Após três dias de greve, 510 agências bancárias da base da FETEC foram fechadas nesta sexta-feira, 01 de outubro, número que corresponde a mais da metade da abrangência da Federação. O número de trabalhadores bancários que aderiu à mobilização está chegando a 19 mil no Paraná. Nesse patamar, o presidente da FETEC-CUT-PR, Elias Jordão, avalia a mobilização e expõe suas expectativas quanto à negociação com a entidade patronal. Confira:
No primeiro dia de greve no Paraná, eram 17 mil trabalhadores com os braços cruzados. No segundo dia, já eram 18,4 mil, com 78% da categoria mobilizada. Em quem momento você acredita que os trabalhadores se deram conta que só com muita mobilização os banqueiros irão negociar com os trabalhadores?
Elias Jordão: Eu acredito que desde o primeiro dia os trabalhadores já estavam convencidos da necessidade de uma grande mobilização para fortalecer a mesa de negociação. Foi fundamental o papel dos nossos sindicatos que desde o momento que recebemos a primeira proposta indecorosa dos banqueiros, foram para a base dialogar com os trabalhadores e desde então já sentíamos a indignação dos trabalhadores com o descaso dos banqueiros.
Neste momento em que todo o país está em greve, qual a expectativa do Comando Nacional para as negociações com a Fenaban?
Elias Jordão: A expectativa é que a Fenaban aja com responsabilidade e ouça o clamor dos trabalhadores que querem ser reconhecidos por sua dedicação no dia a dia dos bancos, e que são os principais geradores dos lucros astronômicos do sistema financeiro.
O ano de 2010 já é um marco para o movimento sindical bancário, considerando o grande número de trabalhadores que votou pela greve no Paraná e que contribui para o fechamento das agências?
Elias Jordão: Sim. Com certeza 2010 já é um marco no movimento sindical brasileiro, tanto no Estado como em nível nacional. Começamos este ano com uma mobilização num patamar acima do iniciado no ano passado. É fato que o trabalhador já não suporta mais tanta exploração e está reagindo. Estou convencido que esta reação será cada vez maior a partir do momento que os bancários estão compreendendo que não existe outro caminho para as conquistas a não ser a luta.
A Fenaban enviou comunicado à imprensa desvirtuando e descaracterizando o real objetivo dos trabalhadores bancários com a greve. Qual é a resposta da FETEC-CUT-PR para essa postura da entidade patronal?
Elias Jordão: O comunicado da Fenaban para a imprensa, além de ter dados inverídicos, tentar jogar a população contra os trabalhadores, forjando uma imagem para a sociedade de que os bancos são bonzinhos para os seus funcionários e que os trabalhadores é que estão exigindo demais. A população precisa entender que neste jogo todo, os reais exploradores de trabalhadores e clientes são os banqueiros, que exploram os trabalhadores com metas abusivas, com assédio moral, com desemprego e, aos clientes, com juros abusivos e excesso de tarifas. Fica claro que a Fenaban prefere apostar mais no confronto do que na negociação.
Como está a mobilização em todas as regionais da base da FETEC-CUT-PR?
Elias Jordão: Não é surpresa a mobilização dos bancários das bases da FETEC em nossa campanha salarial. Todos os nossos sindicatos, sem exceção, são bastante aguerridos no dia a dia na representação dos trabalhadores e, todo ano, quando chega neste momento da campanha salarial, os trabalhadores têm atendido ao chamado dos nossos sindicatos para a mobilização. Para encerrar, gostaria de dizer a todos os trabalhadores do Paraná que não existe conquista sem luta. Nós produzimos todo o lucro do sistema financeiro e temos que buscar a parte que nos cabe por direito. É bem verdade que depois desses três dias de greve, a ansiedade e as incertezas nos rodeiam, mas temos que ter em mente que temos o objeto de maior valor e imprescindível para os banqueiros: nosso trabalho e nossa mão de obra. Sem ela, nada acontece e ela é nossa moeda de troca. Vamos nos valorizar.
————————————–
Apesar de interditos, adesão à greve cresce a cada dia
Nesta sexta-feira, 1º de outubro, terceiro dia de greve dos bancários em todo o país, a mobilização no Paraná envolve 18,9 mil trabalhadores, com 510 agências fechadas. Essas agências incluem 275 em Curitiba e 235 nas demais cidades da base dos sindicatos filiados à FETEC-CUT-PR e respectivas regiões. Dos trabalhadores mobilizados, 15,1 mil estão na capital e na região metropolitana; 3,7 mil nas demais regiões (Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Guarapuava, Londrina, Paranavaí, Toledo e Umuarama).
A greve uniu 90,2% da categoria na base do Sindicato dos Bancários de Umuarama, Assis Chateaubriand e região. Nas regiões de Paranavaí, Guarapuava e Curitiba mais de 80% dos trabalhadores dessas bases estão mobilizados. E, em Apucarana e Toledo e respectivas regiões, mais de 70% dos bancários engrossam o movimento por aumento real, menos metas, melhores condições de trabalho e garantia de emprego.
Na avaliação de Elias Jordão, presidente da FETEC-CUT-PR e um dos representantes do Paraná no Comando Nacional dos Bancários, a greve se mantém forte. “Mesmo com o grande número de interditos no Estado, os bancários não deixaram de continuar se mobilizando e o número de trabalhadores em greve aumenta a cada dia”. Já foram negados pela Justiça liminares em Apucarana (para agências do Bradesco de Arapongas), Guarapuava (Bradesco), Toledo (mais uma vez Bradesco, em Marechal Candido Rondon) e Umuarama (agências do Itaú Unibanco). E mesmo com os dois interditos obtidos pelos banqueiros no Paraná (Bradesco – Curitiba e Itaú Unibanco – Paranavaí), os trabalhadores bancários continuam aderindo à greve.
Confira a avaliação nos sindicatos:
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Toledo e região, João Carlos Padilha, os bancários estão mais conscientes. “A nossa assembleia para votar a greve foi um sucesso. Esta greve é uma das melhores dos últimos anos, pois não estão acontecendo os incidentes ocorridos nas greves passadas, como o envolvimento dos gerentes. Eles saíram da assembleia sabendo que não poderiam contar com os bancários para o contingenciamento”, avalia o dirigente.
Em Londrina e região, a mobilização está crescendo nos bairros, conforme explica o presidente do sindicato, Wanderley Crivellari: “Estamos nos organizando para estender a greve para as agências mais distantes do Centro, ampliando ainda mais a mobilização”.
Na base do Sindicato de Cornélio Procópio e região, o presidente da entidade Dirceu Casa Grande Junior, avalia que a mobilização mostra que a categoria abraçou a Campanha Nacional Unificada 2010 e quer resultados positivos. “Ninguém concordou com a proposta de reajuste oferecida pela Fenaban. Quem dá duro para atingir metas e trabalhar para cobrir a falta de pessoal sabe muito bem que os bancos podem e devem oferecer mais, basta ver os lucros milionários do primeiro semestre deste ano”.
A mobilização na regional de Apucarana já obteve uma vitória, já que interditos pretendidos pelos banqueiros foram negados. Para o presidente do Sindicato de Apucarana e região, Damião Rodrigues, o juiz da cidade de Arapongas agiu corretamente ao rejeitar os Interditos Proibitórios. “Esse instrumento tem sido utilizado de forma equivocada pelos bancos nos últimos anos para impedir a ação do movimento sindical na mobilização dos bancários. Nosso objetivo é paralisar as atividades das agências e não tomar posse delas, como costumam alegar os bancos quando solicitam Interditos na Justiça”.
Já em Paranavaí, um interdito foi deferido para o Itaú Unibanco, mas isso não desmobilizou a categoria, na avaliação do presidente do Sindicato dos Bancários de Paranavaí e região, Neil Emídio Junior. “Estamos dialogando com os trabalhadores e essa atitude não vai desmerecer a mobilização da categoria, que está mais forte a cada dia de greve”.
A crescente mobilização da categoria no Paraná também foi avaliada pelo presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Otávio Dias. “Os dados comprovam que os trabalhadores estão unidos na defesa de seus direitos. E que não aceitaremos calados o descaso dos banqueiros”.
O descaso e desrespeito dos banqueiros atingiu o Banco do Brasil de Campo Mourão: “Justamente num banco público, em que os trabalhadores estão mais mobilizados, estamos com dificuldades nesta greve. Os funcionários do BB estão com medo, o gerente está coagindo para que metade da agência continue trabalhando e nós estamos brigando pelo direito de greve”, denuncia o presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e região Luís Marcelo Legnani.
Por Paula Padilha, que é jornalista.
FETEC-CUT-PR
==================================
Comando Nacional dos Bancários reúne-se nesta segunda para avaliar a greve
O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, se reunirá nesta segunda-feira 4, em São Paulo, para fazer uma avaliação da greve e encaminhar os próximos passos do movimento em todo o país. A reunião será realizada na sede da Contraf-CUT, às 17h.
Como tem acontecido nos anos anteriores, a greve nacional dos bancários, deflagrada na quarta-feira 29, vem crescendo a cada dia que passa. “A greve vai crescendo à medida que o tempo passa e os banqueiros não apresentam proposta”, avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. “Na reunião desta segunda vamos fazer uma avaliação da paralisação para fortalecer ainda mais a greve em todo o país.”
Fonte: Contraf-CUT.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.