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Ministro e centrais acertam retomada de legalização das entidades

Acordo para tentar legalizar centrais sindicais foi fechado na primeira reunião do novo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, com as entidades. No ano passado, projeto do governo que regularizava a situação foi barrado pela Câmara, por impasse entre sindicalistas.

BRASÍLIA – Quase um ano depois de o governo patrocinar uma proposta que fracassou no Congresso, o ministério do Trabalho e as principais centrais sindicais decidiram tentar mais uma vez lutar pelo reconhecimento jurídico das entidades, medida que tem potencial para fortalecer a atuação delas na defesa dos interesses dos trabalhadores.

A busca de um entendimento sobre a legalização das centrais foi definida como prioridade nesta quinta-feira (19), na primeira reunião do novo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, com dirigentes das entidades em que se discutiu uma pauta de interesse comum. A intenção é ter um acordo a tempo de o governo anunciar um projeto em 1º de maio, dia do trabalho.

Segundo Lupi, é provável que, se o governo encampar a idéia de novo, como há um ano, a legitimação das centrais será proposta por meio de uma medida provisória (MP), também como em 2006. “O reconhecimento já um fato no mundo todo e será uma prioridade”, afirmou o ministro.

“Esse reconhecimento é importante para que nós tenhamos mais instrumentos jurídicos e políticos para defender os direitos dos trabalhadores”, disse o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo.

Em maio do ano passado, o presidente Lula legalizou as centrais via MP, mas a medida foi derrubada pelos deputados, por falta de acordo entre as próprias centrais. Havia impasse sobretudo quanto à cobrança de imposto sindical. Uma série de confederações de trabalhadores ligadas à Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) chegou a entrar com uma ação contra a MP no Supremo Tribunal Federal (STF) – a impossibilidade de a própria NCST acionar o STF é um exemplo dos efeitos do reconhecimento das centrais e da capacidade que a medida tem de fortalecê-la.

Na reunião desta quinta-feira (19), contudo, a NCST disse que está disposta a participar de um entendimento com as co-irmãs sobre o reconhecimento. A primeira reunião entre dirigentes das entidades está marcada para próxima quarta-feira (25).

Agenda ampliada

Na reunião desta quinta-feira (19), Lupi disse às centrais que tem mais duas prioridades que pretende levar adiante em sua gestão: a regulamentação do trabalho aos domingos e da terceirização. São temas que as entidades concordam que precisam mesmo de solução, mas há divergências profundas entre elas pelo no que diz respeito ao trabalho aos domingos.

A Força Sindical, entidade mais afinada com o novo ministro, defende que uma lei discipline o tema, o que na prática significa legitimar o trabalho aos domingos. Já a CUT só aceita que haja trabalho aos domingos, na hipótese de um acordo entre empregados e patrões durante uma negociação coletiva.

O presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), sinalizou que a entidade tem simpatia por uma proposta que teria sido feita por empresários do comércio, principal segmento patronal interessado no assunto. Segundo ele, é razoável que haja trabalho um domingo sim, outro não.

A CUT condena a idéia. “Só aceitamos que trabalho aos domingos que seja fruto de negociação, não de lei. Domingo não é dia de trabalhar”, afirmou Severo.

Já a regulamentação da terceirização é uma questão mais consensual entre as duas maiores centrais. “O terceirizado ganha menos da metade do que um trabalhador comum”, disse Paulinho. “Terceirização é precarização do trabalho. Fazer o controle disso é fundamental”, afirmou Severo.

Apesar de não ter mais o ministro do Trabalho – o antecessor de Lupi, Luiz Marinho, foi presidente da CUT -, a entidade ficou satisfeita com o primeiro contato oficial com Lupi para discutir pauta conjunta. “O ministro disse que vai ter uma relação privilegiada com as centrais sindicais, que quer nos dar preferência no diálogo, isso é muito importante”, declarou Severo.

Por André Barrocal.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.

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