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Coordenação dos Movimentos Sociais reage ao aumento dos juros ampliando convocação: MENOS JUROS, MAIS DESENVOLVIMENTO

Meirelles jogou gasolina na fogueira do dia 19 de junho

Reunidas nesta quinta-feira (5), na sede nacional da CUT em São Paulo, lideranças da Coordenação dos Movimentos Sociais realizaram um primeiro balanço da convocação para a manifestação do próximo dia 19 em frente ao Banco Central, em Brasília. Depois do ato “Menos juros, mais desenvolvimento”, que será realizado pela manhã, a CMS fará um ato de solidariedade ao povo cubano e contra o imperialismo norte-americano na parte da tarde, em local ainda a ser confirmado. Estiveram presentes ao encontro de hoje representantes da CUT, CGTB, CTB, MST, UNE, UBES, Marcha Mundial de Mulheres, União Brasileira de Mulheres e Unegro.

No dia anterior à reunião, a CUT já havia se pronunciado, por meio de seu presidente Artur Henrique, contra a política de altíssimas taxas básicas de juros e elevado superávit primário, por ela representar “um ataque vil aos esforços por desenvolvimento sustentável com distribuição de renda e valorização dos trabalhadores e trabalhadoras”. Artur conclamou a militância a manifestar nas ruas a indignação “contra esse entulho neoliberal mantido pelo Copom, que tanto agrada aos especuladores e que tanto prejudica o setor produtivo do Brasil”.

Segundo Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT e da CMS, “ao aumentar a taxa Selic em 0,5%, quarta-feira, o senhor Henrique Meirelles conseguiu acirrar ainda mais os ânimos do movimento social, que decidiu ampliar a convocação do protesto, para reverter a atual política de juros e superávit primário nas alturas, que atenta contra o interesse do país e do povo brasileiro”. “Desenvolvimento se faz estimulando a produção, gerando emprego e distribuindo renda. Nós queremos mais recursos para políticas públicas, acelerar a inclusão social. Juro alto é o inverso disso, é mais concentração de renda, é fomento à especulação”, condenou Spis.

Em repúdio à armação do tucano Henrique Meirelles, a CMS lançou um manifesto de convocação para o dia 19 de junho, onde condena o assalto aos cofres públicos: “Os números comprovam que o gasto com juros em apenas quatro meses é imensamente superior a todos os investimentos previstos no Orçamento da União de 2008, que mal chegam a R$ 40 bilhões”.

O que o movimento social está condenando, declarou o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), “é o uso do argumento da inflação pelo BC para aumentar os juros, que já são os mais altos do mundo. Isso representa um boicote ao desenvolvimento nacional, pois inviabiliza o investimento, joga contra a produção, o PAC, a reforma agrária e os programas sociais”.

Na avaliação de João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, é fundamental a ação unitária das entidades do movimento popular para barrar a política de especuladores e transnacionais contra um projeto nacional soberano. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra realizará grandes mobilizações a partir do dia 9, alertando para os prejuízos do agronegócio e da especulação no setor de alimentos, que atenta contra a soberania alimentar.

Solidariedade internacional

A CMS aprovou uma carta de solidariedade em defesa do povo e do governo boliviano contra a ingerência norte-americana, que “denuncia a ingerência do governo norte-americano, que estimula e financia a divisão do país”. “Frente aos inegáveis avanços sociais obtidos com o governo popular e democrático de Evo Morales, grupos fascistas e mercenários – a solido dos grandes latifundiários que resistem à reforma agrária – e testas-de-ferro das transnacionais contrárias à retomada do patrimônio público pelo Estado, buscam fazer a roda da história girar para trás”, condena o documento. Segundo a CMS, ao erguer a bandeira do separatismo em Santa Cruz, beni, Pando e Tarija, a pretexto das chamadas autonomias departamentais, a direita boliviana, em sintonia com o governo dos EUA, investe no enfraquecimento da nação, na ânsia de conter mudanças que põem em xeque seu histórico, retrógrado e excludente domínio”.

As entidades também se pronunciaram solidárias aos sindicalistas colombianos que vêm sendo assassinados impunemente todos os dias em função da política de terrorismo de Estado vigente naquele país.

Abaixo, leia a íntegra do manifesto da CMS para o dia 19

Menos juros, mais desenvolvimento

Em defesa do Brasil e do povo brasileiro, vamos às ruas no próximo dia 19 de junho, realizando em Brasília uma grande manifestação em frente ao Banco Central. Por menos juros e mais empregos, por uma reforma tributária que garanta justiça social; por uma reforma agrária que dê terra a quem nela mora e trabalha; por uma reforma urbana que garanta moradia digna à população de baixa renda e combata à especulação imobiliária; por uma reforma educacional, que amplie o financiamento público e amplie a democracia e qualidade do ensino; por uma reforma política que aprimore e fortaleça a participação popular, colocando o povo como protagonista da sua própria história; e da democratização dos meios de comunicação, que em nosso país têm cada vez mais confundido liberdade de imprensa com liberdade de empresa, manipulando, mentindo e criminalizando os movimentos sociais.

De costas às necessidades do povo brasileiro, que cobra mais recursos para a saúde, habitação, educação, reforma agrária e urbana, o Banco Central, com o tucano Henrique Meirelles à frente, mantém sua política monetária de juros altos e elevado superávit primário. Assim, continua assaltando os cofres públicos para transferir gigantescos recursos da produção e do desenvolvimento nacional para o cassino da especulação. É uma lógica perversa, que atenta contra os interesses do país, pois cria um círculo vicioso de juros altos, aumento da dívida pública, juros altos, aumento da dívida…

Os gastos do governo federal no primeiro quadrimestre demonstram que já foram sangrados do Orçamento – e pagos em juros e encargos da dívida pública – nada menos do que R$ 44,441 bilhões. Os números comprovam que o gasto com juros em apenas quatro meses é imensamente superior a todos os investimentos previstos no Orçamento da União de 2008, que mal chegam a R$ 40 bilhões.

A irracionalidade desta lógica fiscalista de Meirelles, mantida pelo governo Lula, é facilmente comprovada: embora sangre o país para manter em dia os pagamentos aos especuladores, os juros estratosféricos elevaram a dívida líquida do setor público para R$ 1,14 trilhões (41,2% do PIB) em março. Ou seja, quanto mais o país paga, mais deve.

Como bem demonstra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o caminho do desenvolvimento é outro. Passa pelo fortalecimento do papel indutor do Estado, pela garantia de contrapartidas sociais para os investimentos com recursos públicos, pela indução do crescimento com geração de emprego e distribuição de renda.

Juntos, começamos a construir um novo tempo. Agora, com a nossa unidade e mobilização, removeremos os obstáculos que impedem o pleno desenvolvimento das imensas potencialidades de um país rico, de um povo criativo, honesto e trabalhador, que merece e vai ser sujeito de seu destino.

Vamos à luta e à vitória!

Por Leonardo Severo.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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Centrais condenam insanidade do BC e marcam atos em todo país contra o entulho neoliberal

Em nota conjunta, as centrais sindicais Nova Central, UGT, CTB e CGTB afirmaram que o “aumento dos juros é um claro boicote aos esforços do governo e da sociedade de promover o desenvolvimento do país, a geração de empregos e a distribuição de renda”. Para os sindicalistas, “a pressão inflacionária gerada sobre os alimentos não foi causada pelo crescimento ou aumento da demanda interna, mas sim pela especulação mundial com as commodities”.

A CUT protestou “contra as altíssimas taxas básicas de juros e elevado superávit primário, por considerá-la um ataque vil aos esforços por desenvolvimento sustentável com distribuição de renda e valorização dos trabalhadores”.

Para a Força Sindical, a decisão de elevar os juros “é uma insanidade dos tecnocratas do Copom”. “Estamos cansados desta disposição do Copom de punir freneticamente o setor produtivo e abençoar o especulativo”, afirma a entidade.

No próximo dia 19, a Coordenação dos Movimentos Sociais, promoverá atos públicos em frente a sede do BC, em Brasília, e nos escritórios regionais da instituição. “Vamos manifestar nas ruas nossa indignação contra esse entulho neoliberal mantido pelo Copom, que tanto agrada aos especuladores e que tanto prejudica o setor produtivo do Brasil”, conclama a CUT..

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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