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O que é assédio moral no trabalho ?

Entrevista: José Roberto Heloani fala sobre Assédio Moral no Trabalho

Leitura Corporativa: O que é Assédio Moral no Trabalho e como ele se caracteriza?

José Roberto Heloani: É um conjunto de condutas abusivas, frequentes e intencionais, que atingem a dignidade e a identidade da pessoa, fazendo com que o colaborador se sinta fragilizado, levando-o, na maioria dos casos, a pedir demissão. Esse é o maior objetivo de quem pratica o assédio moral: colocar o colaborador para fora do trabalho.

Leitura Corporativa: O Assédio Moral é sempre cometido por superiores hierárquicos ou pode ter relação horizontal?

José Roberto Heloani: O assédio moral é cometido geralmente por superiores, mas pode ter, sim, relação horizontal, o assédio por “iguais”, por pessoas do mesmo nível hierárquico. Na maioria das vezes, o assédio moral começa de cima pra baixo. É praticado pelo chefe e depois acaba sendo imitado pelos colegas. Pode começar com piadas e apelidos pejorativos e ir crescendo. No início, a vítima fica espantada, não entende o que está acontecendo. Quando toma consciência e tenta reagir, o processo já tomou tal rumo que ela não consegue mais se defender. É importante destacar que o assédio moral não precisa ser uma coisa grosseira, mas pode começar de forma sutil. O assédio moral fragiliza o colaborador, deixa-o inseguro, ele não consegue mais trabalhar como deveria, perde a vontade de ir para a empresa.

Leitura Corporativa: Atualmente, qual é a forma mais comum de Assédio Moral no Brasil?

José Roberto Heloani: A forma mais comum é a de assédio moral do superior aos seus subordinados hierárquicos. Essa prática acomete mais mulheres do que homens e ainda mais mulheres da raça negra. Muito assediados são os homossexuais, pessoas acima do peso, portadores de deficiência, pessoas que se diferem da maioria. Em ambientes tipicamente masculinos, existe probabilidade maior de que elas sejam vítimas. Mais mulheres do que homens, eles viram o alvo.

Leitura Corporativa: Como o funcionário pode provar que sofreu Assédio Moral?

José Roberto Heloani: Embora a prova não seja fácil, ela não é impossível. A vítima deve fazer um dossiê, um conjunto de informações com e-mails, gravações, cartas e provas testemunhais. Esse conjunto de indícios tem que ser levado ao juiz para avaliação. É ele quem determina se houve atentado à honra, um tentado à dignidade humana.

Leitura Corporativa: Quais são os principais danos sofridos por quem enfrentou Assédio Moral no trabalho?

José Roberto Heloani: Os danos são sociais, familiares, físicos e psicológicos. Físico porque existe alteração brutal do sono, sudorese, estresse patológico e taquicardia. Isso tudo faz com que esses danos passem, efetivamente, a ter ordem psíquica, pois a pessoa torna-se insegura, não se reconhece mais como trabalhadora e, não raro, embora seja vítima, se pergunta por que está passando por isso, se sente culpada. A própria família da pessoa passa a ser penalizada. A pessoa tem vergonha de contar os episódios do assédio moral, principalmente se for homem. A tendência é afastar os familiares e amigos. A vítima, por adotar atitudes incomuns, acaba até sendo agredido pelo familiar. Os cônjuges acham que a vítima tem caso extraconjugal, por exemplo. O colaborador pode sair da empresa, pois não consegue voltar ao trabalho, ou se aposentar precocemente, causando problema até mesmo para a previdência social.

Leitura Corporativa: Hoje, os funcionários estão mais conscientes do problema?

José Roberto Heloani: As pessoas estão, sim, mais conscientes do problema. Mas estamos longe de ter uma solução. As relações no trabalho não melhoraram, continuam bastante desfavoráveis para os trabalhadores. Creio eu que o próprio fantasma do desemprego, que ronda todas as casas, faz com que a questão do assédio moral, infelizmente, ainda não tenha melhorado como gostaríamos. O que melhorou foi a conscientização.

Leitura Corporativa: O que uma empresa pode fazer para evitar o Assédio Moral dentro da organização?

José Roberto Heloani: A primeira coisa é não negar a possibilidade da existência do assédio moral. Quando se nega essa possibilidade, nega-se também a possibilidade de se resolver o problema. A empresa deve trabalhar de forma preventiva, ouvir o trabalhador, realizar workshops sobre o assunto e admitir que onde existem pessoas isso pode acontecer.

Leitura Corporativa: Qual é a pena para a empresa que comete Assédio Moral contra seus funcionários?

José Roberto Heloani: A empresa é sempre responsável pelo que acontece dentro dela. A organização pode ter que pagar indenização por danos morais. O valor depende do tipo de empresa e do tipo de dano causado à vítima. O valor varia entre R$ 3 mil e R$ 1 milhão. Mas é preciso ressaltar que essa indenização não cura o trabalhador, nem tampouco elimina os prejuízos causados para a imagem da empresa.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.leituracorporativa.com.br.

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Sindicato de Curitiba e Regiãorealiza evento sobre organização do trabalho

Entidade quer discutir com especialistas e com difrentes categorias profissionais os problemas e possíveis iniciativas que possam tornar o ambiente de trabalho menos hostil e a organização do trabalho menos cruel para o empregado. Venha participar!

O debate parece antigo, porém, a experiência de acadêmicos, dirigentes sindicais e trabalhadores demonstra que apenas diante de muita discussão, reflexão e pressão é possível mudar algumas situações adversas.

É nesta tônica que o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região convidou especialistas para debater a organização do trabalho e, desta forma, abordar dois importantes assuntos, sempre resgatados no início do ano: Dia Internacional de Conscientização sobre as LER/Dort (28 de fevereiro) e o Dia Internacional da Mulher (08 de março).

“Este evento é uma excelente oportunidade para discutir coletivamente e de forma consistente questões essenciais relacionada ao dia-a-dia dos trabalhadores nas organizações”, destaca um dos palestrantes, o professor da Unicamp Roberto Heloani.

Ele lembra, por exemplo, os avanços da luta da categoria bancária em relação a prevenção da LER/Dort. “Anos atrás, não havia qualquer política de prevenção e os bancos eram campeões incontestes no quesito adoecimentos devido a atividade profissional com esforços repetitivos. Hoje, não extinguimos este problema, mas houve avanços consideráveis. Ao colocar o tema em pauta, envolver-se com pesquisadores e estudiosos e debater o assunto, o movimento sindical bancário conseguiu uma revisão na postura dos bancos. Isto demonstra que sem pressão, as mudanças não acontecem ou ocorrem muito tardiamente, quando não há como reverter um quadro de adoecimento de uma categoria profissional, por exemplo”.

A discriminação contra a mulher no mercado de trabalho e alternativas para combater este problema também serão alvo de discussão. Para o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região a criação de ambientes humanizados e de inclusão profissional faz-se cada vez mais necessária. O trabalho deve ser uma forma de brindar a vida e não de atrair sofrimento.

Evento — O I° Ciclo de Debates, intitulado “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?”, será realizado no auditório do Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários nos dias 03 e 04 de março (programação abaixo). Para bancários sindicalizados a participação é gratuita. Para mais informações e inscrições, ligue para (41) 3015-0523.

Programação

I° Ciclo de Debates, intitulado “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?”

03.03.2010 | Quarta-feira

19h • Mesa-redonda: Assédio moral, a violência invisível no trabalho
Debatedores: Roberto Heloani e Alceu Graczkowski;

21h • Encerramento com coquetel.

04.03.2010 | Quinta-feira

19h • Palestra: A inserção da mulher no mercado de trabalho
Palestrante: Ângela Araújo, doutora em Ciência Sociais e professora da Unicamp;

20h30 • Mesa-redonda: Diversidade e gênero no mercado de trabalho
Debatedoras: Nanci Stancki, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora da UTFPR, e Ângela Araújo;

22h30 • Encerramento com coquetel.

Inscrições pelo telefone (41) 3015-0523

Por: Patrícia Meyer

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br

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O que é assédio moral?

Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.

A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título “Uma jornada de humilhações”.

A primeira matéria sobre a pesquisa brasileira saiu na Folha de São Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de Mônica Bérgamo. Desde então o tema tem tido presença constante nos jornais, revistas, rádio e televisão, em todo país. O assunto vem sendo discutido amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no âmbito do legislativo.

Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro de Marie France Hirigoyen “Harcèlement Moral: la violence perverse au quotidien”. O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o título Assédio moral: a violência perversa no cotidiano.

Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados e, entre eles, destacamos: São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro, que, desde maio de 2002, condena esta prática. Existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia, entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.

O que é humilhação?

Conceito: É um sentimento de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a, submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a, perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento.

E o que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.

Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.

Em resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este, pressupõe:

1. repetição sistemática
2. intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego)
3. direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório)
4. temporalidade (durante a jornada, por dias e meses)
5. degradação deliberada das condições de trabalho

Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.

O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador: ’autônomo, flexível’, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar ’apto’ significa responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.

A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.

A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos paises desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do ’mal estar na globalização”, onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.

(*) ver texto da OIT sobre o assunto no link: http://www.ilo.org/public/spanish/bureau/inf/pr/2000/37.htm

Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.assediomoral.org/spip.php?article1

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