Adital – Bandeiras coloridas, palavras de ordem, maracatu, frevo – e uma pessoa ferida. Foi assim que a marcha de abertura do II Fórum Social Brasileiro pediu passagem e percorreu as ruas do centro de Recife (Nordeste do Brasil) reunindo, aproximadamente, 12 mil pessoas. Apesar das nuances partidárias serem claras – e uma intervenção policial que deixou ferido um militante do Movimento dos Sem Terra (MST) – as organizações sociais e suas lutas ainda mantiveram predominância e todas deixaram bem claro porque vieram participar do evento que acontece até o dia 23.Perguntado sobre o caráter mobilizador do Fórum, o ativista do movimento negro, Antônio Augustino, afirma que o Fórum não deixará nunca de ser um canal para que os movimentos possam expressar suas idéias e a vontade de mudar o mundo. “Sem dúvida, juntamente com os índios, sofremos muito por sermos simplesmente o que somos. E isso é um absurdo. Acredito que quanto mais canais tiverem para gente mudar isso, melhor para todo mundo. O Fórum não é definitivo, mas ajudar em muita coisa”, disse.
E assim se seguiu a marcha. Enquanto avançava pela avenida, as 150 crianças do Movimento dos Sem-Terrinha, que formavam a comissão de frente da marcha, bradavam em uníssono que eram o futuro e o presente do país. Mais atrás, as integrantes da Marcha Mundial das Mulheres, pediam pelo fim da violência e do feminicídio, numa caminhada marcada por muita irreverência e performance. Duras em seus dizeres, mas sem perder a ternura.
Na seqüência, jovens militantes de diversos partidos também contribuiram e deram seus recados. Num ano eleitoral, para eles é impossível não expressar preferências ou rechaços ao presidente Luis Inácio Lula da Silva. “Acho que esse caráter partidário faz parte do Fórum. E não tira o brilho dos movimentos e organizações sociais”, afirmou o estudante João Pontes Neves, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.
Fonte: Adital
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