As medidas recentes do governo Lula produzem efeito positivo, mas a suspeita de oportunismo eleitoral limita sua conversão em voto. Ao mesmo tempo, o caso Banco Master, notadamente o áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, gera dano relevante à imagem do primogênito de Jair entre eleitores “pendulares”, embora a narrativa de que “todos são corruptos” ou os “ventos de mudança” funcionem como amortecedores morais.
Eleitores independentes passaram a demonstrar percepção mais positiva sobre políticas públicas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente medidas ligadas a renda, dívida, proteção social e trabalho.
Ao mesmo tempo, o relatório do Instituto Democracia em Xeque (DX) aponta crescimento da percepção negativa em torno de Flávio Bolsonaro após a divulgação dos áudios publicados pelo portal The Intercept Brasil envolvendo negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse.
O estudo faz parte do painel “Semanal DX”, divulgado pelo Instituto Democracia em Xeque, e analisa como participantes independentes organizam percepções políticas sobre Lula, Flávio Bolsonaro e alternativas eleitorais para 2026.
Segundo o relatório, temas ligados ao cotidiano da população — como renda, emprego, renegociação de dívidas e proteção às famílias — ajudaram Lula a consolidar uma percepção mais associada a políticas concretas. Já Flávio Bolsonaro sofreu desgaste em áreas ligadas à corrupção, credibilidade e confiança pública após a repercussão dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro.

O documento também identifica que eleitores independentes permanecem abertos à alternância política, mas demonstram preocupação com ética pública, segurança e capacidade de entrega concreta de políticas sociais.
Principais resultados apontados pelo relatório sobre a percepção de eleitores independentes
A pesquisa buscou avaliar o eventual impacto positivo, na opinião pública, das medidas anunciadas pelo governo de Lula e qual o impacto negativo do áudio revelado pelo Portal The Intercept Brasil para a campanha de Flávio Bolsonaro. Confira os principais pontos do relatório
Políticas públicas
O relatório afirma que Lula conseguiu ampliar percepção positiva entre independentes quando o debate político envolve medidas práticas relacionadas à vida cotidiana. Programas ligados à dívida, renda, trabalho e família foram vistos como ações concretas do governo federal.
Já Flávio Bolsonaro aparece com baixa associação a propostas materiais direcionadas à população, segundo o estudo.
Painel Narrativo Semanal DX
Políticas Públicas
Como participantes do painel organizam percepções sobre Lula, Flávio Bolsonaro e a disputa política.
Lula
Medidas vistas como positivas, especialmente quando ligadas a dívida, renda, trabalho e família.
Flávio Bolsonaro
Pouca associação a propostas concretas voltadas para a população.
Zona de disputa
Converter medidas em confiança e evitar percepção de oportunismo político.
O que significa “Família” para eleitores independentes
No tema família, Lula aparece ligado à ideia de proteção social concreta, especialmente por meio de políticas públicas relacionadas à renda, tempo e proteção social.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, mantém força entre setores associados ao discurso tradicional de “valores da família”.
O relatório identifica que a principal disputa política ocorre entre o significado de “família moral” e a “família concreta”.
Painel Narrativo Semanal DX
Família
O tema da família aparece como uma das principais disputas simbólicas no debate político.
Lula
Pode disputar pela chave do cuidado material e objetivo: políticas públicas concretas de tempo, renda e proteção.
Flávio Bolsonaro
Mantém herança simbólica e imaterial dos defensores dos “valores da família”.
Zona de disputa
Família moral versus família concreta.
Corrupção
O estudo aponta que Lula ainda enfrenta vulnerabilidade histórica relacionada à associação do PT com corrupção, embora participantes independentes não relacionem diretamente o presidente ao caso Banco Master.
Já Flávio Bolsonaro sofreu desgaste direto com a repercussão dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro. Segundo o relatório, o episódio fortaleceu percepção de opacidade, contradições e problemas éticos ligados ao entorno bolsonarista.
O documento alerta ainda que a ideia de que “todos são corruptos” pode diluir diferenças políticas perante o eleitorado.
Painel Narrativo Semanal DX
Corrupção
O tema aparece como área sensível para os dois campos políticos.
Lula
Não há percepção de envolvimento direto de Lula no caso Banco Master.
Flávio Bolsonaro
Caso Banco Master gera percepção de envolvimento da família e fortalece narrativa negativa sobre corrupção.
Zona de disputa
A ideia de que “todos são corruptos” dilui diferenças entre os grupos políticos.
Segurança
O relatório mostra que segurança pública continua sendo um tema estratégico para a disputa eleitoral de 2026.
Segundo o Instituto DX, a direita ainda possui vantagem perceptiva inicial no debate sobre segurança, especialmente em temas ligados ao combate ao crime.
Por outro lado, o governo Lula teria espaço para crescer no tema caso consiga comunicar melhor ações federais e resultados concretos relacionados ao enfrentamento das facções criminosas.
Painel Narrativo Semanal DX
Segurança
Segurança pública aparece como tema de oportunidade política e disputa narrativa.
Lula
Oportunidade de explorar pacote de leis de segurança e destacar papel federal no combate ao crime organizado.
Flávio Bolsonaro
Direita e Caiado têm vantagem perceptiva inicial no tema.
Zona de disputa
O tema aparece como oportunidade, mas ainda precisa de validação pública.

Como a pesquisa foi feita
Segundo o Instituto Democracia em Xeque, o painel “Semanal DX” utiliza metodologia qualitativa baseada em monitoramento narrativo e análise de percepções políticas de eleitores independentes.
O objetivo do estudo é identificar como temas políticos circulam nas redes sociais e como determinados discursos afetam grupos de eleitores não alinhados diretamente aos polos políticos tradicionais.
O relatório divulgado em maio de 2026 analisou temas relacionados à disputa presidencial, políticas públicas, segurança, corrupção e repercussões do caso envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
A metodologia busca compreender não apenas intenção de voto, mas principalmente quais as percepções políticas entre os eleitores participantes do painel.
Metodologia do monitoramento dos eleitores independentes
PERÍODO:
16 e 17 de maio de 2026
GRUPOS:
2 grupos focais em formato de tríades etnográficas
COMPOSIÇÃO:
Grupo 1: homens | Grupo 2: mulheres
PERFIL:
30-50 anos, ensino médio, renda familiar de 3 a 7 salários-mínimos
REGIÃO:
Preferencialmente eleitores das Regiões Metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte e Salvador (“swing states”)
TRAJETÓRIA ELEITORAL:
Votou em Jair Bolsonaro em 2018; votou em Lula em 2022; está indefinido para 2026
CRITÉRIO POLÍTICO:
Não rejeita Lula nem Flávio Bolsonaro
Como eleitores independentes perceberam as políticas anunciadas por Lula
O relatório aponta que participantes independentes associaram positivamente Lula às políticas públicas anunciadas recentemente pelo governo federal. Entre os temas mais citados aparecem programas ligados à dívida das famílias, proteção da renda, trabalho e políticas sociais.
De acordo com o “Mapa de percepções” do Instituto DX, Lula aparece ligado à ideia de “família concreta”, associada a políticas públicas que afetam diretamente a vida cotidiana das pessoas. O estudo destaca que medidas relacionadas à renda, proteção social e apoio às famílias foram percebidas como ações objetivas e materiais.

Outro ponto identificado é que parte dos independentes vê o governo tentando responder a problemas econômicos reais da população, principalmente em temas ligados ao custo de vida, crédito e reorganização financeira das famílias.
Na área de segurança pública, o relatório aponta que há espaço para crescimento da percepção positiva do governo caso Lula consiga fortalecer a comunicação sobre ações federais de combate ao crime organizado e às facções criminosas.
O estudo também afirma que existe reconhecimento entre independentes de que políticas públicas concretas podem fortalecer a imagem presidencial diante da disputa eleitoral de 2026.
Foto: Wallison Breno/PR
Texto: Alexandre Barbosa
Fonte: Ag. Brasil