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O momento histórico do ano de 1968 e as formas de dominação atuais, por meio do consumo e do espetáculo

Genoino discursa sobre significado político do ano de 1968

O deputado José Genoino (PT-SP) ocupou a tribuna nesta semana para analisar o “momento histórico de 1968”. Ele foi um dos participantes das mobilizações estudantis da época. Sobre essa participação ele organizou dois depoimentos que se transformaram em livros: o primeiro, “Entre o Sonho e o Poder”, da escritora Denise Paraná; o segundo, “José Genoíno: Escolhas Políticas”, escrito pela professora Maria Francisca Pinheiro, do Ceará nos quais analisa o significado político de 68. O hoje deputado foi dirigente estudantil na época.

“Participei intensamente das mobilizações de 68 e quero aqui fazer duas homenagens, que simbolizam a geração de 68 com quem convivi intensamente na União Nacional dos Estudantes: ao companheiro Honestino Guimarães, desaparecido, que lutou revolucionariamente nas cidades, e à minha companheira Helenira Rezende de Souza Nazareth, que morreu no sul do Pará, na Guerrilha do Araguaia”.

Vanguarda – Genoino contrapôs-se à idéia de que aquele ano representou apenas um movimento exótico, cultural, comportamental ou, apenas um movimento juvenil. “O movimento de 68 foi um movimento político, ideológico, cultural, revolucionário, que teve na sua geração, particularmente no movimento estudantil, uma vanguarda social e política que, ao lado das reivindicações concretas das universidades, incorporou a luta contra a Ditadura Militar e pelo socialismo, naquela época de revoluções que o mundo atravessava”.

Para o deputado, a geração de 68 é uma ponta de ligação entre o que representou 1964 como ruptura institucional através do Golpe Militar e, ao mesmo tempo, um elo em relação a discutir as esperanças do futuro. “Era uma geração que embalava o sonho e a utopia da Revolução Cubana, de Che Guevara, que morreu em outubro de 1967, da Revolução Vietnamita, da Revolução Chinesa e de vários movimentos revolucionários em que embarcaram àquela época”. A frase mais significativa da época, exemplificou, era: “é proibido proibir”.

Lembrou Genoino em seu discurso do que veio após 1968, do Ato Institucional nº 5, quando “aquela geração foi emparedada, impedida de ter uma alternativa política e democrática para continuar lutando pelos seus ideais. E parte dela se manifesta em oposição armada ao regime militar, com atos de heroísmo, bravura, coragem política e de muita generosidade”.

MDB – A retomada do processo democrático, disse o deputado do PT, a partir dos anos 80, veio com a vertente da luta social dos trabalhadores do campo e da cidade, com a própria reorganização da União Nacional dos Estudantes e com a luta da oposição política. “Nesse sentido, temos que sempre fazer referência ao principal partido de oposição, que se credenciou a partir de 1974, o então MDB. Faço questão de registrar que, em 1974, quando fui preso político, foram os candidatos e Deputados do MDB de então que nos visitavam e falavam na campanha eleitoral de 1974”, disse.

PT – Posteriormente, disse, a experiência de democratização produziu uma escolha política que fiz desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, porque deu uma contribuição decisiva na luta pela democratização do País, tanto no movimento social quanto no movimento político, tanto nas eleições, quanto nas campanhas políticas.

“É importante a reforma político-partidária, casar a luta democrática com a luta econômico-social, com o crescimento, com a distribuição de renda, com a soberania, com a diminuição da pobreza. Trata-se de um processo de construção de um projeto de país. Nós deputados integramos a base de apoio de um governo que está lutando para construir esse projeto de país, com muitas tarefas e desafios pela frente”, disse.

Para Genoino, a esquerda brasileira tem que se colocar ao lado daqueles que fazem uma análise “não apenas laudatória, de elogio, mas rompendo com o preconceito daqueles que não querem avaliar o verdadeiro significado de 68, para buscarmos as lições de uma esquerda que nunca abriu mão do seu valor principal, que é a luta pela igualdade social”.

Por Equipe Informes.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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1968, para se repetir, deverá ser diferente

Infelizmente, 1968 passou e o sistema soube não só colocar as peças de volta aos seus lugares como aprimorar as formas de dominação, por meio do consumo e do espetáculo. A loucura foi contida e transformada em uma suposta “liberdade individual” da qual todos podem gozar, desde que estejam sempre de acordo.

Maio de 68 completa 40 anos e o mundo, ou melhor, parte dele, procura desesperadamente em seu exemplo uma forma de contestar a sociedade atual. Além de inspirar novas formas de expressão artística e de costumes, o ano foi responsável por oferecer espaços para que novas possibilidades de atuação política pudessem surgir.

Foi a partir da França, com a manifestação de estudantes contra a estrutura conservadora das instituições de ensino, que o movimento emergiu para daí conquistar a adesão de diversos setores da sociedade, atravessar fronteiras e se espalhar de forma a atingir praticamente o mundo inteiro: na França protestava-se contra a guerra imperialista travada na Argélia, nos Estados Unidos o alvo era a Guerra do Vietnã e, na América Latina, lutava-se contra os regimes ditatoriais.

Esse ano se tornou um marco por possibilitar descortinar para o mundo o ideal de pessoas que, até então, se encontravam sem voz diante da forte camada sistemática da qual o Estado se utiliza para manter a ordem. É como se, de repente, por um momento que durou um mês e se reflete até hoje, os ideais de todas as pessoas preocupadas com a liberdade de pensamento e com o bem estar de todos os povos tivessem força para contestar aqueles que, preocupados com os lucros econômicos, controlam o funcionamento do mundo.

Foi nesse período que algo tão natural como ser contra as guerras e a morte deliberada de milhares de pessoas passou a fazer mais sentido do que a intensa propaganda ideológica de governos que visam benefícios para poucos.

Infelizmente, esse ano passou e o sistema soube não só colocar as peças de volta aos seus lugares como aprimorar as formas de dominação, por meio do consumo e do espetáculo. A loucura foi contida e transformada em uma suposta “liberdade individual” da qual todos podem gozar, desde que estejam sempre de acordo. É assim que, por trás do ideal de democracia e liberdade, os EUA fazem outra guerra, devastam um outro país e promovem tortura por trás das grades. E é assim que o Brasil protege seu sistema latifundiário, absolvendo os que se utilizam da violência para manter a sua ordem e mostrando, por meio de mortes, ameaças e torturas, que não há espaço para aqueles que lutam por um sistema mais justo.

Mesmo assim, 40 anos depois, 1968 ainda tem conseqüências na realidade atual: foi responsável pelo surgimento do movimento estudantil e pela organização de uma nova forma de esquerda, mais voltada para a promoção de mudanças reais por meio da ação do que pela inserção nas máquinas burocráticas do Estado. Mesmo que tudo isso esteja inerte, foi um respiro saudável de ares puros de boa música, boa arte e boas experiências – talvez não tão boas assim se considerarmos quantos foram os fisicamente feridos -, mas pelo menos sinceras.

Isso mudou os parâmetros do mundo atual, porém, por enquanto, o sistema prevalece, pois o que temos hoje é a dicotomia entre a completa alienação da maioria dos jovens e a busca angustiada de uma parte deles por novas formas de luta e expressividade. Esses vivem entre o dilema de se rebelar e conformar ao mesmo tempo. Imersos na sedução do consumo e na realidade criada pela mídia, tentam sobreviver com o fôlego de 40 anos atrás para, quem sabe, conseguirem respirar novos ares novamente.

Luana Lila é estudante de jornalismo na PUC/SP.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.

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