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Por • 11:04• Opinião de trabalhador, Recentes

Mobilização e perspectiva democrática: seguimos! Por Regina Maria Miranda

O segundo turno de 2026 da eleição para a Presidência da República do Brasil demonstrou a capacidade de mobilização dos movimentos sociais organizados. Se alguém duvidava, se havia um boato de que entidades estavam inertes ou mornas, essa ideia se dissipa totalmente com o resultado alcançado a partir do trabalho coletivo, fruto da resiliência dos indivíduos e da herança histórica de resistência dos setores progressistas do Brasil.

Foram dias de intensa atividade nas ruas e nas redes sociais. Estudantes, representantes sindicais, grupos de vizinhos, coletivos de ativismo social e até grupos de pessoas ligadas pela fé se uniram para fazer uma campanha de diálogo, de resgate histórico de fatos, de conscientização sobre classe e sobre os riscos de ignorar os sinais de autoritarismo e discriminação que vivemos. Não foi apenas UMA criança vitimada, ou apenas UMA sequência de incêndios suspeitos, tampouco apenas UMA ofensa aos trabalhadores, às mulheres, à liberdade religiosa, nem apenas UM posicionamento contrário ao descanso e aos direitos básicos de bem-estar do povo. Foram todas essas atitudes e tantas outras que, denunciadas, levaram a maioria da população brasileira à escolha de domingo, dia 25 de outubro. Mas, acima de tudo, foi a esperança da continuidade das propostas no sentido contrário a tudo isso: pra frente, avante, na conquista de uma sociedade mais justa.

No entanto, não podemos nos enganar. A tempestade que se armou contra nossa democracia, já em vertigem, não se dissipou. A ameaça de retrocesso não desaparece com uma eleição. É preciso seguir atentos e fortes, vigilantes e à disposição para o diálogo constante e honesto para consolidar uma democracia mais forte, que possa sustentar as mudanças sociais de que o país precisa.

Nesse sentido, esse processo eleitoral, mais do que ser celebrado, deve ser visto como um exemplo, um modelo de ação, de adesão, de união da classe trabalhadora e da população em geral. Tivemos a mostra do que as iniciativas populares organizadas conseguem conquistar e de como as pessoas são capazes de analisar o cenário político e fazer uma opção amparada nas relações éticas e dialógicas da vida política.

Que o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 entre para a História de nossa geração como o primeiro de tantos outros momentos em que o povo se uniu para o próprio bem e para o bem do país. E para não perder o costume, segue a dica cultural: Democracia em Vertigem e Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, nunca estiveram tão atuais.

Regina Maria Miranda é formada em Letras, pela UFPR, e especialista em Educação à Distância. É bancária do Banco do Brasil, dirigente sindical e professora particular de Produção de Texto.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região

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