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Não houve inflação de demanda, houve inflação de juros

A “inflação” (aumento) de juros de 2008 não tinha justificativa técnica. Para 2009, há justificativas técnicas evidentes para uma forte “deflação” (redução) dos juros. Manter juros de dois dígitos em tempo de crise é amar o risco de morrer.

Em 2008, não houve inflação de demanda. Inflação de demanda ocorre quando a capacidade de realizar compras de uma economia é maior que a sua capacidade de produzir o que é desejado. Nessas condições, os empresários elevam os preços diante da impossibilidade de aumentar quantidades ofertadas. Cabe ser observado, contudo, que a identificação de uma situação de inflação de demanda deve ser feita de forma agregada, ou seja, olhando-se o conjunto da economia. Um fato isolado de aumento de preços por aumento de demanda não pode caracterizar uma economia contaminada por inflação de demanda. Aumento de preços em um setor de forma isolada é apenas um sinal de mercado, necessário, que atrai investimentos para aquele nicho.

O que aconteceu recentemente na economia brasileira?

(1) De 2006 a 2008, a taxa de crescimento do investimento foi superior entre 2 e 3 vezes a taxa de crescimento do PIB. Isto significa oferta crescendo mais velozmente que a demanda.

(2) A massa salarial como proporção do PIB vinha caindo de forma acentuada nos últimos anos. Cálculos preliminares indicam um estancamento desta queda no ano de 2008. Em outras palavras, a capacidade de compra dos trabalhadores (demanda) relativamente ao que era produzido pela economia (oferta) estava diminuindo.

(3) Houve a partir de 2004 um crescimento do crédito como proporção do PIB. A trajetória de crescimento tornou-se mais acentuada a partir de junho de 2007. De 2007 a 2008, o crédito para pessoa física cresceu, como proporção do PIB, de 10% para 12,5%. No mesmo período, o crédito para pessoa jurídica mais o crédito direcionado (BNDES, crédito agrícola etc.) cresceu de 20% do PIB para 25%. Isto significa, grosso modo, que o crédito para o lado da oferta crescia a uma velocidade muito maior que o crédito para o lado da demanda.

(4) O nível de utilização da capacidade instalada da indústria (NUCI) atingiu, em 2008, seu nível mais elevado 83,5%. Este foi um sinal positivo e necessário para que novos planos de investimento fossem implementados. Isto não significa, contudo, que a capacidade de produção da indústria estava se esgotando. Cabe ser lembrado que a produtividade do trabalho cresceu aproximadamente 10%, entre 2006 e 2008, uma taxa record. A produção pode ser aumentada quando o NUCI e/ou a produtividade aumentam. O NUCI, analisado isoladamente, não pode explicar absolutamente nada sobre a capacidade de ofertar da indústria.

(5) O saldo em transações correntes tornou-se negativo em 2008. A conta de transações correntes é composta, grosso modo, de duas grandes partes: saldo comercial com o exterior e remessas de lucros e dividendos. O saldo comercial se reduziu drasticamente, mas continua positivo. Isto significa que a economia brasileira exporta parte do que produz. O que tornou o saldo em transações correntes negativo foi um problema estrutural da economia brasileira: a remessa de lucros para exterior de multinacionais é capaz de ser maior que todo o esforço de exportações da economia. Portanto, não é verdadeira a conclusão de que se gasta tanto que se consome tudo que é produzido aqui e ainda compra-se o que é produzido no exterior.

(6) As despesas totais do Governo Federal, como proporção do PIB, têm caído. Em 2006, eram 34,1%, e em 2007, foram 31,5%. Em 2008, as despesas realizadas entre janeiro e novembro totalizaram 25,5%. Sendo assim, o governo tem reduzido a sua demanda em relação à oferta total de bens e serviços da economia.

A inflação que houve em 2008 foi causada principalmente por um choque de efeito passageiro do item alimentos. A inflação de 2008 foi de 5,9%. A inflação do item alimentos foi de 11,1% e a inflação de todos os demais itens foi de 4,4%. Resumo da ópera: se os alimentos tivessem se comportado como os demais preços, a variação do IPCA no ano teria sido inferior ao centro da meta perseguida pelo Banco Central, que é 4,5%. Os preços não subiram em 2008 por excesso de demanda, os números comprovam. O que houve, em 2008, foi “inflação” (aumento) de juros causada exclusivamente por excesso de demanda por sua elevação.

A “inflação” (aumento) de juros de 2008 não tinha justificativa técnica. Para 2009, há justificativas técnicas evidentes para uma forte “deflação” (redução) dos juros. Crises não são situações para serem enfrentadas com conservadorismo que, neste momento, é sinônimo do cúmulo da moleza: “correr sozinho e chegar em segundo”. Portanto, é hora de “deflacionar” (reduzir) rapidamente os juros para que estes alcancem logo um dígito. Manter juros de dois dígitos em tempo de crise é amar o risco de morrer.

Por João Sicsu, que é diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.

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IPCA de dezembro fica em 0,28% e fecha 2008 em 5,90%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de dezembro de 2008 teve variação de 0,28%, 0,08 ponto percentual abaixo da taxa de novembro (0,36%) e 0,46 ponto percentual abaixo do índice de dezembro de 2007 (0,74%). Com isso, o IPCA do ano de 2008 ficou em 5,90%, maior resultado desde 2004 (7,60%) e 1,44 ponto percentual acima da taxa de 2007 (4,46%). Assim como havia ocorrido em 2007, o IPCA de 2008 foi influenciado principalmente pela alta dos alimentos.

Enquanto de 2002 a 2006 foi observada tendência de queda do IPCA ano a ano, 2007 e 2008 evidenciaram aceleração na taxa de crescimento do índice. Após ter fechado 2007 em 4,46%, o acumulado em 12 meses apresentou trajetória crescente durante praticamente todo o ano de 2008, sendo que os índices mais elevados foram registrados em maio (0,79%) e junho (0,74%).

Os resultados evidenciam alta mais concentrada no primeiro semestre do ano, seguindo pressões dos produtos alimentícios já ocorridas no segundo semestre do ano anterior.

Refeição em restaurante foi a maior contribuição individual para o IPCA de 2008

Em 2008, os preços dos alimentos aumentaram 11,11%, resultado superior aos 10,79% de 2007, representando a maior alta dentre os grupos que compõem o IPCA. Os produtos não-alimentícios situaram-se em 4,46%, também acima de 2007, quando haviam aumentado 2,83%.

Com peso de 22,76%, os alimentos exerceram forte pressão sobre o índice do ano: 2,42 ponto percentual de contribuição, ou seja, 41% do IPCA de 2008. A alta dos alimentos é atribuída, basicamente, a dois fatores: preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional; e aumento da demanda por alimentos – tanto interna quanto externa. Da variação de 11,11% do grupo, 8,65% ficaram no primeiro semestre e 2,27% no segundo.

O item refeição em restaurante, cujos preços aumentaram 14,45% em 2008, deteve a maior contribuição individual no índice do ano: 0,55 ponto percentual. Em seguida, vieram as carnes, com alta de 24,02% e contribuição de 0,49 ponto percentual.

Empregado doméstico foi a terceira maior contribuição no ano

Dentre os não-alimentícios, a principal contribuição veio do grupo de despesas pessoais (0,72 ponto percentual do IPCA de 2008), que teve variação de 7,35% no ano. O destaque ficou com os salários dos empregados domésticos, que aumentaram 11,04% e contribuíram com 0,34 ponto percentual, sendo a terceira maior contribuição individual para o índice do ano.

Outros itens relevantes foram os colégios (4,75%), planos de saúde (6,15%) e aluguel residencial (6,92%).

Por outro lado, alguns produtos contribuíram para conter o IPCA de 2008, apresentando taxas negativas. Os automóveis, com queda de 4,32% nos usados e 2,25% nos novos, foram a principal pressão de baixa no índice geral, com – 0,14 ponto percentual.

Apesar da queda nos preços da gasolina, os combustíveis fecharam 2008 com aumento de 0,55%, puxados pelo álcool (1,06%) e gás veicular (23,41%). O item contribuiu com 0,03 ponto percentual para o IPCA do ano, em oposição à participação negativa de -0,02 ponto percentual de 2007.

Em 2008, os itens administrados tiveram uma contribuição de 0,99 ponto percentual no IPCA, frente a 0,51 ponto em 2007. Dentre eles, destacaram-se os aumentos do telefone fixo (de 0,34% em 2007 para 3,64% em 2008), taxas de água e esgoto (de 4,82% para 7,11%) e remédios (de 0,54% para 3,96%).

Em 2008, região metropolitana de Belém volta a ter maior IPCA

Como havia ocorrido em 2007, a região metropolitana de Belém ficou com o maior IPCA acumulado em 2008 (7,95%), principalmente em virtude dos aumentos ocorridos nos alimentos (12,74%). O índice mais baixo foi o de Salvador (5,15%).

Preços dos alimentos continuaram a desacelerar em dezembro

Os preços dos alimentos subiram ainda menos de novembro para dezembro: de 0,61% para 0,36%. Vários itens apresentaram menor aumento de preços. O destaque ficou com as carnes (de 2,53% em novembro, para 0,44% em dezembro), que cederam lugar ao tomate na liderança das maiores contribuições no mês. Com alta de 34,11%, após os 20,87% de novembro, o produto ficou 108,32% mais caro no ano e contribuiu com 0,06 ponto percentual na formação do IPCA de dezembro. Dessa forma o tomate representou quase a totalidade da contribuição do grupo alimentação e bebidas: 0,08 ponto percentual.

Em contraposição, o feijão carioca, por ter variado -19,02%, ficou com uma contribuição de -0,06 ponto percentual no IPCA, a mais baixa do mês.

As maiores altas dos alimentos ficaram com as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e Recife, cada uma das quais com variação de 1,13%. As regiões metropolitanas de São Paulo (-0,04%), Porto Alegre (-0,03%) e Belo Horizonte (-0,01%) apresentaram pequenas quedas nos resultados do grupo.

Quanto aos produtos não-alimentícios, o IPCA de dezembro foi de 0,26%, próximo dos 0,29% de novembro. Vestuário foi o grupo de maior alta no último mês do ano, tendo voltado a subir, passando de 0,71% em novembro para 0,99% em dezembro.

Por outro lado, artigos de residência (-0,04%) e transportes (-0,03%) tiveram deflação. Dentre os artigos de residência, quase todos os itens apresentaram menores variações de novembro para dezembro, com destaque para eletrodomésticos (de 0,32% em novembro para 0,01% em dezembro) e TV e som (de 0,71% para -1,07%).

Já em relação aos transportes (-0,03%) em dezembro foi reflexo, em parte, da alta de 0,89% nas tarifas dos ônibus urbanos, em decorrência de reajustes nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (4,76% a partir de 16 de dezembro), Belo Horizonte (9,52% a partir de 29 de dezembro) e Belém (13,00% a partir de 20 de dezembro). Ficaram mais caras também as tarifas dos ônibus intermunicipais (de 0,31% em novembro para 1,33% em dezembro) e interestaduais (de 0,24% para 2,21%), além das tarifas aéreas (de 0,73% para 1,31%). Com isso, o item transporte público, que havia apresentado variação de 0,11% em novembro, passou para 0,94% em dezembro.

Enquanto isso, o item veículo próprio apresentou queda mais intensa de um mês para o outro (de -0,24% para -0,73%). Os destaques ficaram com os automóveis novos (de -0,40% para -1,99%) e usados (de -2,61% para -2,76%), além da gasolina (de 0,21% para -0,09%).

Quanto às regiões pesquisadas, o maior resultado em dezembro foi registrado no Rio de Janeiro (0,77%), onde os alimentos apresentaram o maior aumento (1,13%) e as tarifas dos ônibus urbanos variaram 3,33%. Curitiba (-0,04%) apresentou pequena deflação.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados de 27 de novembro a 29 de dezembro (referência) com aqueles vigentes de 30 de outubro a 26 de novembro (base).

INPC de dezembro atinge 0,29% e acumula 6,48% em 2008

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,29% em dezembro, resultado 0,09 ponto percentual inferior ao de novembro (0,38%), fechando o ano de 2008 em 6,48%. Em dezembro de 2007, o índice havia sido de 0,97%.

Em 2008, os alimentos tiveram variação de 11,40%, enquanto os produtos não-alimentícios aumentaram 4,47%. Em 2007, o resultado do ano havia sido de 5,16%, com alta de 11,91% nos alimentícios e 2,63% nos não-alimentícios.

Dos índices regionais, em 2008, o maior foi verificado em Belém (8,40%), e o menor foi o de Belo Horizonte (4,92%).

Em dezembro do ano passado, a variação de 0,29% do INPC resultou dos índices de 0,12% dos alimentos e de 0,36% dos itens não-alimentícios, cujas variações em novembro haviam sido, respectivamente, de 0,50% e 0,33%.

Quanto às regiões pesquisadas, o maior resultado foi registrado no Rio de Janeiro (1,04%), onde os alimentos apresentaram o maior aumento (0,86%) e as tarifas dos ônibus urbanos variaram 3,33%. Curitiba (-0,04%) apresentou pequena deflação.

O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 6 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados de 27 de novembro a 29 de dezembro (referência) com os vigentes de 30 de outubro a 26 de novembro (base).

A NOTÍCIA ORIGINAL TRAZ 05 (CINCO) TABELAS QUE ILUSTRAM O CONTEÚDO.

Comunicação Social
09 de janeiro de 2009

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ibge.gov.br.

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