Quito – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu “serenidade e muita conversa” para preservar a paz e fortalecer a integração entre os países do continente sul-americano. Lula fez a declaração logo depois da posse dos novos dirigentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), na sequência de um discurso inflamado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que quebrou o protocolo da cerimônia.
Os chefes de governo presentes já haviam assinado a declaração final do encontro quando Chávez pediu a palavra e defendeu uma proposta apresentada pela Bolívia, de um posicionamento mais firme da Unasul, rechaçando a instalação de sete bases norte-americanas em território colombiano.
No documento final da cúpula, não há qualquer menção a essas bases militares.
Chávez chegou a levantar a possibilidade de retaliação militar contra a Colômbia, caso seu país sofra alguma agressão depois da instalação das bases. Ele disse que era seu dever alertar para a possibilidade de confrontos mais sérios e que percebia que “ventos de guerra sopram sobre a região.”
Os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Michelle Bachelet, e do Equador, Rafael Correa, também se pronunciaram sobre o clima tenso que hoje envolve o continente.
O presidente Lula, que só chegou a Quito na madrugada de hoje, decidiu antecipar a volta ao Brasil e nem chegou a participar da posse de Rafael Correa na presidência da Unasul.
Em entrevista concedida na Base Aérea da capital equatoriana, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil, Lula manteve o tom conciliatório e fez uma proposta: que a Unasul convoque o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para uma reunião. “Seria a oportunidade para ouvirmos do próprio presidente Obama o que ele pensa de uma política para os países do continente sul-americano”, afirmou.
A questão das bases norte-americanas deverá ser o assunto principal numa reunião extraordinárias dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa dos 12 países membros da Unasul no próximo dia 24, em Bariloche, na Argentina. O presidente brasileiro disse esperar que a Colômbia envie seus representantes a Bariloche.
Por José Donizete – Enviado especial da EBC. Edição: Nádia Franco.
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Lula quer discutir relação entre Estados Unidos e América do Sul com Obama
Brasília – Durante a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada hoje (10), em Quito, no Equador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu aos integrantes do bloco que a Unasul convide o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para uma “discussão profunda” sobre a relação entre os Estados Unidos e a América do Sul.
“Talvez fosse o caso de pensarmos em convocar o Obama para discutir a relação dos Estados Unidos e a América do Sul, porque a informação que temos é que ainda existem embaixadores que se metem em eleições de outros países. Essa Quarta Frota me preocupa profundamente por causa do pré-sal e deveríamos discutir esse inconformismo nosso diretamente com o governo americano”, disse Lula ao discursar na abertura da reunião da Unasul.
Lula sugeriu que após a reunião entre chanceleres e ministros da Defesa na Unasul, marcada para o dia 24 de agosto, seja realizada uma reunião entre os presidentes dos países que integram o bloco e, só então, feito o convite a Barack Obama.
No discurso, o presidente Lula falou sobre a necessidade de que os integrantes da Unasul se entendam. “Me incomoda esse clima de inquietação no nosso continente e penso que vai ser sofrido, as pessoas vão ter que aprender a ouvir duras verdades, mas vamos ter que nos colocar de acordo sobre o futuro da Unasul.”
Segundo ele, se não for estabelecido um clima amistoso entre os países, a Unasul se tornará uma instituição “de amigos, cercada de inimigos”. “Se não houver essa coisa amistosa entre nós, de confiança entre nós e mais sinceridade, em vez de estarmos criando uma instituição de integração, estaremos criando um clube de amigos cercado de inimigos por todas as partes, isso não funciona.”
A reunião ocorreu sem a presença do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, por conta de recentes desentendimentos com governantes da América do Sul envolvendo um acordo para a instalação de bases militares americanas no país.
Por Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
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Ministros sul-americanos discutem dia 24 acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos
Brasília – Ministros da Defesa e das Relações Exteriores da América do Sul se reunirão no dia 24 deste mês para discutir o acordo militar que está sendo negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos. A decisão foi tomada hoje (10) durante a Cúpula de Chefes de Estado da União Sul-Americana de Nações (Unasul), em Quito, no Equador. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, não participou do encontro.
“Depois da reunião dos ministros, vamos decidir se há necessidade de fazer uma reunião dos chefes de governo da América do Sul”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando ser fundamental a presença da Colômbia para a discussão do tema. “E que o presidente Uribe não se sente na reunião como se fosse réu, ele tem que sentar em igualdade de condições, explicar as razões dele e ouvir os pensamentos que discordam dele para a gente poder construir o possível”, afirmou Lula.
Ele propôs que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seja convidado para participar do encontro de chefes de Estado, caso a reunião se confirme. “Para que ele viesse discutir conosco qual é a política americana para a América do Sul e para a América Latina”, justificou, antecipando que pretende telefonar para Obama na próxima semana. Para Lula, ainda há “desconfiança” na região com relação às “incertezas” da política norte-americana.
Em conversa com a imprensa antes de retornar ao Brasil, Lula reiterou que há uma preocupação com a transferência de efetivos da Base de Manta, no Equador, para a Colômbia, e garantiu que isso foi dito ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que esteve no Brasil na última quinta-feira (6). Lula é contra a ajuda dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico – justificativa apresentada pelo governo colombiano para a maior presença de militares americanos na região.
“Nós fizemos questão de dizer ao presidente Uribe que a nós nos preocupa, porque acabamos de criar um conselho de combate ao narcotráfico. Portanto, esse conselho pode dar resposta a muitas coisas que os colombianos pensam que os americanos podem dar. Acho que a América do Sul tem que ter uma chance de cuidar de seus próprios problemas sem ingerência externa”, disse Lula.
O presidente frisou ainda que o Brasil precisa de “segurança jurídica” quanto à limitação da atuação militar dos Estados Unidos ao território colombiano. “Que fique explicitado, em qualquer documento, nesse tratado feito entre os Estados Unidos e a Colômbia, que essas bases têm como finalidade pura e simplesmente agir dentro do território da Colômbia”, ressaltou.
Lula considera natural que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, esteja preocupado porque já foi vítima de golpe uma vez, mas não acredita na possibilidade de uma guerra na região. “Não é possível imaginar, no século 21, qualquer guerra na América do Sul ou na América Latina. O papel do Brasil é trabalhar para que a gente resolva os nossos problemas em paz, até porque somente a paz pode garantir que os países se desenvolvam, cresçam e gerem riqueza e distribuição de renda”, afirmou.
Por Mylena Fiori – Repórter da Agência Brasil. Edição: Nádia Franco.
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Bases americanas na Colômbia e gripe suína dominam debates na Unasul
Quito (Equador) – A influenza A (H1N1) – gripe suína – e a instalação de sete bases norte-americanas em território colombiano tomaram a maior parte do tempo dos chanceleres, ministros e outros representantes dos 12 países que formam a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), entre eles o Brasil, durante as discussões de ontem (9). A reunião é realizada em Quito, no Equador.
A presidente do Chile, Michele Bachelet, passa hoje (10) o comando da Unasul para Rafael Correa, que está iniciando o segundo mandato na Presidência do Equador.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Quito na madrugada desta segunda-feira para participar da cerimônia de posse de Correa, prevista para as 11h.
Ontem (9), durante a reunião em Quito, o conselho de saúde do bloco definiu uma estratégia para pedir aos países desenvolvidos, à Organização Mundial de Saúde (OMS) e aos laboratórios farmacêuticos o acesso a vacinas, medicamentos e assistência técnica para combater a influenza A (H1N1) – gripe suína.
A ministra da Saúde do Equador, Caroline Chang, disse que há necessidade de pelo menos 200 milhões de doses de vacina para a região, que tem cerca de 30% de sua população mais vulnerável à doença.
“Queremos o apoio da OMS na negociação com os laboratórios e com os países do primeiro mundo para garantir a vacina à população mais vulnerável dos países da região e evitar que interesses comerciais aproveitem o pânico provocado pela pandemia”, afirmou a ministra.
Outro tema da reunião da Unasul foi a instalação de bases americanas na Colômbia. O presidente colombiano Álvaro Uribe não confirmou presença na cúpula da Unasul e nem na cerimônia de posse de Rafael Correa.
Na semana passada, Uribe percorreu sete países da região, entre eles o Brasil e a Argentina, para explicar a finalidade das bases militares. O governo colombiano afirma que elas serão usadas apenas para ajuda no combate ao narcotráfico e à atuação das Forças Armadas Revolucionárias do país (Farc).
A Unasul defende a criação de um conselho de segurança sem a participação dos Estados Unidos para discutir o assunto.
O conselho de ministros das Relações Exteriores da Unasul ratificou o “compromisso com a democracia como único sistema para resolver os desafios e dar maiores esperanças e oportunidades a seus povos com pleno respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais”.
O conselho condenou “o golpe de Estado em Honduras” e reiterou que não reconhece “nenhuma convocação para eleições de parte do governo de fato”. Ao final da nota oficial, convocou a “comunidade internacional para envidar recursos necessários e adotar novas medidas para assegurar a volta do presidente José Manuel Zelaya à presidência”.
A Unasul foi criada em maio de 2008 com áreas de atuação bem definidas – diálogo político, integração física, meio ambiente, integração energética, desenvolvimento de mecanismos financeiros específicos (como o Banco do Sul), promoção da coesão social e uma aliança militar.
Por José Donizete – Enviado Especial. Edição: Graça Adjuto.
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