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Por 21:45 Sem categoria

Mulheres e jovens serão os principais beneficiados pelos avanços propostos pela Quarta Marcha

A Secretária de Política Sindical da CUT nacional, Rosane Silva, destaca a importância da 4ª Marcha da Classe Trabalhadora que será realizada na próxima quarta-feira (5), em Brasília, tendo como bandeiras a redução da jornada de trabalho, mais e melhores empregos e o fortalecimento da seguridade social e das políticas públicas. Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, Rosane Silva ressalta que “mulheres e jovens são os principais beneficiados pelos avanços propostos pela 4ª Marcha”.

Qual o significado maior desta 4ª Marcha da Classe Trabalhadora?

Convocada unitariamente pelas centrais sindicais, a 4ª Marcha abre uma nova pauta para a classe trabalhadora. Até o ano passado a questão central da nossa luta era a valorização do salário mínimo, enquanto o carro chefe agora passa a ser a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Esta bandeira da redução mobiliza milhões, pois afeta o conjunto dos trabalhadores formais e também os informais, que seriam beneficiados com a geração de novos postos de trabalho. Com a redução poderemos de fato avançar na garantia de direitos, incluindo milhões no mercado formal, possibilitando ao trabalhador mais tempo livre em seu benefício, para curtir a família, estudar…

Estudos do Dieese comprovam o impacto positivo da redução…

Exato. Conforme o estudo, divulgado recentemente, a redução da jornada legal para 40 horas possibilitaria a geração de 2.252.600 postos de trabalho. Além disso, com o fim do Banco de Horas, a limitação do trabalho aos domingos e das horas extras serão gerados mais um milhão de novos postos. Para nós da CUT, este é um debate estratégico. Por isso defendemos mecanismos que de fato coíbam as horas extras. Um Projeto de Lei neste sentido está sendo enviado ao Congresso Nacional nesta semana para alterar o artigo 59 da CLT. Observamos que quando na Constituição de 88 reduzimos a jornada de 44 horas semanais para 40 horas o nível de emprego não foi aumentado significativamente, justamente porque não houve travas para o abuso das horas extras. Nos anos do neoliberalismo, com FHC, foi imposto aos trabalhadores o Banco de Horas e o trabalho aos domingos, o que aumentou o desemprego, as terceirizações e a precarização de direitos. Agora é o momento de revertermos este quadro.

E a Previdência?

Além da redução da jornada, a Marcha reivindica mais e melhores empregos, o fortalecimento da Seguridade Social e das políticas públicas, dando um peso grande para a defesa da Previdência pública, gratuita e de qualidade. Defendemos o fim do fator previdenciário pois é um mecanismo de arrocho inventado pelos tucanos, seu único objetivo é reduzir benefícios a partir de uma visão fiscalista. Nossa proposta é outra: avançar nos direitos, combinando várias lutas e eixos para mudar a correlação de forças e construirmos uma sociedade justa e igualitária.

Enquanto mulher e jovem, qual a leitura que você faz da Marcha?

Acredito que as bandeiras da 4ª Marcha dialogam diretamente com as mulheres e os jovens. A redução da jornada, como está claro na própria cartilha das Centrais Sindicais, beneficia especialmente estes setores, que são os mais afetados pelo desemprego e pela precarização. Por isso também defendemos ratificação e regulamentação da Convenção 158 da OIT, que estabelece a necessidade de que o empregador justifique os motivos da demissão, colocando uma trava jurídica que terá grande impacto social. Está comprovado que são os jovens os mais afetados pela alta rotatividade no emprego. Além disso, a defesa da Seguridade Social implica diretamente numa atenção aos futuros beneficiados pelo fortalecimento que estamos propondo, com mais investimentos para avançar direitos.

Por Leonardo Severo.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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