Uma cruz gigante simbolizando a via crucis dos aposentados e pensionistas abriu nesta quarta-feira (28/3) a manifestação nacional em defesa da Previdência pública e pelo aumento dos benefícios vinculado ao salário mínimo, realizada unitariamente pelos Sindicatos Nacionais que representam o Ramo, pelas centrais sindicais e a Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap). Erguendo pequenas cruzes e apitando muito, delegações de vários estados como Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estamparam a determinação de conquistar um futuro diferente, com justiça social e dignidade aos proventos.
“Enquanto o salário mínimo recebeu 8,57% de aumento, o salário benefício para os sete milhões de brasileiros que ganham acima do mínimo foi reajustado em apenas 3,24%. Isso é inaceitável, pois aprofunda a injustiça e a tendência de arrocho de quem tanto contribuiu com o país”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas (Sintap/CUT), Wilson Ribeiro. Segundo o dirigente cutista, “a unificação do movimento reforça a cobrança sobre o governo e os parlamentares em defesa dos direitos”.
ARROCHO – Ângela Maria Oliveira de Moura e Lindinalva dos Santos Pereira, coordenadoras do Sintap na Baixada Santista, expuseram preocupação com a insensibilidade do governo diante da magnitude do problema, que se vem se arrastando. Aposentada há 13 anos, Ângela denuncia que seu benefício caiu quase 60% no período. Viúva há 10 anos, Lindinalva lembra que apesar do marido ter contribuído sobre mais de dez salários mínimos, ficou recebendo em média seis e hoje ganha somente 4,5. “A verdade é que estamos cada vez mais fragilizados pela falta de colaboração da Previdência, com os benefícios despencando, completamente defasados”, condena.
O presidente da Cobap, Benedito Marcílio, denuncia que “a grande imprensa discrimina os aposentados, pensionistas e idosos, mentindo que a Previdência está falida, propagandeando a sua privatização. Por isso estamos nas ruas em defesa dos nossos interesses e direitos”.
NÃO AO FATOR PREVIDENCIÁRIO – O diretor de Organização do Sintap, Jerônimo Rodrigues Filho, veio com uma delegação de Cosmópolis para “alertar o governo que não pode haver reforma da Previdência que prejudique ainda mais os idosos do país”. Erguendo uma faixa contra o fator previdenciário, Jerônimo lembra que este mecanismo de arrocho tucano sobre as aposentadorias precisa ser extinto imediatamente, “pois prejudica enormemente não só quem já precisa do benefício, mas principalmente o trabalhador da ativa, na medida que coloca cada vez mais distante a possibilidade de exercer esse direito no futuro”..
Para participar do ato na capital paulista às 9 horas, uma delegação com 187 pessoas saiu de Belo Horizonte em caravana às 19 horas de terça. O presidente da Federação Estadual dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais, Robson de Souza Bittencourt, disse que há muita expectativa de que o governo se sensibilize diante da força da manifestação. “Temos uma pauta unificada de Norte a Sul e precisamos que se abram negociações para recuperarmos as enormes perdas acumuladas, que superam os 50%, e ao mesmo tempo se corrija o rumo tomado. Defendemos os 8,57% de aumento para todos”, acrescenta.
Vice-presidente da Federação do Rio de Janeiro, José Carlos destaca a necessidade de que “o governo atenda as reivindicações e marque uma reunião para definir de uma vez por todas a recomposição dos benefícios, pois é uma questão de justiça social”.
MANIFESTO – Além da imediata revogação do fator previdenciário e do restabelecimento do Conselho Nacional de Seguridade Social, “com gestão quadripartite e poderes deliberativos”, o manifesto à nação brasileira em defesa da previdência social pública, distribuído no ato, defende também a recomposição dos valores das aposentadorias e pensões através da aplicação do mesmo índice de reajuste concedido ao salário mínimo, a regulamentação e implementação dos direitos e garantias asseguradas pelo Estatuto do Idoso e a manutenção do acordo de 2006, com a reativação da Comissão Permanente de Valorização da Previdência Social e do Idoso.
MAIS INFORMAÇÕES – (11) 2108.9175.
Por Leonardo Severo.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.
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