensar no Brasil com o mesmo futuro da Argentina, como quer Flávio Bolsonaro

Em um dos momentos mais emotivos da entrevista, Lula chorou ao comentar a possibilidade de o Brasil adotar políticas econômicas semelhantes às da Argentina, como defendido por setores ligados a Flávio Bolsonaro. O presidente relatou que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, mostrou a ele uma declaração de uma integrante da campanha do senador.

“Ontem a Janja me mostrou que uma senhora que se diz chefe econômica da campanha do Flávio disse que, se eles ganharem, vão aplicar no Brasil as políticas econômicas do Milei. Como assim? Vocês vão botar a sociedade brasileira para comer carne de jumento?”

Lula detalhou os impactos das políticas do presidente argentino Javier Milei, mencionando o corte de aposentadorias, o aumento da mortalidade infantil e a falta de recursos para a educação.

“Na Argentina estão comendo carne de jumento porque as pessoas não têm dinheiro para comprar carne. Lá, o Milei cortou aposentadoria de idosos de 80 anos, que hoje moram na rua, comem lixo e estão morrendo com depressão. Cortou o dinheiro da educação e tem universidade sem água para os alunos beberem. A mortalidade infantil aumentou porque as mães não têm o que dar para os seus filhos comerem.”

O presidente se emocinou nessa parte da entrevista, questionando se os brasileiros permitiriam que o país seguisse esse caminho.

“Eu fico emocionado falando sobre isso porque parece uma loucura. Não é possível que os brasileiros estejam tão cegos de ódio que queiram fazer seus irmãos comerem lixo.”

Lula na Record enfatiza conquistas do SUS

Lula destacou as conquistas do Sistema Único de Saúde (SUS) durante seu governo, contrapondo-as à gestão anterior. O presidente afirmou que o SUS realizou 15 milhões de cirurgias eletivas em 2025 e implementou um sistema para tratamento rápido do câncer, garantindo início em até 30 dias após a detecção.

“O SUS também implementou um sistema para tratamento rápido do câncer, garantindo início em até 30 dias após a detecção. Atualmente, 150 carretas circulam pelo país realizando exames gratuitos, principalmente para detectar precocemente o câncer feminino. Além disso, equipamentos modernos para radioterapia estão sendo instalados em todos os estados brasileiros, assegurando acesso de qualidade ao tratamento.”

O presidente também criticou a condução da saúde durante o governo Bolsonaro, relembrando a sucessão de ministros que passaram pela pasta durante a pandemia de Covid-19.

“Vocês estão lembrados dos ministros da Saúde do outro governo, um bando de mequetrefes que não serviam pra nada.”

Lula destacou a ampliação do programa Mais Médicos, que passou de 12.843 profissionais em dezembro de 2022 para cerca de 28 mil médicos atualmente.

“Pegamos esse País com 12 mil médicos, agora temos 28 mil. O País estava abandonado.”

Proteção às mulheres

Lula reforçou seu compromisso com a proteção das mulheres e citou o Pacto da Mulher, lançado em fevereiro deste ano em parceria com os chefes do Judiciário e do Legislativo. Segundo o presidente, em seis meses foram criadas 11 leis, quatro decretos e cinco portarias voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.

“Nunca na história do Brasil se fez tanto pela proteção da mulher como nós fizemos nesses quatro anos.”

O presidente mencionou o papel da primeira-dama Janja na articulação com governadores para adesão ao pacto.

“A minha mulher, a Janja, já tem viajado o Brasil inteiro falando com o governador para ele participar do pacto.”

Sobre o baixo número de delegacias de atendimento especializado à mulher, Lula atribuiu a responsabilidade aos governos estaduais. O presidente também ressaltou a importância da educação dos homens desde a infância no combate à violência de gênero.

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Lula na Record: reforma do Judiciário, PEC da Segurança e cobrança a Flávio Bolsonaro – Foto: Ricardo Stuckert.

Lula detalha recuperação do país herdado dos Bolsonaros

Lula detalhou como encontrou o país ao assumir o governo e comparou com a gestão anterior de Jair Bolsonaro, que classificou como “Era da Mentira”. O presidente destacou que seu governo fez superávit primário em todos os mandatos e rebateu as críticas sobre responsabilidade fiscal.

“Não vem ninguém falar sobre responsabilidade fiscal.”

Lula afirmou que aprendeu com a mãe, Dona Lindu, a “não gastar mais do que tem”, e questionou se a gestão anterior teve alguma política de inclusão social.

“Lembra de uma política de inclusão social dessa gente?”

O presidente também relatou que, ao ser eleito, precisou conviver por dois anos com Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para a presidência do Banco Central. Lula criticou o modelo de autonomia da instituição.

“Alguém achava que o Banco Central Independente ia resolver o problema do mundo. Não resolve.”

Lula projeta Brasil com inclusão, educação e tecnologia para o futuro

Lula apresentou suas propostas para a educação e projetou um Brasil com mais inclusão, educação e tecnologia. O presidente afirmou que pretende fazer um “forte investimento” na área nos próximos 10 anos para que o país dispute espaço na nova economia.

“O Brasil não pode continuar sendo um país exportador de soja, milho ou de minério de ferro. Nós queremos ser exportadores de inteligência e conhecimento. Por isso, vamos fazer um forte investimento em educação para que a gente coloque esse país em um padrão internacional de altíssima qualidade, não devendo nada a nenhum outro país do mundo.”

O presidente anunciou a intenção de universalizar o programa Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio, e de retomar o programa Ciência sem Fronteiras.

“Queremos formar engenheiro, matemático, todas as especialidades no mundo digital e de inteligência artificial. Não vamos ficar devendo nada aos chineses e americanos; vamos provar que somos iguais ou melhores que eles.”

Lula também mencionou um acordo com estados e municípios para alfabetização das crianças até o 2º ano, com progresso que beira os 66% de alunos alfabetizados.

Lula na Record diz qual é o papel do presidente da República

Ao ser questionado sobre seu papel como presidente, Lula foi direto ao afirmar que sua função é garantir oportunidades para que as pessoas possam crescer na vida.

O presidente encerrou a entrevista destacando que sua causa é melhorar a vida do povo brasileiro e que pretende disputar um quarto mandato para dar continuidade às políticas de inclusão e desenvolvimento.

 Foto: Ricardo Stuckert

Texto: Alexandre Barbosa

Fonte: TVT News

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