Em nova rodada de negociação entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do BRDE e a direção do banco, realizada no último dia 24, na sede da Fetrafi-SC, foram registrados avanços em pontos importantes da pauta de reivindicações dos trabalhadores. A reunião contou com a apresentação de novas propostas pelo BRDE, enquanto a representação sindical manteve reivindicações ainda não atendidas.
A negociação reforçou a expectativa de renovação integral do acordo e de avanços nas pautas apresentadas pelos trabalhadores. Também foi discutida a possibilidade de antecipação da data-base para 1º de novembro, conforme o andamento das negociações.
Um dos principais avanços está nos benefícios de alimentação e refeição. Atualmente, os vales somam R$ 2.097,73. Considerando a correção de 4,6% prevista na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o valor chegaria a R$ 2.194,16. A proposta do banco eleva o benefício para R$ 2.494,36, representando ganho real de 14,36%. O novo valor também será aplicado à décima terceira cesta.
Na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o banco voltou a negar a criação de uma parcela adicional. A COE manteve a reivindicação de um adicional linear, e os negociadores do BRDE se comprometeram a levar novamente o pedido à diretoria.
Nas pautas de saúde, diversidade, equidade e inclusão, o BRDE informou que franqueará informações relativas à segurança e saúde dos trabalhadores, mas não concordou com a criação de uma comissão paritária. Sobre diversidade, equidade e inclusão, a direção afirmou que dará continuidade às iniciativas existentes e poderá contratar assistência técnica especializada.
Para a mediação de conflitos, o banco informou que elaborará cláusula específica. Na movimentação de pessoal, a direção entende que os procedimentos atualmente adotados já atendem, em termos semelhantes, ao reivindicado pelos trabalhadores.
A discussão sobre o auxílio-farmácia também avançou, mas permanece em aberto. O BRDE propõe consolidar o PASU como programa integrado, buscando mecanismos de isenção fiscal e ampliando ações de prevenção, com contrapartidas diferenciadas para pessoas com deficiência. A direção, porém, sinalizou que não pretende promover mudanças mais profundas no tema neste momento.
Sobre o programa de reabilitação, o banco pretende elaborar cláusula que reforce os mecanismos já existentes. Para situações de calamidade e emergência, também ficou de apresentar uma proposta de redação.
Outro avanço envolve o auxílio-creche e babá. O BRDE propôs equalizar o benefício com as condições praticadas pelo Badesul, estabelecendo R$ 752 para filhos de até sete anos. Para filhos com deficiência (PCDs), a proposta prevê a extensão do benefício até os 18 anos.
Em relação ao auxílio-educação dos empregados, o BRDE afirmou que colocará em funcionamento, a partir de 2027, a Academia BRDE de Inovação e Desenvolvimento, com foco em capacitação, produtividade e desenvolvimento profissional prevendo, inclusive, a possibilidade de custeio de 100% em alguns casos. Foi afirmado também a inclusão dos assistentes em programas de capacitação relacionados especificamente às funções exercidas, com a possibilidade de cursos de pós-graduação pertinentes. Os representantes do banco deixaram claro que não pretendem estender tais benefícios a dependentes. Uma redação específica sobre o tema será apresentada para inclusão no acordo.
Nas cláusulas sociais, o banco deverá apresentar nova redação para reforçar práticas já adotadas pela instituição.
Também foi discutida a isonomia do abono-assiduidade entre RP2 e RP3. O banco apresentou proposta de escalonamento, com a concessão de um abono adicional a cada ano, a partir de 2027. A COE ponderou que o mecanismo poderia produzir resultados de forma mais rápida.
Outros temas trazidos à mesa
Além dos itens da pauta, o banco assegurou que o novo modelo das normativas internas, que considera três de cinco ciclos negativos para a abertura de processo administrativo, será contabilizado somente a partir do ciclo atual, sem considerar avaliações anteriores.
O BRDE também informou que pretende equalizar os valores pagos a título de diárias. O tema poderá ser incluído no acordo, e a instituição ficou de apresentar uma proposta de redação.
Os representantes do banco também propuseram incorporar ao acordo as regras de ascensão por mérito do RP3, apresentadas como forma de “equalização da velocidade de ascensão”. A representação dos trabalhadores solicitou ainda a participação de um representante sindical no COVAL para acompanhar a discussão.
Outro anúncio foi a realização de um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) ainda neste ano. Segundo o banco, o programa deverá manter as mesmas regras, considerando o advento do PASU, e ser executado no primeiro semestre de 2027. A previsão é de reposição de trabalhadores, com exceção dos empregados da área de contínuos.
Ao final da reunião, os negociadores informaram que o conjunto de propostas construído até o momento será submetido à diretoria do BRDE na reunião marcada para 6 de outubro. Após a apreciação e aprovação pela direção, a proposta consolidada será encaminhada à COE.
Assim que receber oficialmente o documento, a representação sindical deverá convocar uma plenária nacional da COE BRDE para apresentar aos trabalhadores os detalhes da proposta e promover o debate sobre os termos da negociação.
A rodada representa mais uma etapa na construção do novo acordo dos trabalhadores do BRDE. A COE seguirá acompanhando os próximos passos da negociação, mantendo a defesa das reivindicações da categoria e buscando avanços nas condições de trabalho, remuneração, benefícios e direitos dos empregados.
Participaram da reunião Ademir Vidolin, secretário do Ramo Financeiro do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região; Maria Cristina Steyer Burkard, secretária de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Florianópolis e Região; André Luiz Alves, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo financeiro de Florianópolis e Região; Luciano Fetzner Barcellos, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região; Antônio Augusto Borges, diretor de financeiras e terceirizados do ramo financeiro do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região; Fabio Dellanhese, diretor da Fetrafi-RS; e Marcelo Munhoz Scherer, assessor jurídico do SindBancários de Porto Alegre. Representando o BRDE, estiveram presentes o diretor administrativo e atual presidente do BRDE, Heraldo Alves das Neves, e o superintendente de infraestrutura, Hélio de Paula e Silva.
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Fonte: Sindibancários RS