Após audiência realizada nesta sexta-feira, 15, com o ministro da Educação, Fernando Haddad, em Brasília, para retomar o debate acerca da criação da Universidade Federal para a Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar dos Três Estados do Sul – Fetraf-Sul, definiu junto ao ministro uma posição de reafirmação do compromisso do governo em criar a Universidade Federal da Mesorregião.
Como encaminhamentos, foram acordados os seguintes pontos:
A Fetraf e demais participantes, comprometeram-se em entregar até o final de setembro, próximo, o projeto que define a universidade, junto ao Congresso para ser aprovado. Para isso, foi definido a criação de um grupo de trabalho composto por 10 pessoas, sendo representantes do Ministério da Educação, entidades civis e representantes políticos, que terão como meta, discutir a concepção, questões relacionadas à formação curricular, pedagógica e o caráter que a universidade terá.
A Federação busca a criação da Universidade, primando pela excelência na qualidade de ensino, pesquisa e extensão, considerando a agricultura familiar enquanto elemento estruturador do novo processo de desenvolvimento. Além disso, objetiva-se uma reestruturação do currículo escolar de acordo com a realidade da agricultura familiar, bem como desenvolver uma política de ensino médio que contemple a educação profissional e estruturar um programa de educação que vise a (re)qualificação dos educadores e das educadoras do meio rural.
“Entre outros aspectos, uma Universidade Federal nessa região terá o papel de promotora e indutora de ações para: a capacitação profissional; a implantação de novas tecnologias para as agroindústrias, setores industriais e agrícolas; o aproveitamento sustentável e adequado dos recursos turísticos; a implementação de uma gestão ambiental voltada à preservação e manejo dos recursos hídricos e o fortalecimento da identidade cultural da região”, afirma o coordenador geral da Fetraf, Altemir Tortelli.
A Mesorregião abrange o norte do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o sudoeste do Paraná e está localizada na área da fronteira com a Argentina, abrangendo 381 municípios, com área total de 139 mil quilômetros quadrados e população de 3,7 milhões de habitantes. A agropecuária e a agroindústria a base de sua estrutura produtiva.
Espera-se que a médio e longo prazo, a universidade deva ser a promotora de parcerias para o desenvolvimento tecnológico de instituições integrantes da matriz produtiva da mesorregião. Espera-se um impacto no desenvolvimento científico e tecnológico nos diferentes setores econômicos da Região através da formação de mão-de-obra qualificada, da pesquisa, o desenvolvimento de novos produtos e de novas tecnologias.
Além da Fetraf, participaram senadores, deputados estaduais dos três Estados do Sul, federais, representantes da igreja católica e do Ministério.
Argumentos para a criação da universidade:
* As universidades públicas do sul do Brasil atendem apenas 10% da demanda de vagas;
* As universidades públicas estão em média, distantes 400 KM de qualquer ponto da Mesorregião;
* As universidades privadas ou comunitárias não possuem investimentos significativos em pesquisa e extensão;
* Na Mesorregião, onde a renda per capita é menor que o conjunto da Região Sul do Brasil, só existe o opção do ensino superior pago;
* Ausência histórica do Estado no Ensino superior na Mesorregião.
Por Marli Bertotti.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fetrafsul.org.br.