Os funcionários do Banrisul rejeitaram, durante o 16º Encontro Nacional dos Banrisulenses, no último sábado, dia 29, na Capital, reajuste salarial de 5,2% oferecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A plenária também decidiu pelo estado de greve, a partir desta segunda-feira, 1º de outubro.
Mobilização foi a tônica das deliberações do 16º Encontro Nacional dos Banrisulenses, que se encerrou nesse sábado, na Capital. As negociações da pauta específica, que começou na última semana, e a defesa do banco como instituição pública e com papel de promotor do desenvolvimento econômico e social serão foco nas ações daqui para frente junto aos quase 9 mil funcionários do banco.
Na terça, dia 2, os funcionários podem decretar greve por tempo indeterminado, em assembléia geral dos bancários da Capital e Região Metropolitana, prevista para as 19h, no Clube do Comércio, em Porto Alegre. A paralisação começaria no dia 3. Os bancários querem inflação (4,82%) mais 5,5% de aumento real, além de maior participação nos lucros.
No desfecho do encontro, no Clube do Comércio, foram eleitos os novos integrantes do Comando Nacional dos Banrisulenses e das Comissões de Saúde e de Segurança. São as instâncias que têm interlocução direta com a direção do Banrisul nas negociações.
Na próxima quinta-feira, dia 4, às 10h, ocorre a segunda rodada de negociações da pauta específica com os representantes do Banrisul. Na primeira reunião, ocorrida na última quinta-feira, o banco aceitou a retomada do grupo de trabalho de saúde e a formalização do grupo de segurança bancária.
Reajuste
O momento é mais do que propício para conquistar as reivindicações da campanha salarial. “Temos inflação baixa e o crescimento do PIB, fazia muito tempo que não se tinha uma combinação tão favorável”, destaca Ricardo Franzói, economista do Dieese.
Segundo ele, no primeiro semestre de 2007, 90,7% dos acordos tiveram reajuste acima do INPC. O desafio, afirma ele, é mostrar para os trabalhadores que, mesmo com a inflação baixa, é fundamental a mobilização para a busca de melhores salários.
O economista também avaliou os números do balanço do primeiro semestre do Banrisul em comparação com anos anteriores. Um dos pontos destacados foi a queda de empregados por agência. “Além disso, se levarmos em conta os quase dois mil estagiários e mais de 2,6 mil trabalhadores terceirizados, temos aí quase metade do quadro de pessoal do banco, que é formado por 8.900 pessoas”, adverte.
Privatização
Os bancários vão responder com muita mobilização à estratégia do governo Yeda de vender o patrimônio dos gaúchos. A defesa do Banrisul público e forte foi a tônica dos debates da manhã do Encontro Nacional.
A resposta ao desmonte dos serviços e do patrimônio público prevê até mesmo a realização da primeira greve geral do funcionalismo, prevista para o início de 2008. “Temos que impedir o avanço deste projeto ou não vai sobrar Estado no Rio Grande do Sul”, afirma Mara Feltens, diretora da CUT-RS.
As atividades tiveram início com a realização do I Seminário em Defesa do Serviço Público, no dia 25 de setembro, organizado por 24 sindicatos gaúchos e apoiados pela Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público.
Ação conjunta
O encontro resultou no diagnóstico de cada setor envolvido, que será apresentado à sociedade gaúcha. O objetivo é denunciar o desmonte dos serviços públicos e mostrar para a população que isso terá impacto direto no seu dia-a-dia.
Nesta quarta-feira, dia 3, a deputada Stela Farias (PT), que preside a Comissão de Serviços Públicos, vai usar, às 14h, o Grande Expediente na sessão da Assembléia Legislativa para fazer o relato deste diagnóstico. Além disso, um grande mutirão será feito para levar as informações a todos os cantos do Rio Grande na busca do apoio e da parceria dos gaúchos.
Um novo seminário vai acontecer no primeiro semestre de 2008 para avaliar o progresso das iniciativas. “Só com argumentos fortes poderemos fazer frente às propostas do governo do Estado, que vem aí com um rolo compressor”, adverte Odir Tonollier, assessor econômico da bancada do PT na Assembléia Legislativa.
Venda de ações
O economista destaca a importância de mostrar para a população que ela sentirá na pele os efeitos da atual política da governadora Yeda. Com a venda de 43% das ações do Banrisul para investidores privados, a tendência é que agências não lucrativas sejam fechadas, deixando comunidades inteiras à margem do sistema financeiro. E o pior: tudo isso por nada. Os recursos da venda do capital do banco têm os dias contados.
Em um cálculo simples, Tonollier reforça que o governo teria, todos os meses, o mesmo valor que retira do “Fundo de Equilíbrio Previdenciário”, o equivalente a cerca de R$ 170 milhões por ano, apenas com o rendimento dos dividendos. Ao optar por passar as ações para compradores internacionais, os mesmos R$ 170 milhões serão gastos anualmente, o que significa o fim da reserva no prazo de sete anos.
Para o economista, esta é a prova de que o governo vendeu as ações não por ser um bom negócio, mas pela convicção política de que banco não é responsabilidade do Estado, e sim da iniciativa privada. “Isso é lamentável”, afirma. Tonollier diz que os R$ 14 milhões do fundo que são destinados por mês para cobrir o rombo de caixa faz pouca diferença diante da realidade do Tesouro.
“O Orçamento do Estado é apenas uma peça de marketing para sustentar o discurso da governadora Yeda, que prometeu o impossível: zerar o déficit de dois anos”, critica o economista.
Por SindBancários. Publicado em: 30/9/2007 – 13:30.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariospoa.com.br.