Pimentel diz que investimentos serão principal foco de medidas de estímulo à economia
Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse hoje (26), na capital paulista, que as medidas de estímulo à economia que serão anunciadas amanhã (27) pelo governo irão ajudar o Brasil a contornar os reflexos da crise que assola países da zona do euro.
Pimentel não adiantou quais áreas serão beneficiadas pelas medidas, mas disse que os investimentos terão prioridade. “Nós já fizemos muita coisa para expandir o consumo. Melhoramos o crédito, [fizemos] reduções importantes de imposto para os bens de consumo duráveis e, agora, estamos focando muito no investimento”, destacou.
Na abertura do 5º Congresso Brasileiro de Pesquisa, promovido pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, o ministro declarou que o Brasil dispõe dos quatro requisitos necessários para fazer parte do grupo de nações líderes. O primeiro deles é o grande contingente populacional, que fomenta a existência de um mercado dinâmico, seguido pela ampla gama de recursos naturais, democracia sólida e o investimento em recursos tecnológicos. Para o ministro, os quatro fatores associados levarão o Brasil a ocupar lugar de destaque na hegemonia mundial.
Para exemplificar a importância dos recursos naturais, Pimentel citou o caso da China, onde apenas 14% do território estão disponíveis para a agricultura. Ele informou que, em conversa com o ministro do Comércio chinês, Chen Deming, ouviu que os problemas brasileiros, como falta de infraestrutura, não são tão relevantes a ponto de impedir o seu crescimento. “Isso vocês têm como resolver dentro das fronteiras do seu país. Nós [a China] não temos como resolver o nosso maior problema: não conseguimos produzir alimentos suficientes para o nosso povo dentro do nosso território, e nem energia”, disse Deming ao ministro brasileiro.
Edição: Lana Cristina
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Arrecadação fechará 2012 com crescimento real próximo de 4%, estima Receita
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A arrecadação federal deverá fechar o ano com crescimento real próximo de 4%, disse hoje (26) a secretária adjunta da Receita Federal, Zayda Manatta. A estimativa leva em conta a inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e indica que as receitas do governo continuarão a desacelerar nos próximos meses.
No mês passado, a secretária havia dito que a arrecadação cresceria entre 4% e 4,5% acima da inflação em 2012. Neste mês, porém, ela admitiu que o aumento ficará mais próximo do limite inferior do intervalo. “Mantemos a previsão dentro desse intervalo, mas acreditamos que o crescimento real fechará o ano mais perto de 4%.”
Nos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação federal somou R$ 427,448 bilhões a preços correntes, com crescimento de 5,83%, descontado o IPCA. Para que o ano encerre com expansão em torno de 4%, a arrecadação terá de desacelerar nos meses seguintes, mesmo com uma eventual recuperação da economia no segundo semestre.
“A estimativa é que o crescimento continue a cair até convergir ao nível de 4%”, disse a secretária. Zayda evitou comentar o comportamento da arrecadação na segunda metade do ano, alegando que a Receita faz previsões para o ano fechado, não para determinados meses.
A previsão de expansão real da arrecadação, no entanto, ainda leva em conta a projeção oficial da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 4,5% em 2012. Em declarações recentes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia brasileira deve crescer 4% neste ano. As instituições financeiras projetam aumento ainda menor, de apenas 2,18%, segundo a edição do boletim Focus divulgada ontem (25) pelo Banco Central.
A estimativa da Receita também não considera desonerações anunciadas recentemente, como as reduções nos Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e sobre Operações Financeiras (IOF) para o crédito à pessoa física e a diminuição para zero das alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Apesar disso, Zayda Manatta diz que ainda é cedo para avaliar se essas desonerações terão efeito sobre a receita do governo.
“Várias desonerações têm efeitos na economia que geram contrapartidas que compensam a diminuição de receita em um tributo. O governo reduziu o IPI sobre os automóveis, mas as vendas podem subir e provocar o aumento da arrecadação de PIS e Cofins [Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social]”, concluiu Zayda.
Edição: Nádia Franco
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